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sexta-feira, 10 julho, 2020

Já não se fazem idosos como antigamente…

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No lugar das tradicionais imagens que relacionam o envelhecimento ao descanso e à inatividade, surge um novo modelo de terceira idade que inclui motivação, empreendedorismo e aprendizado

Nas últimas 11 décadas, as incontáveis descobertas geraram melhorias significativas das condições de vida de forma geral, e a longevidade dos brasileiros aumentou mais de 40 anos. Enquanto em 1900 as pessoas esperavam viver em média 33,7 anos, agora essa expectativa ultrapassa 75. E ainda, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os trabalhadores que hoje estão ingressando no mercado chegarão aos 80.

Conquistar a aposentadoria e passar o “resto dos dias” em casa, sem se preocupar com o tempo, apenas aproveitando os netos ou passeando, definitivamente não é mais realidade para muitos aposentados.

No novo cenário nacional, a presença de profissionais com mais de 60 anos é cada vez maior. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE, mostra que, entre janeiro e março deste ano, 6,7 milhões de idosos em todo o país estavam em atividade. Um registro que, tudo indica, irá crescer. A projeção do instituto para 2020 é de que esse grupo alcance 20 milhões e, em 2060, esteja quatro vezes maior, chegando à casa dos 60 milhões de pessoas.

“O aumento da expectativa de vida, aliado muitas vezes à necessidade de se obter um complemento de renda, tem levado um número cada vez maior de profissionais a uma segunda carreira”, explica a renomada especialista em comportamento no trabalho Daniela do Lago.

Segundo ela, a atual legislação trabalhista se mostra prejudicial à conquista de novos empregos nessa faixa etária, por isso os casos de sucesso em uma segunda profissão têm sido mesmo aqueles relacionados ao empreendedorismo. “Nossa CLT é antiquada, criada em um período em que a expectativa de vida era muito menor. Muitos não querem mexer nos direitos consolidados, não percebem o quanto estão prejudicando um número cada vez maior de trabalhadores. Hoje, a pessoa com 50, 60 anos, é jovem, está superativa, mas para se manter empregada nessa faixa etária terá de ir para o empreendedorismo. O futuro do mercado será Você S.A.”, enfatiza Daniela, que atua como coach executiva e de desenvolvimento de carreira em diversas multinacionais.

A analista destaca um recente estudo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) que aponta como tendência para 2030 as relações de trabalho fechadas por meio de projetos, com tempo determinado. A fórmula do sucesso, ressalta, passa necessariamente pela melhor qualidade do serviço prestado. “Competência é o que manda no mercado. Sempre haverá espaço para aqueles que entregarem serviço com excelência. Quanto maior a excelência do trabalho, maior o nível de empregabilidade”, garante.

Pesquisador de Economia Aplicada do Fundação Getúlio Vargas/Instituto Brasileiro de Economia (FGV/Ibre), Bruno Ottoni reitera a avaliação da consultora. “O empreendedorismo é sempre uma alternativa viável para aqueles que perdem emprego.

Especialmente no caso dos idosos, que geralmente sofrem mais para encontrar um novo emprego em virtude das atuais regras da CLT e, às vezes, até de preconceito por parte do empregador”, frisa.

Ottoni afirma que provavelmente haverá um grande incremento na participação dos idosos no mercado nos próximos anos, em decorrência da reforma trabalhista que está sendo avaliada no Congresso. “Essa proposta tenderá a elevar a idade mínima para aposentadoria e acabar com o benefício por tempo de contribuição. Logo, haverá uma necessidade do idoso de permanecer mais tempo na ativa até poder se aposentar. Os brasileiros hoje se aposentam muito cedo e essa reforma apenas aproxima a situação do idoso brasileiro àquela que já é enfrentada pelos de outros países. O próximo passo será discutir medidas que facilitem o aproveitamento desse público no mercado de trabalho”, aponta.

Ainda há outros argumentos utilizados por quem defende a necessidade urgente de mudança nas leis previdenciárias. “Estimativas preliminares sugerem que o PIB brasileiro seria 0,6% maior do que é, não fossem as aposentadorias precoces. Com o envelhecimento da população, esse número aumentará exponencialmente nas próximas décadas, se nada for feito”, descreveu o pesquisador do Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo (IPC-IG), Luis Henrique, em seu artigo publicado no site das Nações Unidas (ONU), em agosto deste ano.

Razões
A terceira idade ganhou voz e vez no mercado. O valor das conquistas profissionais e do conhecimento acumulado ao longo da vida passou a ser respeitado no ambiente corporativo. E entre os fatores que têm levado antigos colaboradores a permanecer por mais tempo em seus cargos é a falta de pessoal capacitado para determinadas áreas. “Profissionais mais velhos são geralmente mais comprometidos e levam mais a sério tarefas que gerações mais novas não têm paciência para fazer”, acrescenta Daniela do Lago.

Nos últimos três anos, a consultora Janaina Pinheiro, sócia-proprietária da Rolphen Consultoria, contratou dois novos nomes: Lincoln de Paula, 55 anos, profundo conhecedor de contratos de tecnologias e com fluência em três idiomas, e Maria Helena Magalhães, 70 anos, couch de grandes executivos. “Nós estávamos buscando a maturidade para lidar com problemas, uma maior tolerância com imprevistos, que o jovem não tem.  E eles nos trouxeram muito mais que isso. A sensação de acolhimento, esse jeito mais carinhoso de tratar os colegas de trabalho e a experiência de anos de estrada, que faculdade nenhuma lhe dá.  Tem sido extremamente enriquecedora e gratificante a vivência com esses profissionais”, comemora.

A empresária destaca que grandes companhias têm criado programas específicos para os mais velhos atuarem no atendimento. “Eles atendem muito bem, têm mais educação para falar, acolhem melhor. Em contrapartida, embora ainda haja casos de desrespeito, o cliente também tende a ser mais educado e tolerante com os mais idosos, primeiro porque você reconhece o esforça daquela pessoa em estar ainda no mercado de trabalho, desempenhando a função de atendimento, e segundo porque remete aos pais, aos avós”, explica Janaina.

Além disso, o custo de vida do brasileiro tem subido a cada ano. E em um país marcado por inflação, alta do dólar e instabilidade econômica nos últimos três anos, os idosos também estão tendo de enfrentar o mercado de trabalho para equilibrar as contas. A Pnad Contínua mostra que, no segundo trimestre de 2015, dos quase 2 milhões de pessoas em serviço ou procurando emprego, 502 mil tinham 60 anos ou mais.

A renda é o fator que mais contribui para a volta dos aposentados à ativa, garante Tonia Galeti, advogada do Sindicato Nacional dos Aposentados (Sindinapi). “Tem aumentando bastante o número de aposentados em busca de emprego, porque 70% das pessoas que estão aposentadas hoje recebem apenas um salário mínimo. E é claro que a alta do custo de vida nesses últimos anos fez com que as pessoas tenham que trabalhar para sobreviver”, afirma a advogada.

Maria José Zanella, 76 anos, se aposentou em 1985 como professora pelo Estado de São Paulo, divorciou-se e veio para o Espírito Santo, onde permaneceu atuando até 2005 para continuar garantindo a estabilidade da família, com três filhas em idade universitária, embora também trabalhassem.

Ele confirma que o dinheiro da aposentadoria não supre os gastos mais simples, o que a fez perceber a demanda do mercado e iniciar a produção artesanal de salgados e bolos fit, sem glúten e sem lactose, aproveitando que a filha e o genro são personal trainers em academias. “Quando me aposentei, recebia o equivalente a 10 salários mínimos; hoje, minha aposentadoria é menor que um salário e meio. Nos últimos três anos o gasto mensal com plano de saúde, remédios e alimentação mais que dobrou, e não tive nenhum reajuste. Foi preciso partir para uma receita alternativa”, comenta.

Há 43 anos, Elcio Alves assumia a função de encarregado de armazém da Buaiz Alimentos, empresa em que alcançou o cargo de diretor-geral. Em 2015, durante todo o ano, ele preparou sua saída da diretoria, uma decisão que, em hipótese alguma, inclui parar de trabalhar. Em dezembro, desligou-se da operação, mas assumiu a responsabilidade de consultor para projetos especiais e da compra internacional do trigo. Elcio passou então a ter mais tempo para cuidar de sua empresa de consultoria e também para desenvolver um projeto diferenciado com as cinco filhas, que já tinham uma loja de aluguel de artigos para festas. “Este ano tive mais tempo, porque a tecnologia me permite desempenhar as atividades da empresa por meio da internet, não preciso estar lá todos os dias. E como sempre gostei muito de plantas, passamos a planejar uma floricultura, que em breve terá uma unidade fixa. Em meio a esse estudo, entendemos que a  novidade da ‘itinerância’ seria uma boa pedida e abrimos a Boutique das Flores, nosso flower truck, um braço de As Meninas Locações”, conta Alves.

O empresário relata que, além da questão psicológica de não conseguir se manter inativo, o novo negócio também visa à garantia do rendimento. “Acho que, se eu parar de trabalhar, morro. Mas, é claro, a Boutique é um projeto financeiro de aplicação, que eu espero ter resultados bastante positivos.  Não vou ficar na Kombi vendendo flores, mas administrando e ampliando os negócios”, observa. E entre as ações futuras, além da estruturação da unidade fixa da floricultura, está a transformação do novo negócio em franquia.

E os números mostram que planejar um futuro estável deve mesmo ser uma preocupação, pois o idoso sofre acima da inflação. A população acima de 60 anos desembolsou 11,13% a mais pelos produtos e pelos serviços consumidos em 2015, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3i) divulgado no começo do mês de janeiro deste ano, pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O aumento do custo de vida dessa faixa foi maior que o da inflação oficial (10,67%) no período e que o da taxa para os outros consumidores (10,53%), medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Brasil (IPC-BR).

Volta às Aulas
Mas na vida desses novos aposentados não está apenas o mercado de trabalho, seja na mesma área que sempre atuaram, seja para empreender em novas carreiras. Eles também ocupam cada vez mais as salas de aula e as academias.

A terceira idade tem cada vez mais interesse, tempo e disposição para se engajar em cursos e atividades culturais, e algumas instituições de nível superior perceberam mais cedo esse mercado e criaram até núcleo específico de cursos para esse público, como o programa Universidade Aberta à Terceira Idade, da USP, em funcionamento desde 2006.

Mas quem tem acima de 60 anos não vem buscando somente os currículos de atividades específicas para sua faixa etária. Frequentar aulas junto com os alunos jovens tem sido uma experiência enriquecedora nesse desafio.

Retornar à faculdade aos 67 anos para fazer um curso de Engenharia Civil, mesmo tendo se aposentado como funcionário público do Tribunal de Justiça? A decisão de Alaor José de Mendonça é um exemplo desse novo cenário.

E certamente a missão será vencida. Afinal, “quem começou a estudar somente aos 17, quando largou o cabo da enxada”, e nos 35 anos seguintes concluiu dezenas de cursos técnicos e foi aprovado em quatro concursos públicos, o último deles para o Tribunal de Justiça, em 1990, não vai perder essa batalha. “Precisei interromper a conclusão do nível superior mais de uma vez. Mas agora que estou assumindo o desafio de dirigir uma empresa de consultoria, preciso ter o nível superior, embora tenha atuado por 35 anos na função relacionada à prestação de serviço que minha companhia irá oferecer”, explica o estudante.

“Essas pessoas querem uma vida mais ativa, aproveitando a maior disponibilidade de tempo para realizar desejos que precisaram ser adiados por estarem ocupados com criação de filhos e ascensão na carreira.  Além disso, o ensino superior está mais acessível, atualmente, com maior ofertas de vagas.  Quem não pode fazer faculdade na juventude está aproveitando esse momento para retomar os estudos”, descreve Sandro Lobato, Diretor de Marketing da Faculdade UCL.

A matéria acima é uma republicação da Revista ES Brasil. Fatos, comentários e opiniões contidos no texto se referem à época em que a matéria foi escrita.
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