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quarta-feira, 17 DE julho DE 2024

Índice de Sustentabilidade movimenta trilhões e dita investimentos na bolsa

Companhias com ações voltadas para as práticas ESG representam investimentos mais seguros, segundo especialistas

Por Ludmila de Azevedo

Entendendo que o mercado está seguindo uma tendência de valorização das empresas que adotam um conjunto de práticas sustentáveis, a bolsa de valores brasileira (B3) implementou uma carteira para elencar as grandes empresas que se destacam com efeitos positivos ambientais, sociais e de governança. Trata-se do Índice de Sustentabilidade Empresarial (Ise).

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O Ise, de acordo com a própria B3, foi desenvolvido com o objetivo de dar suporte às estratégias dos investidores, incentivando ainda a consolidação das melhores práticas ESG, uma maior transparência sobre o assunto e a democratização do acesso aos dados das empresas.

Em 2022, 183 companhias se inscreveram buscando uma vaga no índice, mas apenas 83 cumpriram os requisitos para fazer parte do grupo. No topo da lista, está a EDP – Energias do Brasil S.A. “Na última listagem, que saiu este ano, mas é referente a 2022, mais da metade de todo o valor da B3 se concentrou em 70 empresas do Ise; pouco mais de 54% de todo o valor do mercado. É o equivalente a R$ 2,2 trilhões”, explicou o especialista em ESG e Governança Corporativa, Poliano Bastos da Cruz, professor da Fucape.

Índice de Sustentabilidade movimenta trilhões e dita investimentos na bolsa

Para o especialista, esses números só demonstram o maior peso que as companhias alinhadas às práticas sustentáveis detêm no mercado. “Empresas listadas no Ise têm mitigação de risco.
Isso significa que os riscos são reduzidos, afinal, essas empresas têm menos probabilidade de receber processos por mão de obra análoga à escravidão ou por irregularidades ambientais. Elas já fazem o inventário das emissões de gases do efeito estufa, já estão alinhadas às novas demandas do mercado”, completou Cruz.

Além de representar um investimento mais seguro, a empresa que já é voltada para os princípios ESG é mais visada por uma geração que prioriza negociar com companhias que estão mais próximas de seus valores. “Hoje em dia, a sociedade está optando por investir nas firmas com valores bem-estabelecidos de diversidade, com representatividade de mulheres, pessoas negras, com deficiência e LGBTQIA+, com políticas de zerar emissões de gases do efeito estufa e que devolvam valor à sociedade, desenvolvendo capital humano e criando infraestrutura”, acrescentou o professor.

Regras forçam reposicionamento das empresas

Índice de Sustentabilidade movimenta trilhões e dita investimentos na bolsaA obtenção de vantagens no mercado, porém, não é o único motivo que leva aos investimentos na sustentabilidade dos negócios. Atualmente, já há instituições reguladoras que fazem questão de impor alguns pré-requisitos para aplicar capital nas empresas.
“A norte-americana BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, já exige que as companhias em que investe tenham práticas sustentáveis. A cobrança do reposicionamento da empresa já é uma realidade e será cada vez maior”, afirmou o diretor de Relações com Investidores e de Finanças do Banestes, Silvio Henrique Brunoro Grillo.

Essas exigências não estão distantes da nossa realidade. No Brasil, até o Banco Central já exige que as instituições financeiras realizem avaliações de risco social e ambiental das empresas que solicitam crédito. “Aquelas com menor risco têm melhores condições de empréstimos, com maior valor liberado e menores taxas de juros”, exemplificou Grillo.

A própria B3 emitiu, recentemente, uma norma para que as empresas emissoras tenham integrantes diversos na diretoria, o que inclui mulheres, negros, pessoas com deficiência, LGBTQIA+, indígenas e outras minorias pouco representadas.

O diretor acrescentou: “A tendência é que as empresas que não têm práticas sustentáveis passem a ser rejeitadas pelo mercado e pelos consumidores. É o novo capitalismo, não tem mais volta”.

Imagem e reputação ainda são os principais motivadores

Um estudo realizado pelo Data-Makers, instituto de pesquisa e big data, apurou que a principal razão da adoção de práticas ESG nas firmas brasileiras é a imagem (85%), seguida pela reputação corporativa (65%). Foram ouvidos 170 líderes de negócios de segmentos e portes variados. A instituição concluiu, com base nessas informações, que o tema ainda não é explorado como deveria no Brasil, tendo em vista que os dois principais motivos de adoção estão relacionados a “manter boas aparências”.

Índice de Sustentabilidade movimenta trilhões e dita investimentos na bolsa

“A empresa que adota essas práticas só por marketing não é, de fato, sustentável. Essa mudança deve acontecer nos valores da companhia, que não deve ser voltada apenas para o lucro, mas para ter um impacto positivo na sociedade”, argumentou Grillo.

A terceira principal razão dos investimentos em sustentabilidade é a melhora na gestão da empresa (59%), seguida pela redução de riscos (pressão de stakeholders) (38%) e retenção de talentos (35%).

“Pensar em ESG como algo para promover imagem da marca de uma empresa é corromper sua finalidade essencial, como se ela fosse apenas um recurso de comunicação. ESG só faz sentido quando é um compromisso corporativo genuíno”, comentou o presidente da Troiano Branding, Jaime Troiano, em comentário sobre o estudo do Data-Makers.

Já Ricardo Basaglia, CEO da Michael Page, consultoria multinacional em recursos humanos, reforçou que os profissionais de hoje estão cada vez mais preocupados em conectar os seus propósitos e valores aos da empresa em que trabalham. “Só assim se consegue criar um real engajamento desses profissionais com os objetivos da companhia”, respondeu ele à pesquisa do instituto.

*Matéria publicada originalmente na revista ES Brasil 215, de agosto de 2023. Leia a edição completa sobre ESG aqui.

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