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terça-feira, 9 agosto, 2022

Ainda é cedo para comemorar queda do IGP-M

Economista explica que índice foi calculado entre os dias 21 de abril e 20 de maio, portanto ainda não havia sentido os impactos mais fortes da crise política. O IGP-M, índice usado para corrigir contratos de aluguel, registrou deflação de 0,93% em maio. Em abril, o índice já havia tido queda de 1,1%.

Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), usado para reajustar a maioria dos contratos imobiliários, perdeu força em maio e caiu 0,93%, segundo divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) nesta terça-feira (30). Foi a segunda queda mensal seguida – em abril, o índice recuou 1,1%. Em maio de 2016, a variação foi de 0,82%.

No ano, o indicador – registra a inflação de preços desde matérias-primas agrícolas e industriais até bens e serviços finais – acumula queda de 1,29% e em 12 meses, alta de 1,57%.

Apesar da deflação positiva, o economista Mário Vasconcelos, professor da UVV, avalia que comemorar essa queda, pode ser uma reação precoce, diante dos últimos acontecimentos políticos.

Isso porque o IGP-M é calculado com base nos preços coletados entre os dias 21 do mês anterior e 20 do mês de referência. “Portanto, do dia 21 de abril ao dia 20 de maio. Isso significa que antes do mercado sentir os impactos mais fortes da crise política desencadeada com as delações envolvendo o presidente Temer. Portanto não podemos descartar a possibilidade de uma alta significativa no próximo mês.”

Impactos

Mesmo diante da possibilidade de um resultado ruim no IGP-M de junho, o economista aponta que as duas quedas consecutivas tem sim impacto positivo na economia. “Possivelmente, os planos de imóveis não irão gostar muito, mas para a economia é bom, porque quando os preços do atacado caem, isso significa que mais à frente os preços do varejo tendem a cair também”.

Ele destaca ainda que pode aquecer o mercado imobiliário. “Na medida que os alugueis se tornam mais baratos, pode aumentar a procura por imóveis e diminuir o índice de desocupação de imóveis.”

Calculo

O IGPM é formado do pelo IPA-M (Índice de Preços por Atacado – Mercado), IPC-M (Índice de Preços ao Consumidor – Mercado) e INCC-M (Índice Nacional do Custo da Construção – Mercado), com pesos de 60%, 30% e 10%, respectivamente.

Entre outros impactos da crise política na economia, Vasconcelos destaca a alta do dólar, que já obrigará as empresas a se replanejarem diante do aumento dos custos na aquisição de de insumos e matérias primas importadas.

O economista enfatiza ainda que a inflação vem caindo muito mais pela elevada taxa de desemprego que pela melhoria do mercado ou queda na taxa de juros. “O desemprego está elevado e o endividamento das famílias também. E isso faz com que diminua a procura por bens e serviços.”

Subíndices

Usado no cálculo do IGP-M, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que avalia os preços no atacado, teve variação negativa de 1,56%. Em abril, a taxa ficou em – 0,77%.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), outro subíndice, com peso menor, que calcula os preços no varejo, variou 0,29% em maio, ante 0,33% em abril.

Com o menor peso entre os subíndices, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) registrou alta de 0,13% em maio. No mês anterior, o índice variou -0,08%.
FGV.

 

 

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