IBGE lança Banco de Nomes Geográficos do Brasil

De acordo com a padronização toponímica (designação dos lugares por seus nomes), Campos dos Goytacazes (RJ) se escreve com “y”, ao passo que São João Del Rei (MG), com “i”. Da mesma forma, a grafia correta da cidade de Armação de Búzios (RJ) é com “o” no final e não “u”, enquanto Ilhabela (SP) forma uma só palavra.

País de tradição católica desde seus primórdios, mais de 2.500 cidades brasileiras homenageiam santos em seus nomes. Destas, 236 fazem referência a Santo Antônio, como Santo Antônio das Missões (RS), Novo Santo Antônio (MT) e Barra de Santo Antônio (AL). Outras 220 homenageiam São João, como São João Nepomuceno (MG), São João do Araguaia (PA) e São João do Sul (SC). São Francisco batiza 127 cidades, como Amparo de São Francisco (SE), São Francisco do Conde (BA) e Barra de São Francisco (ES). Além destas, são 118 referências a Santa Maria. É o caso de Santa Maria do Oeste (PR), Santa Maria da Boa Vista (PE) e Santa Maria da Vitória (BA). Entre os nomes exóticos e curiosos estão Boa Morte (MG), Pendura Saia (GO), Saco do Boi (MA) e Vai-Quem-Quer (AM e PA), entre outros.

Varre-Sai: hospedagem em troca de limpeza
A história da cidade fluminense de Varre-Sai, por exemplo, remonta a meados do século XIX. Na atual sede do município existia um rancho que era ponto de parada dos viajantes de Minas Gerais. Na porta, havia um lembrete dizendo: Varre-Sai. Essa frase ordenava que todos que ali passassem deveriam limpar o local antes de continuar o caminho. Com a construção da atual Igreja Matriz São Sebastião, começou a nascer em seu entorno uma vila que viria a se tornar o município. Já no final do século XIX e início do XX, com o auge da economia cafeeira no Brasil, começaram a chegar os imigrantes, principalmente italianos, que se estabeleceram para trabalhar nas lavouras de café. Passado à condição de distrito, Varre-Sai ficou politicamente subordinado à sede, o município de Natividade. A emancipação veio em 1991.

Galo denuncia foragidos da Coroa Portuguesa
Também é curiosa a história do município de Cantagalo (RJ). Os primeiros habitantes de suas terras foram os índios coroados e goytacazes, desaparecidos da região por volta de 1855. A colonização teve início em meados do século XVIII, em função da corrida do ouro em Minas Gerais. O português Manoel Henriques, foragido do Estado Português e conhecido como Mão-de-Luva, acompanhado por seu bando habitou o lugar onde hoje está a Usina Cantagalo, dando origem a um núcleo que, em 1794, contava com cerca de duzentas moradias. A prisão dos integrantes do grupo foi a motivação do nome do lugar. As diligências feitas a mando da Coroa Portuguesa para localizar o grupo falharam. Depois de inúmeras batidas pelo mato, cansados e desanimados, os agentes se preparavam para voltar, quando ouviram um galo cantar. Ao seguir o som do canto, encontraram, dormindo à sombra de uma árvore um dos companheiros de Mão-de-Luva. Preso, mas diante da promessa de liberdade e dinheiro, ele denunciou seus companheiros, que foram presos sem oferecer resistência. Com isso, a partir de 1796 a localidade passou a denominar-se Cantagalo, em substituição ao antigo nome, Sertão do Macacu. O município foi criado em 1814, recebendo o nome de Vila de São Pedro de Cantagalo. Em 1857, foi elevado à categoria de cidade com o nome Cantagalo.

Curva de rio dá nome a Volta Redonda
O marco inicial do território de Volta Redonda (RJ) foi a demarcação da fazenda Santa Cruz, de propriedade dos jesuítas, em 1727, local onde hoje se situam a usina da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e a Vila Operária. A ligação, no ano seguinte, entre as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro foi um fator preponderante para o desenvolvimento da região do Vale do Paraíba, onde se encontra a cidade. Em 1875, o povoado de Santo Antonio de Volta Redonda começa a ter grande impulso, com muitos estabelecimentos comerciais. A denominação foi dada em função do rio Paraíba do Sul, pois a cidade encontra-se construída em torno de uma curva do rio, quase um semicírculo, origem do pleonasmo que denominou a cidade. Em 1941 o lugar foi escolhido para a instalação da CSN, em plena Segunda Guerra Mundial, marcando o início de um novo ciclo econômico e também a industrialização no Brasil. Alcançou a autonomia político-administrativa em 1954, com o nome simplificado de Volta Redonda.

Nomes geográficos ajudam a identificar o território
O nome geográfico é um marco de referência e de identidade com o território. Pode ser definido como o nome próprio de um lugar ou de uma feição geográfica. Inclui, na maioria das vezes, um nome específico e uma designação genérica, acrescido de atributos que o caracterizam como um conjunto étnico, etimológico, histórico, referenciado geograficamente e inserido num contexto temporal.

O estudo dos nomes geográficos com seus atributos contribui para a qualidade das informações cartográficas. Além disso, são considerados um patrimônio, pois, através deles, pode-se identificar padrões de ocupação, identidade e diversidade linguística. A ausência de padronização gera, entre outras consequências, carência de subsídios para documentação e litígios em questões fundiárias e territoriais. A toponímia é uma componente fundamental na composição de bases geoespaciais, na estruturação da Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais (INDE) e, principalmente, para a qualidade do mapeamento de referência do país.

 

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