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sexta-feira, 5 março, 2021

Homens e máquinas abrindo janelas para novas oportunidades

Já está claro que as mídias sociais têm o poder de impactar a vida de milhões de pessoas. Blog, Orkut, Youtube, Facebook, Twitter, Linkedin, são palavras que compõem esse universo social virtual e já fazem parte da vida de todos.
Se você ainda não interagiu com pelo menos um desses ambientes, fique atento ao alerta de um estudioso no assunto, o superintendente adjunto da Secretaria de Estado de Comunicação do Espírito Santo (Secom), Arthur Wernesbach: “É um caminho sem volta. Quem ficar de fora desses ambientes ficará em ‘órbita’, ou seja, estará totalmente fora do mundo dos negócios, econômicos, políticos e sociais”, garante.

As redes sociais, no seu entendimento, levam a computação poderosa a facilitar uma ampla gama de atividades e oportunidades de negócios, como a formação e educação, desenvolvimento de produtos e serviços, marketing, vendas, estratégia de criação e troca de informações, que podem ser executados em novos ambientes interativos. A convergência de tecnologias no mundo virtual assegura a esses ambientes imersivos e colaborativos na Internet a geração de suscetíveis transformações no ambiente de negócios globais.

Tais redes ultrapassam fronteiras, em todos os sentidos, e são ferramentas persuasivas intenções, valores e comportamentos da vida cotidiana. De acordo com Arthur Wernesbach, o Brasil é atualmente o campeão da América do Sul em acesso às redes sociais. A tela do computador, definitivamente, segue numa via de mão dupla: um dia você aciona, em outro é acionado. Tal expedição pode facilitar a interação social, uma das funções mais elementares do ser humano.

O superintendente de Comunicação acredita que fica difícil imaginar como serão as redes sociais dentro de alguns anos. “O entretenimento e a velocidade da informação vão seguir impulsionando as pessoas a aderirem às redes sociais. E não podemos deixar de enxergar os riscos dessas redes. Teremos que ter uma legislação rígida, para evitar que elas se tornem também ferramentas eficientes para fins criminosos”, pondera. Mas os benefícios também são muitos, inclusive sociais.

Velocidade da solidariedade

Nas recentes catástrofes no Haiti e no Chile as mídias sociais tiveram o poder de impactar a vida de milhões de pessoas, por exemplo. Durante o terremoto no Haiti, as mídias sociais foram um importante meio de expressão e mobilização de pessoas em todo o planeta. Fotos dramáticas da destruição “postadas” no Twitter correram a web, sensibilizando milhões de pessoas online.

A parte mais expressiva do impacto das mídias sociais no caso do Haiti foram as campanhas de doações, que arrecadaram mais de 10 milhões de dólares para ajudar as vítimas do desastre. No caso do Chile, muitas pessoas acabaram utilizando redes sociais como o Facebook para encontrar parentes desaparecidos.

Entre as iniciativas na web, o Terremoto Chile – criado por dois mexicanos, três horas após o ocorrido – agregava informações importantes, como os contatos das instituições às quais recorrer. As redes mostraram o quanto podem transformar seus adeptos em pessoas mais solidárias.

A possibilidade de comunicação em tempo real e a integração com usuários fazem das mídias sociais a transformação e, por que não dizer, a revolução da comunicação online. Acabou-se a era restrita e exclusiva dos veículos tradicionais, como TV, rádios e jornais impressos.

A internet tornou-se também uma aliada primordial para a aproximação entre as organizações e seus públicos-alvo. Pesquisa realizada pelo Ibope Nielsen Online em dezembro de 2009, aponta que no Brasil há mais de 66 milhões de usuários na internet. Desses, 80% participam de alguma rede social. Com isso, o País torna-se o primeiro no mundo em tempo na frente do computador – aproximadamente 44 horas mensais. A marca brasileira ultrapassa as dos Estados Unidos, França e Japão.

Olho virtual para prospectar negócios

“As redes sociais vieram para ficar e o mundo econômico e social nunca mais ficará fora deste contexto”, acredita o professor universitário, especialista em mídias, da universidade Faesa, Roberto Teixeira. A interação e a troca de informações por meios eletrônicos, na sua visão, fazem parte de uma evolução natural e trazem inúmeros benefícios à sociedade.

O professor destaca que as grandes corporações, em todas as suas facetas, ainda dominam o cotidiano. No entanto, afirma que vivemos em um mundo de oportunidades, em que indivíduos se agrupam, trocam idéias e ajudam a facilitar a vida em uma velocidade nunca antes imaginada.

Atualmente, é possível ter seu próprio veículo de divulgação, estar atento, acompanhar e interferir, de modo instantâneo. “Sem contar com a questão da interatividade, potencializada de uma forma nunca antes vista ‘na história deste país’ e do mundo. Somos hoje cada vez mais multiconectados, multi-informados, multiligados e multi-impactados. Resumidamente, levamos uma vida de multitarefa”, acrescenta Roberto Teixeira.

Tatuagem digital: você já fez a sua?

Hoje é necessário ter a sua “tatuagem digital”. Principalmente no ramo da economia, no qual a empresa estar presente na internet, já não basta. É preciso traçar estratégias para atender o internauta. O diferencial das redes sociais em relação às outras mídias está justamente na interação, em tempo real, entre a empresa e o seu público, além da possibilidade de guardar informações sobre o comportamento do consumidor. “Tatuagem digital é o registro de atividades e informações, dos mais diferentes tipos e formatos, que deixamos na internet, intencionalmente ou não, por meio das redes sociais”, detalha o consultor sênior na TGT Consult, Waldir Arevolo.

O especialista aponta que os perigos e vantagens desses canais podem se transformar em uma grande arma para o crescimento da empresa. Para todas as pessoas que utilizam a internet, principalmente o profissional, o risco está na imagem que ele deixa registrada na rede. Às vezes, podem se tornam verdadeiros “tiros no pé”, como aquelas tatuagens feitas durante a juventude que perseguem eternamente as pessoas. Por outro lado, diz, a internet multiplica as possibilidades de aproximação entre empresas e consumidores.

Construindo seu próprio ambiente

Para conquistar novos negócios e fortalecer a marca, a NewGrowing Branding & Design, localizada em São Paulo, agência especializada na criação de identidade visual de marcas a partir de conceitos e pesquisas, iniciou o ano de 2010 investindo nas redes sociais. Segundo o presidente, Hélio Moreira, em entrevista a ES Brasil, as redes sociais são uma tendência mundial entre as relações comerciais.

“Dentre as inúmeras vantagens, destaco o contato direto entre empresas e potenciais consumidores”, declara. A sua empresa oferece ações em processo de pesquisa; identidade de marca, gestão de marca e experiência de marca. Recentemente Moreira teve a iniciativa de criar um concurso em uma das redes sociais a qual está conectado e foi surpreendente.

Recentemente, Moreira criou um concurso em uma das redes sociais à qual está conectado, com o intuito de premiar uma empresa paulista com uma nova identidade visual. “Através da rede, o diretor do portal GLS Legal (www.glslegal.com.br), empresa de suporte, assessoria e consultoria à comunidade LGBT, Vitor Mattoso, nos apresentou o seu projeto social em defesa das relações homoafetivas. Fiquei impressionado com a responsabilidade social do portal e, mesmo fora dos critérios estabelecidos pelo concurso, – afinal, deveria ser uma organização paulista, e a sede deles fica no Rio de Janeiro -, não tive dúvidas em contemplá-lo”.

Em pouco mais de um mês, a agência começou a desenvolver a nova identidade visual da GLS Legal . “As expectativas são as melhores em torno desta inovação social. Certamente, o futuro trará muitas mudanças com referência às ações de marketing. Contudo, pretendemos chegar antes, apostando nossas fichas nas redes sociais desde já”, completa.

Mão e contramão

Nem tudo é perfeito e, “navegando” na internet com pé no chão e de olhos atentos, evita-se “naufragar”. O consultor Gilber Machado, diretor executivo da capixaba e-brand, tem uma visão otimista do que está acontecendo com as redes sociais. “Estou convicto de que a sociedade está passando por um processo profundo de mudança. O mundo está sendo remodelado pelas novas dinâmicas sociais presentes nas redes. As tecnologias estão permitindo às pessoas reverem o modo como exercem sua cidadania, criando novas formas de aprendizagem e de consumo, ampliando os processos de produção intelectual. E no centro dessas mudanças estão as pessoas comuns”, revela.

Gilber explica que essas tecnologias são cada vez mais acessíveis e estão disponíveis em larga escala. Assim, acredita que as empresas e marcas que estiverem dispostas a participar desse processo de aprendizagem e de construção coletiva com seus públicos terão mais chance de sucesso.

Mas o primeiro ponto que Gilber destaca nessa procura das empresas pelas redes sociais é tentar buscar soluções tecnológicas para um problema que é humano, que exige repensar as relações entre as pessoas. É preciso analisar como se dá essa relação das empresas com seus públicos. “Qual é a postura da organização diante de seus públicos? Ela possui uma cultura abertura ao diálogo e à aproximação? Tem um bom histórico de relacionamentos com a opinião pública?”, questiona Gilber.

Outro problema, sublinha, é buscar essa presença nas redes sociais tendo em mente o paradigma da propaganda. Geralmente, a motivação está na oportunidade de “divulgar seus produtos e serviços”, ou seja, a motivação está em querer falar sobre você, acreditar que você é a estrela do pedaço!

“As redes sociais são ambientes participativos, de intensa interação, onde o que impera é o diálogo e a reputação. Num ambiente social, o seu valor é determinado pelo que as pessoas dizem sobre você, e como você conduz as suas conversas. Acredito que transparência, legitimidade e confiança serão condições cada vez mais necessárias para estar adequadamente presente nas redes”, finaliza.

Política do futuro

O uso da internet como ferramenta política também vem ocorrendo em muitos países. A exemplo, a recente onda de protestos contra as restrições à mídia implantadas na Venezuela pela chamada Lei Resorte teve nas redes sociais e no uso de celulares sua principal forma de mobilização – por parte de manifestantes da oposição e de órgãos governamentais . As redes sociais também foram importantes em diversas coberturas eleitorais.

Mas, de acordo com Arthur Wernesbach, diferentemente do que muitos pensam, ainda não foi dessa vez que as redes sociais interferiram no resultado das eleições americanas. Lá, esse fenômeno deve ocorrer bem antes do que na América Latina, em função da cultura do povo”, acrescentou.

Seja em que área for, as redes sociais podem ser utilizadas para garantir a eficiência do objetivo que se quer atingir. Mas algumas estratégias são fundamentais para se aproveitar ao máximo os seus benefícios. O primeiro passo é saber divulgar de forma clara e adequada os seus valores. Depois, o compromisso com a qualidade do produto a ser vendido, criando identificação com o internauta cliente. O resultado poderá ser milhares de pessoas conectadas a você ou sua empresa. Sempre lembrando que as redes sociais são ambientes de intensa interação, onde o diálogo e a transparência constroem a reputação. Para o bem ou para o mal.

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