Frota de veículos dobra e exige infraestrutura

Em dez anos, a frota de veículos do Espírito Santo cresceu 130%, sem que as vendas do setor apresentassem indícios de queda. Pelo contrário, a frota deve continuar evoluindo e já força a realização de políticas públicas para melhorar o trânsito principalmente na Grande Vitória. A criação de um corredor exclusivo para ônibus, um túnel que liga Vitória a Vila Velha e de uma quarta ponte, entre Vitória e Cariacica, são algumas das propostas. Juntos, os projetos exigirão um investimento inicial de aproximadamente R$ 540 milhões dos cofres públicos.

De acordo com dados do Detran-ES, a frota de veículos no Estado chega a 1,2 milhão. A expectativa é de que as vendas aumentem entre 5% e 6% no Estado neste ano, considerando as projeções econômicas. O crescimento, aparentemente tímido e preocupante, por causa da mobilidade, pode ser traduzido em segurança para o setor.

De acordo com o diretor-executivo do Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Espírito Santo (Sincodives) e da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), José Francisco Costa, explosões de vendas, como aconteceram há alguns anos, causam instabilidade para os empresários do ramo.

“O setor automobilístico brasileiro deve crescer moderadamente. Ao contrário do que parece, isso é saudável. Ter uma explosão de crescimento em um ano e perda no ano seguinte não é bom. O Espírito Santo deve acompanhar o crescimento nacional. Não há desequilíbrio nem surpresas. O crescimento sustentável acontece quando é possível planejar e alcançar esse planejamento. Não adianta investir muito de uma hora para outra, e no ano seguinte ter equipamentos ociosos e ser obrigado a dispensar parte da equipe”, pondera José Francisco.

Ele lembra que desde a crise financeira mundial em 2008, o Banco Central reduziu as facilidades de pagamento na hora da compra e suspendeu alguns recursos de crédito, o que causou grande impacto na procura por veículos.

Os carros de motorização mil representam 55% das vendas. Embora, a motorização a partir de 2.0 – que inclui produtos com valores, em média, de R$ 100 mil, por exemplo – tenha cerca de 2% do mercado, a fatia é responsável por grande parte do faturamento.

Ao comparar os tipos de veículo, o crescimento parece mais evidente entre motos. Nesse segmento, houve um aumento de aproximadamente 13% nos dois primeiros meses do ano, em relação ao mesmo período de 2010. José Francisco ressalta que a redução no prazo de pagamento e o consequente aumento no valor das prestações, determinada pelo governo há alguns anos, afastaram os consumidores. Hoje, acontece o resgate de parte desse público. Mas, na verdade, o segmento de caminhões é o que possui crescimento mais acelerado, com quase 2 mil emplacamentos no Estado nos quatro primeiros meses de 2011, sendo o único que ainda conta com incentivos fiscais como o IPI zero até o final deste ano.

Infraestrutura urbana

Lidar com uma frota de veículos crescente é uma realidade inevitável diante dos avanços do último século e que não possui solução milagrosa, como defende o arquiteto, urbanista e professor da Ufes Tarcísio Bahia de Andrade. Para ele, é possível apenas amenizar os impactos negativos no trânsito por meio de políticas públicas eficientes e da boa formação de condutores e pedestres.

“O problema de mobilidade urbana atinge a todos, é característico do século XX, que fez do transporte motorizado sua base. E não tem relação apenas com o crescimento da população. Londres no século XIX tinha mais de um milhão de habitantes e não possuía um trânsito como vemos hoje na Grande Vitória. É uma discussão que interessa a toda sociedade. O pobre anda de ônibus, e o rico está mais confortável, no carro. Mas ambos estão parados no engarrafamento. Não existe uma única solução para tudo e nenhuma delas vai resolver totalmente o problema”, enfatiza o urbanista.

Só para se ter uma ideia, a Terceira Ponte, principal ligação entre a Capital e a cidade de Vila Velha, recebe, por dia, 71,4 mil veículos, 5.425 nos horários de pico. O governo estadual chegou a anunciar a contratação do projeto básico para um túnel submerso como via alternativa entre os dois municípios, mas admite que não sabe quando poderá iniciar a obra, que tem um custo previsto em R$ 9,8 milhões.

A criação de uma quarta ponte, que ligará Vitória e Cariacica, também foi anunciada. O projeto tem o objetivo de desafogar o Centro de Vitória e a Segunda Ponte, deslocando o trânsito para a Rodovia Serafim Derenzi e a BR 101.

Outra alternativa estudada, mais próxima de se tornar realidade, é a criação do Bus Rapid Transit (BRT) ou corredor exclusivo para ônibus. A proposta deve aumentar a velocidade média dos coletivos para 39 km/h. Atualmente, há linhas que trafegam a nove km/h em locais com maior fluxo de veículos.

Tarcísio Bahia também defende a medida, mas destaca que as ações que visam a melhorar a mobilidade urbana ainda acontecem a passos lentos. “O BRT é uma das soluções viáveis, mas dizer que ele vai resolver é outra coisa. Até porque, ele vai ser feito, mas não será testado. Não há condições para isso. O que é possível fazer é analisar experiências precedentes, que são positivas. O problema é que os anos passam e as obras não acontecem no Estado, demoram muito”, enfatiza.

A divulgação do táxi como alternativa popular ajudaria a melhorar o trânsito na Região Metropolitana, na opinião do professor universitário. Para ele, esse é o único sistema de transporte coletivo capaz de oferecer o mesmo conforto que o automóvel, embora seja mais utilizado em outros Estados brasileiros.

Mas o investimento em novas vias e nos meios de transporte não surtirá efeito na rotina das cidades se não vier acompanhado de uma transformação cultural. Praticar carona solidária, respeitar as leis de trânsito e incentivar a relação de cordialidade entre condutores e pedestres são atitudes simples que podem tornar o cotidiano nas vias urbanas menos estressante, sugere o professor.

 

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