“Fora, Temer”: protesto violento contra governo fecha ministérios

Aos gritos de “Fora, Temer!” e “Diretas já!”, a esquerda conseguiu reunir em Brasília o maior numero de manifestantes desde que a crise política estourou na semana passada. Houve quebra-quebra, com Ministérios depredados e mais de 100 manisfestantes presos.

A temperatura subiu em Brasília. Milhares de manifestantes se reuniram na Esplanada dos Ministérios em Brasília para pressionar ainda mais o governo, na tarde desta quarta-feira (24). Aos gritos de “Fora Temer”, um grupo ateou fogo na sede dos Ministérios da Agricultura, da Cultura e do Planejamento. O fogo foi controlado pelos Bombeiros, mas deixou um rastro de destruição.

Segundo boletim mais recente, divulgado pela Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, uma pessoa – de identidade ainda não revelada – foi baleada e socorrida ao hospital por uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Os Ministérios do Turismo, dos Transportes, e das Minas e Energias também foram depredados. Na Cultura, diversos computadores e documentos foram retirados das salas e utilizados como material para montar barricadas de fogo e impedir a aproximação da Polícia Militar. A barreira mais intensa foi montada em frente ao Ministério da Saúde. A ação dos manifestantes assustou autoridades e os prédios foram esvaziados.

A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros atuam no controle da situação. Apesar do movimento de dispersão, ainda há muitos manifestantes no local. Segundo organizadores do movimento, foram 200 mil pessoas. A PM, embora o número não seja ainda oficial, fala em cerca de 35 mil pessoas.

Pronunciamento

Por volta das 16h30, o ministro da Defesa, Raul Juulgman, acompanhado do ministro chamou a imprensa para anunciar que o presidente Michel Temer havia decretado “ação de garantia da lei e da ordem”. Com isso, tropas federais passarão a reforçar a segurança na região da Esplanada dos Ministérios.

Segundo Julgman, a manifestação estava prevista como pacífica, mas “degringolou na violência, no vandalismo, no desrespeito, na agressão ao patrimônio público e na ameaça às pessoas”.

O decreto assinado por Temer foi publicado em uma edição extra do “Diário Oficial da União” e prevê o emprego das Forças Armadas entre 24 e 31 de maio. A ordem é assinada pelo presidente Michel Temer, por Raul Jungmann e pelo ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Sérgio Etchegoyen.

Fora Temer

Os protestos vinham sendo modestos desde a que a crise política foi detonada, após divulgarem uma gravação feita pelo empresário Joesley Batista, dono da JBS. No áudio, o presidente Temer parece apoiar o pagamento de propina ao ex-deputado Eduardo Cunha, preso por corrupção.

Mas nesta quarta-feira (24), a oposição reuniu o maior número pessoas contrárias ao governo Temer, agora sob investigação pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A Procuradoria-Geral da República acusa o chefe de Estado de obstrução da justiça para impedir o avanço da operação “Lava Jato”, em um esquema de corrupção e organização criminosa.

Temer

Defendidas no cenário econômico como fundamentais para tirar o Brasil da recessão, as reformas trabalhista e da Previdência não conseguem avançar. Deputados e Senadores de oposição ao governo impedem as votações.

Temer assumiu o cargo há apenas um ano, após o impeachment de Dilma Rousseff, acusada de manipular as contas públicas. Sua principal promessa era arrumar a economia depois de uma contração de 7,2% do PIB entre 2015 e 2016.

Hoje, o presidente enfrenta uma dúzia de pedidos de impeachment no Congresso e são poucos os analistas de mercado que vislumbram possibilidade dele permanecer no poder por muito mais tempo.

Na última terça-feira (23), foram presos o assessor presidencial Tadeu Filippelli, demitido pelo Palácio do Planalto, e os dois ex-governadores do Distrito Federal, José Arruda e Agnelo Querioz.

Os detidos são acusados ​​de integrar uma rede criminosa que superfaturou em quase 900 milhões de reais nas obras do Mané Garrincha, o mais caro da Copa do Mundo. Inicialmente orçada em 600 milhões de reais, a reforma totalizou mais de R$ 1,5 bilhão.

Ainda nesta terça-feira (23), o STF condenou ontem a sete anos e 10 meses de prisão um dos maiores lideres políticos do Brasil. Paulo Maluf, deputado de 85 anos aliado de Temer, foi condenado por lavagem de dinheiro e perda do mandato. Ainda cabe recurso.

Rio de Janeiro

O centro do Rio de Janeiro também está sendo palco de manifestações truculentas. Manifestantes protestam em frente a Assembleia Legislativa contra votação do projeto que aumenta a contribuição previdenciária estadual.

A Polícia Militar está utilizando armas de borracha e bombas de gás lacrimogênio para responder aos ataques dos manifestantes.  Mas os deputados já aprovaram o projeto e votam neste momento, às 17h25, as emendas.