- Continua após a publicidade -

Fim da escala 6×1: como gestores no ES avaliam a transição

Especialistas recomendam simulações de custo e produtividade; setor produtivo capixaba debate os impactos do fim da escala

Por Amanda Amaral 

Os debates sobre a flexibilização da jornada de trabalho estão exigindo que empresas e gestores analisem seus modelos de negócio visando a manter competividade em um cenário atual de escassez de mão de obra.

As discussões sobre o tema ampliaram esta semana com o projeto de lei enviado pelo Governo Federal, ao Congresso Nacional, com urgência constitucional, prevendo o fim da escala 6 x 1, assim como já previsto pela Emenda Constitucional (PEC) em discussão na mesma Casa de Leis. 

- Continua após a publicidade -

Para o vice-presidente do Conselho Regional de Administração do Espírito Santo (CRA-ES), Erthelvio Nunes, neste momento, a recomendação central é que as organizações realizem simulações e se adaptem para transformar desafios em diferenciais competitivos.

“Estudem a situação, conheçam bastante a sua empresa e se organizem para estruturar a gestão de Recursos Humanos, a sua gestão de pessoas. Desta forma, você pode se adaptar o mais rápido possível e tirar a vantagem disso, mesmo com as adversidades como a escassez de mão de obra”, explicou.

Conteúdo em Alta

Turismo capixaba avança, ganha valor e entra em...
Agropecuária lidera geração de empregos formais no ES;...
Não há receita para a sucessão familiar, mas...
Escala 6×1: oposição reage à PEC; confira
Onde encomendar a ceia de Natal na Grande...
As 8 cidades do ES líderes em vagas...
Logística no ES: confira impacto de mapa inédito...
Gás natural: rede de R$ 57 mi em...
Evento de gestão debate IA e liderança no...
CRA-ES orienta cautela e inovação na gestão com...

Para Nunes, a capacidade de retenção de talentos e a produtividade dependem agora de uma gestão estratégica que saiba equilibrar as restrições legislativas com a realidade operacional de cada setor. “Até para o administrador, que está buscando sua colocação no mercado, quem estiver mais preparado, com certeza vai acessar as melhores oportunidades”, disse.

Mudança de escala

O Extrabom, por exemplo, decidiu testar a escala 5×2, com cinco dias de trabalho para dois de folga, porém com carga horária de 44 horas semanais, a folga fixa é domingo – devido ao não funcionamento dos supermercados no Espírito Santo neste dia.

- Continua após a publicidade -

O objetivo é atrair e manter mão de obra qualificada, combatendo a escassez de trabalhadores e a alta rotatividade gerada pela busca por melhor qualidade de vida, especialmente entre os jovens, segundo explicou Fabiana Vieira, diretora de Gente e Gestão do Extrabom.

Fim da escala 6x1: como gestores no ES avaliam a transição
Erthelvio Nunes é vice-presidente do Conselho Regional de Administração do Espírito Santo (CRA-ES). Foto: divulgação

A mudança teve início, em fevereiro deste ano, na unidade de Laranjeiras, Serra. Atualmente, outras seis lojas já aderiram a nova escala, que segundo Fabiana, deve ser expandida para mais quatro ou cinco lojas. Ela também afirmou que o aumento no custo de pessoal foi absorvido internamente e que não haverá repasse de preços aos produtos ou prejuízo no atendimento ao cliente.

“Em pesquisa realizada em março na primeira loja, 93 dos 99 colaboradores aprovaram o modelo, relatando menos cansaço. Também houve um aumento estimado de 30% na procura por vagas nas unidades que adotaram a nova escala em comparação às demais”, ressaltou a diretora do Extrabom.

Impacto por setores

O debate passa ainda pelas especificidades e necessidades de cada setor, na visão do vice-presidente do CRA-ES, que cita como exemplo os hospitais, que funcionam durante 24 horas os sete dias da semana, e o setor de logística, que depende do frete.

- Continua após a publicidade -

“O setor de transporte também tem uma legislação específica, mas similar ao do trabalhador fixo, ou seja, ele tem que ter um repouso. Temos situações bem diferentes no mercado de trabalho, imagine um motorista de caminhão que precisa fazer um intervalo entre turnos. Ele vai fazer isso aonde? Dentro do caminhão? Em um posto de gasolina? Será que isso é saudável para o trabalhador”, analisou Nunes.

A nota da Federação das Industrias no Espírito Santo (Findes) diz que a entidade defende que eventuais mudanças estejam condicionadas a ganhos reais de produtividade e construídas com diálogo entre os setores, e que cada segmento produtivo possui especificidades e será impactado de forma distinta por alterações generalizadas.

Fim da escala 6x1: como gestores no ES avaliam a transição
Fabiana Vieira é diretora de Gente e Gestão no Extrabom. Foto: Divulgação

Já a Fecomércio Espírito Santo, alinhada à Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), se manifesta contrária à proposta de Emenda Constitucional (PEC) que visa proibir a escala 6×1. Segundo a entidade, a medida extrapola os limites constitucionais que regulam a negociação da jornada de trabalho e a possibilidade de redução salarial, e retira dos sindicatos a prerrogativa constitucional de participar das negociações coletivas. 

A Fecomércio-ES ressaltou ainda que os trabalhadores do comércio já são amparados por legislação específica (Lei nº 12.790/2013), e que o projeto de lei atual desconsidera os avanços da Reforma Trabalhista (Lei nº 13.467/2017).

Leia Mais

Nova lei: condomínios devem se adaptar aos elétricos
ES apresenta queda do desemprego e alta da...
Gustavo Pimenta é o novo CEO da Vale
Escala 6×1: entenda por que deputados recuaram de...
Mulheres no varejo: capixaba se destaca em prêmio...
Fim da hiperglobalização é vantagem para o ES,...
MPES e Findes ampliam cooperação no Espírito Santo
Assevix: conheça a associação dos empresários de Vitória
Sua empresa está pronta? Nova NR-1 muda regras...
Petrobras: Conselho propõe pagar 50% dos dividendos retidos

Receba notícias exclusivas no seu WhatsApp

Contéudos especiais no seu email. Receba hoje!

- Continua após a publicidade -
- Publicidade -

EDIÇÃO DIGITAL

Edição 233

RÁDIO ES BRASIL

Continua após publicidade

MAIS ES BRASIL

- Publicidade -

Política e ECONOMIA

Matérias relacionadas

- Continua após a publicidade -