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sexta-feira, 10 abril, 2020

O cruel lado dos feriados prolongados

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Dizem que, no Brasil, o ano só começa, para valer, depois do carnaval. Mas, a julgar pela quantidade de feriados prolongados que reserva, 2018 corre o risco de andar bem devagar, quase parando. Isso sem falar na Copa do Mundo que, a cada quatro anos, freia as atividades no país nos dias de jogos da Seleção Brasileira.

“O ponto facultativo do servidor público afeta de forma muito intensa o setor de comércio e serviços. O empresário abre a sua loja sabendo que terá prejuízo”
Ricardo Paixão, presidente do Corecon-ES

Esse excesso de folgas, embora seja muito bem-vindo a quem aproveita para descansar, é bastante danoso à economia. Somente a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo (Fecomércio-ES) prevê um prejuízo de R$ 560 milhões para o Estado, em vendas e impostos não arrecadados, nessas folgas. No cenário nacional, a perda total do setor deve chegar a R$ 22 bilhões, segundo cálculos da Confederação Nacional do Comércio (CNC). “O brasileiro gosta de emendar feriados, é da nossa cultura. Mas, por outro lado, a economia sofre. Para quem depende do dia trabalhado, como o comércio e os serviços, é algo bastante preocupante”, observa o presidente do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES), Ricardo Paixão.

Este ano, cinco dos nove feriados nacionais caem em terças ou quintas-feiras, ou seja, virão acompanhados de pontos facultativos que garantem o enforcamento do segunda ou da sexta-feira (veja o quadro). Há ainda as datas festivas estaduais e municipais. No Espírito Santo, as tradicionais são de Nossa Senhora da Penha, este ano em 9 de abril (segunda-feira); Colonização do Solo Espírito-Santense, em 23 de maio (quarta-feira); e Aniversário de Vitória, em 8 de setembro (sábado).

Feriado prolongado“O grande problema são os pontos facultativos decretados pelo Estado e pelos municípios, que geram feriadões de quatro dias. Quando há esse enforcamento, o movimento fica muito pequeno nas lojas de rua”, reclama Ilson Bozi, diretor da Fecomércio-ES. Ruins para o comércio, os feriadões são bons para o turismo. Mas Ricardo Paixão pondera que os ganhos de um não compensam as perdas nas vendas do outro. O saldo fica negativo do mesmo jeito.

Feriado prolongado
Fonte: CNC e Fecomercio *Feriado ou ponto facultativo em alguns municípios do Espírito Santo

“E isso se agrava no Espírito Santo, onde a vocação turística ainda não é tão desenvolvida e os resquícios da crise econômica no país ainda impedem muitas famílias de viajar. Algo que gera um impacto negativo muito grande para a economia capixaba”, avalia Paixão.
“Há ainda a Copa do Mundo, de 14 de junho a 15 de julho. Na primeira fase, a Seleção Brasileira fará três jogos, sendo que dois deles em dias de semana, no horário comercial: 17 de junho (domingo), às 15 horas, contra a Suíça; 22 de junho (sexta-feira/9h), contra Costa Rica; e 27 de junho (quarta-feira/15h), contra Sérvia. Se avançar até a final,
o Brasil fará mais quatro partidas.

“O problema é que a Copa do Mundo pode gerar feriados imprevistos. Quando o Brasil joga, para tudo. É muito difícil para as empresas se planejarem”, enfatiza Paixão. “À medida em que a Seleção avança ou o torneio se torna mais atrativo, há momentos em que, durante o expediente, o colaborador para dar uma espiada na TV em um jogo importante, o que gera queda de produtividade também.” A queda de produtividade, por sinal, é outro problema apontado pelo economista em relação aos feriados prolongados. “Depois de ficar três ou quatro dias em casa relaxando, o trabalhador retorna em um ritmo mais lento e demora de três a quatro horas para retomar a sua capacidade máxima de produtividade. Há estudos que apontam que a produtividade cai pela metade nesses casos.”

Apesar de todos os contras dos feriadões, o presidente do Corecon recomenda jogo de cintura às empresas quanto à proibição a seus funcionários de emendarem feriados prolongados e obrigá-los, por exemplo, a trabalhar em uma sexta-feira, depois de uma folga na quinta. “A empresa precisa ter flexibilidade. Em casos desse tipo, apesar de estar em seu direito, o gestor pode ter de lidar com um colaborador desmotivado, improdutivo”, ressalta. “Para piorar, nesses dias, a demanda cai muito, porque, mesmo que sua empresa funcione, outras vão estar paradas.

O que pode gerar um custo desnecessário, com energia elétrica e água, por exemplo, em um dia praticamente morto.”O melhor caminho para lidar com situações desse tipo, na visão de Ricardo Paixão, é o planejamento. “Os gestores precisarão ter sabedoria e discernimento para se planejarem e passarem pelo ano de 2018 sem ter grandes prejuízos.
É preciso pensar em alternativas: aumentar a produção, buscar novas vendas em outros dias da semana e fazer promoções para tentar diminuir o tamanho do rombo dos feriadões”, sugere o economista.

É o que os comerciantes capixabas pretendem fazer para escapar dessa crônica do prejuízo anunciado. “O jeito será trabalhar mais e melhor nos outros dias. E oferecer preços diferenciados para atrair os clientes”, conclui Ilson Bozi.


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