Falar de problemas financeiros no trabalho pega mal?

Um funcionário com problemas financeiros emergenciais tem sua produtividade afetada (Fotografia - Shutterstock)

Empresas precisam estar preparadas para ouvir e ajudar em casos de emergência

Parcelas do imóvel em atraso, fatura do cartão de crédito que saiu do controle e orçamento comprometido com despesas supérfluas. Quando a saúde financeira vai mal, o bem-estar físico e emocional também fica comprometido, gerando uma série de problemas que podem afetar a saúde e o desempenho profissional.

Os gestores das empresas precisam estar preparados para ouvir e ajudar em casos de emergência, bem como ficar atentos a qualquer sinal de desequilíbrio que a questão possa causar na atmosfera corporativa. Essa é a recomendação CEO e cofundador da Creditoo, primeira plataforma 100% online de empréstimo consignado para funcionários de empresas privadas, Ramires Paiva.

Afinal, problemas financeiros ainda são considerados um tema delicado, que requer cuidado na abordagem dentro do ambiente profissional. Caso contrário, pode “pegar mal” para o funcionário, soando como um pedido de aumento ou passando uma imagem equivocada aos colegas, associada ao descontrole, incapacidade de planejamento e falta de visão de longo prazo.

Por outro lado, fazer de conta que o problema não existe não vai eliminá-lo. Quando o assunto é tratado entre colegas, o mais importante é lembrar que eles estão lidando com pessoas – ou seja, com sentimentos. Uma conversa transparente e verdadeira sempre é a melhor saída.

Estudo da Associação Brasileira de Educadores Financeiros, com a Unicamp e o instituto de pesquisa Axxus, aponta que 84% dos trabalhadores brasileiros têm algum problema financeiro. Ao todo, apenas 16% conseguem fazer um planejamento de gastos e pagar as próprias contas com o salário.

O papel do RH
Ramires Paiva (Fotografia – Divulgação)

De acordo com Ramires, qualquer situação que fuja da normalidade merece uma intervenção pontual e personalizada por parte do RH. Os departamentos precisam estar abertos a dialogar e a prestar ajuda, desenvolvendo programas de benefícios mais completos e adequados às necessidades de cada colaborador.

“Geralmente, o endividamento está relacionado à falta de educação financeira do brasileiro. Aprender a fazer uma boa gestão das despesas, para não comprometer o orçamento de maneira insustentável pode evitar problemas no futuro”, destaca Ramires. Desta forma, estruturar programas de coach financeiro e oferecer fontes de recursos mais acessíveis aos funcionários consistem em medidas que atacam o problema diretamente, além de prevenir reincidências.

Infelizmente, nem todos os funcionários que trabalham com carteira assinada sabem que, assim como os servidores públicos, também têm direito garantido por lei a uma modalidade de crédito que possui as taxas mais baratas do mercado, o crédito consignado, com desconto na folha de pagamentos. Caso a empresa não tenha essa opção em sua política de benefícios, os funcionários podem, inclusive, solicitar ao RH que busquem parcerias com instituições.

“Cobrir o saldo negativo no banco com um consignado privado, por exemplo, sai bem mais em conta para o funcionário. Ele terá melhor prazo e menor juros para quitar a dívida cara, sem se comprometer com parcelas impagáveis”, explica Ramires. Segundo dados do Banco Central, a taxa média desse tipo de empréstimo é de 2,7% ao mês, percentual bem abaixo do cartão de crédito (11,9% a.m.) e do cheque especial (12,5% a.m.).


LEIA TAMBÉM
Conteúdo Publicitário