Esportes de aventura

Foto: Andre Luiz Santos

Cuide da saúde entrando em contato com a natureza

A vida urbana trouxe uma série de comodidades, mas a parte ruim dessa história é que todo o aparato contemporâneo promove o afastamento entre o ser humano e a natureza. Muitos de nós esquecemos que fazemos parte de algo maior, um mundo cheio de conexões com outros animais e interações ambientais. A partir daí, é fácil cair em um círculo vicioso cuja armadilha já atraiu grande parte da população: dedicação de muito tempo para as tarefas do dia a dia e atenção quase zero para o bem-estar individual. Mal, mal há momentos para se ver um filme aqui, assistir a um seriado ali, dar uma olhadinha nas redes sociais acolá…

Está na hora de mudar esse quadro, não é mesmo? Uma forma de sair dessa encruzilhada é buscar atividades de envolvem a natureza, como os esportes de aventura. O educador físico Glênio Luiz analisa que muitas pessoas, mesmo sabendo da necessidade de deixar o sedentarismo, não se enquadram em ambientes como os de academias. No Espírito Santo, acrescenta, temos a dádiva de contar com um litoral maravilhoso e uma área verde muito próxima, propícia para a prática de diversos exercícios.

Esportes de aventura estão sempre em alta e muito procurados por atletas e por pessoas comuns que buscam aliviar a tensão do dia a dia ou dar um toque de adrenalina à vida. – Foto: Prefeitura Municipal de Alfredo Chaves

“Nós últimos anos, vimos o crescimento das corridas ao ar livre e da adesão a exercícios em praças e praias. Isso é ótimo. Mostra que as pessoas estão interessadas em cuidar de si. Quando esse primeiro passo é dado, elas começam a perceber que há um universo de outros esportes que podem ser praticados ao ar livre e que trarão para sua vida algo a mais. Aquelas sensações que às vezes não são encontradas nos esportes de quadra ou em atividades em locais fechados”, explicou Glênio.

Esporte e turismo de aventura

O Ministério do Esporte definiu, na legislação, que esporte de aventura é todo aquele relacionado à natureza e ao ecoturismo, praticados sob condições de risco calculado. Pertencem a essa modalidade a trilha, o montanhismo, a canoagem,
o voo de parapente, etc.

É muito comum a confusão desse grupo com os “esportes radicais”, caracterizados por manobras arrojadas e controladas em lugares naturais ou artificiais. Nesse último segmento, os mais comuns são surfe, skate, ciclismo BMX, slackline, paraquedismo e parkour, entre outros.

Para os estreantes, a recomendação é buscar profissionais e empresas qualificadas para inserção nesse universo. A utilização de equipamentos adequados ganha também mais importância. “Como muitos desses esportes são feitos em áreas um pouco mais distantes das cidades, consequentemente longe de algum tipo de socorro se algo acontecer, passa a ser muito mais relevante ter o equipamento certo para diminuir o risco de acidentes”, destacou Glênio.

Uma alternativa é buscar, primeiro, o turismo de aventura, uma modalidade em que o contato com a natureza se dá de maneira tanto contemplativa quanto interativa, porém de modo seguro. O instrutor Oswaldo Baldin, que está há 22 anos nesse meio como escalador profissional, também abriu uma empresa de turismo para ajudar o público a dar os primeiros passos.

“Jogar-se na natureza é arriscado para quem não a conhece, e comprar os equipamentos representa um investimento muito alto. Então, surgindo o interesse, é melhor procurar uma empresa qualificada para fornecer todo o amparo para esse início de relacionamento. Consideramos vários aspectos para montar um roteiro, desde a facilidade de acesso até o grau de dificuldade e controle de riscos”, enumera Baldin. “Com essa avaliação, as próprias pessoas concluem se o contato com a natureza vai privilegiar o turismo ou o esporte. Isso vai do ritmo e objetivo de cada um”, conclui.

Começando

Foi exatamente esta a providência tomada pelo eletricista de força e controle Fernando Barbosa Rocha, de 28 anos. Ele já demonstrava admiração pelos esportes de aventura e queria algo que o ajudasse a superar seus medos e testar os limites. De início, achou complicado aderir, porque são atividades não muito divulgadas, com poucos praticantes e, grande parte das vezes, com acesso um restrito. No entanto, pesquisando na internet, ele encontrou uma empresa que disponibiliza roteiros turísticos de aventura, sem exigir do cliente experiência prévia, e equipamentos. “Foi uma oportunidade de experimentar e ter certeza de se realmente aquela prática era para mim. E foi muito bom! Senti que era aquilo mesmo que estava procurando. Fiquei mais determinado a procurar os meios para me render à pratica de  escalada em rocha”, ressaltou.

Já para o colega de profissão de Fernando, André Luiz Santos, o começo da jornada foi bem diferente. Na adolescência, ele era muito tímido e introspectivo. Foi então que o professor de Educação Física lhe sugeriu a prática de algum hobbie para que desenvolvesse a sociabilidade. Certo dia, enquanto assistia a um filme, André se deparou com cenas mostrando a arte do bonsai, que é a utilização de técnicas específicas de miniaturizar plantas. Motivado, subiu na bicicleta, percorreu a área densamente arborizada nas proximidades de sua casa, em Aracruz, e foi “caçar” plantas para da início a  esse novo hábito.

O motocross é um esporte praticado em pistas específicas ou ao ar livre é indicado para quem gosta de velocidade. – Foto: Prefeitura Municipal de Alfredo Chaves

E dessa forma o amor à natureza foi se desenvolvendo. Por estar sempre de bicicleta, ele passou a conhecer a turma que também andava sob duas rodas nas áreas verdes e se sentiu atraído pelo mountain bike. Chegou até a competir pela modalidade. Depois, teve contato com o pessoal da escalada e aderiu à prática. Hoje, tenta transferir esse aprendizado de respeito ao meio ambiente para a filha, Alice, de 7 anos.

“Meus problemas de timidez passaram, e hoje tenho uma consciência ambiental muito elevada. Em casa, cultivo um pequeno viveiro com plantas nativas aqui na minha região. Faço algumas mudas e vou para áreas degradadas com minha filha para plantar árvores. Quero que ela aprenda a respeitar a natureza assim como eu aprendi”, frisou André.

Esse estilo de vida é levado tão a sério a ponto de ser transformado em profissão. Foi o que ocorreu com a rotina do analista ambiental do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) Sandro Rodrigo Aniceto de Souza, 44 anos. Desde muito jovem, ele pratica esportes na natureza. Começou com o surfe, depois partiu para o mountain bike e, há cerca de 20 anos, é adepto do montanhismo. Hoje, no Iema, está envolvido com o projeto do uso público das unidades de conservação. “Tudo foi progredindo naturalmente na minha vida. Participo de ações de limpeza de pichações, de cata de lixo e de outras atividades de forma voluntária. No meu trabalho, já vejo outro aspecto dos ambientes naturais. E, no dia a dia como esportista, trabalho o meu relacionamento com a natureza e os meus limites. Não sei dizer o que veio primeiro, mas tudo se complementa de modo a me dar uma sensação de plenitude”, descreve.

O ortopedista Rogério Sartório indica fazer uma avaliação médica prévia para verificação da existência de algum fator limitador ou impeditivo. – Foto: Renato Cabrini / Next Editorial
Cuidados do esporte

O ortopedista Rogério Santório adverte que, assim como qualquer esporte, os de aventura precisam ser acompanhados por uma equipe interdisciplinar.

“Após a análise, e constatada a inexistência de patologias, é importante um acompanhamento de um profissional qualificado para evitar lesões. É necessário, ainda, uma avaliação ortopédica da parte musculoesquelética em geral”, alertou.  “Além disso, as atividades devem sempre ser feitas no ritmo e no tempo equivalente aos limites individuais, analisando os riscos, usando equipamentos de proteção e sapatos adequados, dormindo e alimentando-se bem. Dessa maneira, os riscos e lesões podem ser consideravelmente reduzidos, e será possível, de um jeito mais agradável, usufruir dos benefícios da prática esportiva”, observou.

 

A matéria acima é uma republicação da Revista Samp. Fatos, comentários e opiniões contidos no texto se referem à época em que a matéria foi escrita.

 

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