O que esperar para o ES em 2020?

O que esperar para o ES em 2020?

Confira o TOP 10 das análises sobre o que pode impactar em nossa economia

Ainda que muitas e importantes promessas tenham ficado para trás, como a ampla privatização ampla o ano de 2019 foi marcado pela concretização de avanços inegáveis do ponto de vista econômico nacional.

A reforma da Previdência promulgada, mesmo que não da forma como se esperava, aponta para uma economia de R$ 876 bilhões aos cofres públicos. A taxa de juros fechou em 4,5%, a inflação ficou em 4,31%, e os indicadores realmente sinalizam a recuperação da atividade econômica.

As reformas tributária e administrativa, além das agendas de concessões e privatizações, vão ao encontro do que anseiam os diferentes setores produtivos. Tudo acena para uma realidade melhor do que aquela observada nos últimos cinco anos no Brasil.

E o Espírito Santo, com suas contas em dia, pode surpreender em relação a avanços. ES Brasil buscou 10 analistas para mostrar os cenários possíveis em 2020 e quais os caminhos necessários para que o Estado alcance o patamar que merece!


Enio Bergoli, engenheiro agrônomo do Incaper, pós-graduado em Administração Rural e ex-secretário de Estado da Agricultura

Agronegócio

“O Espírito Santo é um grande exportador de produtos agrícolas para outros estados da federação e também para muitos países. Assim, as perspectivas do desempenho do agro capixaba em 2020 dependem muito do comportamento da economia mundial e nacional.

Reformas no Brasil, eleições norte-americanas, guerra comercial entre Estados Unidos e China, conflitos no Oriente Médio e desenrolar do Acordo Mercosul e União Europeia são assuntos deste ano que irão impactar o mercado para produtos agrícolas.

Mas, apesar das incertezas, há uma convergência entre os especialistas quanto ao crescimento dos PIBs nacional e mundial neste ano que se inicia, fato que se traduz num cenário positivo para o agro capixaba.

O café, principal produto agrícola do Espírito Santo, atravessou 2019 e entra em 2020 com preços baixos. Mas a prospecção do balanço da oferta e demanda aponta que não há mais tendência de queda de preços, que até deverão ter uma leve recuperação ao longo do ano.

Para a pimenta-do-reino, produto do qual os capixabas são os maiores produtores e exportadores do Brasil, não há evidências no médio prazo para recuperação de preços, nos mesmos níveis do passado. Os agricultores devem ter muita cautela nesta e nas próximas safras. Fato que também vale para produtores de látex de seringueira.

O cenário é de razoável a bom para os setores de carnes (todas), cacau e boa parte das frutas. Mesmo com incertezas na política, na economia e no comportamento do clima, entre outros fatores, a perspectiva é que 2020 seja um ano melhor que 2019 para a maioria das cadeias produtivas do agronegócio capixaba.”


Marcílio Machado, presidente do Sindiex

Comércio exterior

“As perspectivas estão muito melhores para o Espírito Santo. Teremos a volta da Samarco e os novos acordos já fechados
ou em andamento com União Europeia, Japão, Canadá, China, Cingapura e México. Alguns deles passam a vigorar já em 2020 e outros podem demorar entre quatro ou cinco anos.
Mas isso muda a cultura, a maneira de pensar, e os empresários já estão acreditando em novas realidades, fazendo viagens internacionais em busca de parcerias. Estamos trabalhando com cenário de que o comércio exterior do Espírito Santo, à sombra das exportações e importações, deve dobrar em 2020.

O PIB vai dobrar a economia, então vai existir um clima de mais esperança e mais otimismo. Tenho certeza de que as mudanças positivas que aconteceram em 2019 vão continuar em 2020.

Os principais segmentos do Espírito Santo são: minério, aço, café em grãos, café solúvel e rochas ornamentais. Acredito que, aos poucos, o que precisa e deverá acontecer é haver mais participação de pequenas e médias empresas do setor de comércio exterior, pois assim elas vão poder exportar outros produtos, que ainda serão definidos em função das oportunidades.

Com as aberturas de mercado, acordos comerciais e a inserção do Brasil nas cadeias globais, surgirão muitas oportunidades para pequenos e médios empresários colocarem seus produtos no exterior. Para isso, é preciso ter coragem de viajar, visitar empresas e participar de feiras internacionais. Por aqui, a gente também precisa planejar algumas feiras para receber visitantes do mundo inteiro.”


José Lino Sepulcri, presidente do Sistema Fecomércio-ES/Sesc/Senac

Comércio e serviços

“A perspectiva do ano que se inicia é positiva, num quadro já detectado em janeiro pelo Índice de Confiança do Empresário do Comércio capixaba, que pela quinta vez consecutiva registra alta, alcançando 135,3 pontos. Em comparação com o mesmo período de 2019, a evolução é de 6,5%.

A recuperação lenta, mas gradual, da economia, a redução da taxa de desemprego e a diminuição da taxa de juros para níveis dos mais baixos da história recente concorrem para esse quadro positivo. E a expectativa da melhoria do cenário econômico é determinante para que essa recuperação se efetive, tanto quanto também seria se os empreendedores estivessem com perspectivas de retração. A economia é movida em grande parte pela componente psicológica dos agentes produtivos.

Vimos que as empresas se adaptaram à crise dos últimos cinco anos e cortaram gorduras, ajustando instalações, quadro de colaboradores e custos, e poderão se beneficiar dessa retomada dos negócios. Um dado favorável é o de que, com a taxa de juros baixa, terão mais facilidades para financiar seus estoques, podendo assumir maior agressividade na comercialização.

Importante observar que, mesmo com toda a recuperação que se espera para este exercício, não deverão se restabelecer os níveis de desempenho do setor anterior a 2014, quando se iniciou a retração da economia em níveis inéditos. Um crescimento de 10% no faturamento cogitado ao setor de eletrodomésticos é, em termos absolutos, muito expressivo, mas não restabelece os níveis praticados até 2014. Essa recuperação deverá ocorrer na sequência dos exercícios, a partir da consolidação dos primeiros resultados positivos esperados para este ano.”


Arilda Teixeira, economista e professora da Fucape

Educação

“O capixaba questiona por que as empresas instaladas no Estado preferem contratar profissionais de outras regiões.

A resposta é simples: deficiência em capital humano (CH) – indivíduos com capacidade cognitiva para dar respostas aos problemas que um mercado enfrenta.

Uma competência que transcende, em muito, a apresentação do certificado de conclusão de curso (diploma). O mercado quer mais, quer respostas.

Mas só dá respostas aquele que tem critério para interpretar. Só tem critério quem aprendeu método para raciocinar. Só aprende método quem teve acesso a ensino de qualidade. E só há ensino de qualidade quando há comprometimento do poder público com um sistema de ensino que ensina.

Como o Espírito Santo, durante muito tempo, subestimou o papel de um ensino de qualidade para o desenvolvimento do seu mercado, gerou um mercado de trabalho desqualificado que trouxe, a reboque, obstáculo para progresso técnico de sua região.

Isso explica a necessidade de importar CH e as estatísticas sobre o nível de aprendizado dos estudantes do Estado. O Espírito Santo tem meta de alcançar 70% de aprendizado no ensino fundamental até 2022.

Tarefa desafiadora, porque o ritmo do avanço é lento; e o percentual de progressão do aprendizado não é uniforme – as séries iniciais são quase o dobro das finais (português está na casa dos 60%; matemática, em 20%).

O alento é que as estatísticas capixabas estão melhorando, aproximando-se das do Brasil e do Sudeste. Mas são piores que as do Chile, da China e da Argentina – países de mesmo estágio de desenvolvimento do Brasil – e as dos países desenvolvidos. Permanecendo nessa direção, o Estado se encaminha para não precisar importar CH.”


Léo de Castro, presidente da Findes

Indústria

“A indústria está bem otimista com oportunidades que irão surgir: aquecimento da economia, retomada da Samarco e investimentos da Vale, ArcelorMittal e Suzano. A economia do Estado deve crescer 5,2%, segundo consultoria LCA, e a do país, 2,5%. Mas, como destaquei à ES Brasil em dezembro, para qualquer que seja o avanço pretendido, o alicerce está na inovação.

Por isso, a Findes integra a Mobilização Capixaba pela Inovação, atuando na estruturação de projetos selecionados em parceria com governo e universidades, com recursos do Funcitec (Fundo Estadual de Ciência e Tecnologia). E vamos avançar muito com os projetos do Findeslab.

Há ainda foco na melhoria do ambiente de negócios e identificação de oportunidades, por meio de encontros regionais – que conectam empresas contratantes e potenciais fornecedores às indústrias tradicionais –, já realizados em Cachoeiro, São Mateus e Anchieta. E vamos seguir com essa aproximação.

Temos também o Indicador de Ambiente de Negócios (IAN), diagnóstico dos 78 municípios, com quatro eixos: infraestrutura, potencial de mercado, capital humano e gestão fiscal. Esse instrumento ajuda na elaboração de políticas públicas, no direcionamento dos recursos públicos disponíveis e na identificação de oportunidades pelos investidores.

A formação contínua é prioridade do Centro da Indústria, que acaba de completar 50 anos. Daí a realização do Ciclo de Formação Cindes Jovem, para capacitar líderes comprometidos com a indústria capixaba.

No contexto global, vamos trabalhar muito para desburocratizar processos, simplificar a remoção de barreiras regulatórias e aumentar produtividade e competitividade. O objetivo de toda a indústria capixaba e nacional é melhorar a infraestrutura do Brasil e desenvolver negócios de forma inovadora e sustentável.”


Luiz Fernando Schettino, professor do Departamento de Oceanografia e Ecologia da Ufes, mestre e doutor em Ciência Florestal

Meio Ambiente

“Os desafios são muitos em relação ao meio ambiente. Temos de continuar avançando no controle da poluição na Grande Vitória, principalmente do famoso pó preto. E que tudo seja feito com a maior transparência possível para que a população sinta que investimentos estão surtindo resultados positivos.

Outra questão muito importante no Estado e em todo o mundo é a hídrica, que vem se agravando a cada dia. Temos de não apenas promover a construção de barragem, mas também garantir a proteção das florestas, a educação do agricultor para não usar agrotóxicos indevidamente, e regrar melhor o uso da terra.

Quanto à questão climática, é fundamental que os estados se posicionem, já que em nível nacional temos o impropério da negação do aquecimento global. Precisamos tanto mitigar o aquecimento quanto nos preparar para as fortes mudanças que vêm pela frente.

Está previsto para abril o começo de uma onda de frio das mais rigorosas. Temos visto chuvas torrenciais e secas extremas. Como a população vai ser preparar para esses eventos aqui no Estado e ao redor do mundo?

Em todos os lugares do planeta, é preciso primeiro reduzir as emissões de CO2, metano e nitrogenados (muito utilizados na agricultura). E trabalhar para que as ações humanas sejam as mais sustentáveis possíveis. Os governos precisam focar as energias renováveis, e todos nós devemos reciclar e reutilizar materiais. Mas os estados têm de cobrar ações mais eficazes contra o desmatamento ilegal da Amazônia, na solução do óleo derramado em nosso litoral.

Ou as pessoas entendem a gravidade de jogar milhões e milhões de toneladas de CO2 na atmosfera, desmatar e entupir o solo e rios de agrotóxicos, ou o aquecimento do planeta chegará a níveis em que não teremos a sobrevivência humana. Em suma, no final das contas, quem vai pagar o preço somos todos nós.”


Gesiane Silveira Pereira, engenheira civil, mestre em Engenharia de Transportes e doutora em Engenharia de Produção

Mobilidade Urbana

“Em geral, nossos serviços de transporte público por ônibus não possuem a qualidade desejada a ponto de atrair usuários do transporte individual; nossas calçadas não oferecem o conforto e segurança aos deslocamentos; e as vias para bicicletas não compõem uma malha segura e eficiente.

Nosso sistema urbano de circulação não garante condições necessárias para que veículos, bicicletas e pedestres circulem com segurança.

Para que haja melhoria na mobilidade urbana, o planejamento deve ser metropolitano, uma vez que os fluxos de pessoas perpassam os municípios adjacentes. No planejamento dos sistemas de transporte das cidades, deve ser dada prioridade aos meios não motorizados e aos sistemas de transportes coletivos.

Deve ser prevista a integração dos sistemas de transportes públicos metropolitanos, seja física, seja operacional, seja tarifária, e ainda estruturar um desenho da rede de forma racional.

Segundo a Lei 12.587/12 (da Mobilidade Urbana), os estados são responsáveis por prestar – diretamente, por delegação ou por gestão associada – os serviços de transporte público coletivo intermunicipais de caráter urbano e por garantir o apoio e promover a integração dos serviços nas regiões metropolitanas. O Estado pode ainda adotar incentivos financeiros e fiscais que reflitam na redução dos custos e no aumento da qualidade dos serviços.

São muitas as alternativas viáveis, mas é essencial que sejam planejadas e tenham continuidade, pois um ciclo de governo é insuficiente para a implantação de muitas delas, apesar de existirem iniciativas que podem ser implantadas em menor prazo e com menores investimentos.”


Darlan Campos, cientista político, proprietário da República Marketing Político

Política

“A vitória de Jair Bolsonaro para a Presidência da República marcou a chegada da direita ao poder pelo voto. E o elemento mais surpreendente, nesse primeiro ano, foi a recusa do Executivo em jogar o jogo de coalizão parlamentar tradicional na Nova República de 1988 até 2018, o que gerou dificuldades na aprovação de várias pautas vindas do Planalto.

No plano estadual, tivemos a volta do PSB ao poder. O partido buscou ocupar as vagas com aliados e estabeleceu diálogo aberto com o Legislativo. A Ales assumiu papel de destaque na pauta política, tanto pelas aprovações de projetos importantes para o governo Casagrande, quanto pelas situações polêmicas. Agora a relação entre o Executivo e o Legislativo é a grande incógnita do tabuleiro político capixaba.

A manobra feita pelo presidente da Casa, Erick Musso, para antecipar sua reeleição (já cancelada) gerou impacto nas relações com o governo do Estado. Resta saber se isso irá aumentar a dificuldade de aprovação das matérias do Executivo e como o governador manterá sua base unida nesse ano.

E em ano de eleição, importante ter atenção em como os governos de Bolsonaro e Casagrande vão atuar para alargar suas zonas de influência, com foco na reeleição de ambos em 2022. No plano nacional, é comum que o partido do presidente tenha bons resultados.

Foi assim com o PSDB na década de 90 e com o PT na década de 2000. Entretanto, o presidente está rachado com o partido que o elegeu, o PSL, e busca conseguir assinaturas para criar uma nova sigla – a Aliança pelo Brasil –, o que é pouco provável para as eleições municipais em 2020, devido às exigências legais e ao curto prazo disponível. Já o governador Casagrande buscará privilegiar aliados e também ampliar o tamanho do partido.”


Benoni Antonio Santos, economista especializado em Administração em Serviços de Saúde e sócio fundador da MBa Consulting

Saúde

“O sucesso na prestação de serviços de saúde está apoiado em dois pilares fundamentais: qualidade assistencial e equilíbrio econômico-financeiro. Um não se sustenta sem o outro e, quando essa equação não é respeitada, a população sofre em demasia.

O movimento inicial no Espírito Santo de chegada do capital financeiro no setor de saúde, através dos denominados fundos de private equity, ainda não demonstrou privilegiar o primeiro pilar. A entrada no setor, em alguns casos, ampliou os problemas relacionados à superlotação e à falta de profissionais qualificados.

Demitiram-se gestores competentes indiscriminadamente, desrespeitou-se a soberania de profissionais de saúde na condução dos tratamentos dos doentes, alterou-se a padronização de materiais e medicamentos dos denominados éticos para genéricos mais baratos (há relatos da introdução de medicamentos com eficácia questionável, na opinião de profissionais médicos respeitáveis).

Na linguagem de profissionais ligados às ciências gerenciais, houve uma destruição maciça de valor!

Os órgãos reguladores precisam se atentar para a importância de se vigiar de perto esse processo e evitar que haja apenas a ampliação do poder de barganha dos prestadores de serviços, aumentos de preços e deterioração na qualidade. Por outro lado, ignorar a volúpia do capital que aporta pode significar a condenação de um processo potencialmente saudável para dar sustentabilidade ao sistema, mas que também pode não agregar nenhum valor e complicar o que já não funciona bem.

Enfim, há muitas razões para preocupação, mas a torcida é para que a frustração inicial seja substituída pela esperança de ver a Saúde no Brasil em patamares civilizados.”


Pablo Lira, doutor em Geografia, professor do mestrado de Segurança Pública da UVV e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP)

Segurança

Em 2019, o Espírito Santo registrou 24,3 homicídios por 100 mil habitantes, segundo a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Sesp).

Em relação ao Brasil, a informação mais recente se refere ao ano de 2018, quando foram registrados 26,6 assassinatos por 100 mil pessoas residentes (Ministério da Saúde). Entre 2009 e 2019, o Estado apresentou uma expressiva redução de 57,3%. Enquanto isso, entre 2009 e 2018, a taxa de homicídio nacional diminuiu somente 1,1%.

Foi justamente nessa última década que o mais robusto programa capixaba de segurança pública foi concebido e implementado, o “Estado Presente em Defesa da Vida”. A gestão e governança do programa, liderado pelo governador Renato Casagrande, mobilizam e integram diversas secretarias estaduais, municípios e instituições do sistema de segurança pública e Justiça criminal.

Por meio dessa estrutura, balizada em inteligência, tecnologia e evidências científicas, o programa contribuiu para que o Estado alcançasse resultados históricos. A taxa de 24,3 homicídios é a menor desde 1987, ou seja, o melhor resultado nas últimas três décadas. Na comparação entre 2018 e 2019, a taxa capixaba reduziu 11,8%.

Se essa tendência for mantida, em 2020 o Espírito Santo tem a possibilidade de fechar o ano com uma taxa aproximada de 21 homicídios por 100 mil habitantes. Insta salientar que, devido à complexidade relativa à criminalidade violenta, a cada ano que passa torna-se ainda mais desafiador manter o ritmo dessa diminuição.

Todavia, a atuação do governo do Estado e das instituições que integram as ações do programa Estado Presente demonstra que é possível alcançar resultados ainda melhores para a consolidação de uma cultura de paz no ES.”