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quarta-feira, 27 outubro, 2021

Recordista de leituras, escritora de literatura erótica fala sobre romances picantes

A literatura erótica feita por e para mulheres! Mari Sales quebra paradigmas ao escrever romances picantes e cheios de empoderamento feminino

Por Munik Vieira

Ela tem 100 milhões de páginas lidas pelo Kindle Unlimited, 26 best-sellers na Amazon e mais de 100 títulos na plataforma. Mari Sales é um dos nomes de peso da nova geração de autoras HOTs do Brasil.

Seu último lançamento é o segundo livro da série Tríade Moto Clube, Victor. “Dei continuidade a histórias de mulheres que ocupam cargos predominantemente masculinos. O pano de fundo continua com as intrigas entre os motos clubes”, explica Mari sobre a trama que começou com o primeiro volume, Valentine.

Na entrevista a seguir, Mari revela mais detalhes sobre suas inspirações e os desafios de escrever romances eróticos no país.

ESB: Por que você decidiu entre tantos gêneros, escolher a literatura erótica? Teve algum escritor ou escritora como inspiração?

Mari Sales: O gênero romance romântico é meu preferido como leitora. Devorei muitos livros, dentre eles, os que tinham conteúdo adulto. Hot. Além de ser uma forma ousada de se expressar, é também um meio de me libertar dos pudores e preconceitos, sem desrespeitar. Lendo o gênero e também escrevendo, me tornou mais tolerante e compreensiva com os assuntos cotidianos e familiares. Não tive uma autora específica como inspiração, mas o gênero romance como um todo. Gosto da trajetória da carreira da Barbara Cartland e na imensidão de livros publicados.

Quando e como surgiu sua paixão pela escrita?

Em 2016, ajudando um amigo a publicar o primeiro livro, percebi que eu também poderia. Escrevi a história sobre o meu primeiro parto (Completa: O nascimento de uma mãe) e me permiti dar vida a tantas outras histórias que habitavam minha mente. Sempre fui muito ativa, a TI exigia soluções criativas. Depois de me aprofundar na carreira de escritora, recordei que eu sempre gostei de escrever: diários, fanfics e redação. Resgatei essa paixão antiga, que ficou hibernada até o momento certo de dominar, há cinco anos.

Quais são os desafios de escrever para o gênero erótico no Brasil?

Lidar com o julgamento é um grande desafio. A leitura, há muito tempo, foi dominada por intelectuais e grandes pensadores. Ler era sinônimo de conhecimento acadêmico. Atualmente, não precisamos apenas focar nas leituras didáticas, como também no entretenimento. E nem por isso é uma leitura melhor ou pior, mas com objetivos diferentes.

Como surgiu a inspiração para criar a Tríade Moto Clube? Qual foi a motivação?

Autora explica inspiração para criar novo livro. Foto: Divulgação

Eu queria um livro único, sobre um tema que poucas ou ninguém tinha falado. A presidente de um Moto Clube continua sendo algo único meu, a mulher em posição predominante masculina. As outras histórias seguem nessa “inversão de clichê”, muitas vezes, é a heroína que salva o herói. Queria me destacar e contar um pouco da minha experiência pessoal na ficção, sendo uma mulher trabalhando na TI, local predominante masculino.

Algum personagem do livro foi inspirado em sua vivência?

Trago sempre parte do que vi, ouvi ou vivi nas minhas histórias. A Tríade Moto Clube tem muito a ver com a profissão inicial que escolhi. Ser a minoria no meio de tantos homens foi desafiador, mas nunca me fez desanimar. Era minha motivação e serviu de inspiração.

Como você define o seu público-leitor?

Mari Sales: Para uma autora ágil, leitores vorazes. Tenho jovens universitárias que me acompanham (devoram o livro em um dia) até senhoras aposentadas, com seus filhos já criados (que degustam conforme vai sobrando tempo). Por meus livros terem uma linguagem mais fácil e serem objetivos, é a leitura ideal para quem vive apressada, mas quer ter um momento relaxante com a ficção.

Você percebe um amadurecimento na literatura HOT no Brasil?

Há uma grande expansão nesse nicho, por conta das novas formas de publicação e autopublicação na internet. O livro digital nos dá mais discrição e liberdade, além de ter um preço mais acessível que o livro físico. Capas sensuais não intimidam, não há necessidade de explicar que está lendo um livro hot, se você tem o celular na mão. Há quem lê e não se importa de falar sobre o gênero, mas ainda existe quem tem medo do julgamento e, estando na internet e na privacidade do seu dispositivo eletrônico, ninguém precisará saber. O Hot é libertador, tanto para ler, quanto para escrever. A intimidade de um casal faz parte de relacionamento entre adultos e por muito tempo, era um tabu que não poderia se discutir.

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