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sexta-feira, 23 abril, 2021

Camila Dalla Brandão: entusiasta da inovação no comando da CDTIV, em Vitória

A missão que ela assume na administração da capital é estimular a economia criativa e a instalação de empresas no Parque Tecnológico

Por Mike Figueiredo

A nova diretora da Companhia de Desenvolvimento, Turismo e Inovação de Vitória (CDTIV), empresa pública da Capital capixaba, é entusiasta da inovação. Camila Dalla Brandão, mestre em Administração, também com graduação na área, ela assumiu o cargo no dia 9 de fevereiro, logo no início da administração do prefeito Lorenzo Pazolini.

Agora, o desafio que Camila encara é o trabalho de incentivar a diversificação econômica em Vitória, o menor município do Estado em território, bem como atrair mais startups para a capital capixaba e criar novos modelos de negócios. Para esta nobre missão, aposta na inovação e na economia criativa.

Ela possui ampla experiência profissional e acadêmica. Entre os anos de 2015 e 2018, Camila esteve na Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Profissional (Secti), tendo começado a gestão como subsecretária e finalizando enquanto chefe da pasta.

Camila Brandão tomou posse como diretora da CDTIV a convite do prefeito Lorenzo Pazolini.

Já trabalhou como docente para turmas de graduação nos cursos de Administração e Recursos Humanos. As disciplinas ministradas pela administradora foram as de Empreendedorismo e Marketing. Na pós-graduação, ela já foi responsável pelas disciplinas de Ecossistemas de Inovação e Inovação Aberta em Gestão da Inovação, para cursos de especialização.

Concluiu o mestrado em Administração pela Universidade Federal do Espírito Santo, tem MBA em Projetos pela Fundação Getúlio Vargas, possui especialização em Docência Superior pela Universidade Gama Filho, em Brasília, e é graduada em Administração de Empresas pelo Centro Universitário Euroamericano (Unieuro), também na Capital federal.

ES BRASIL: Como a inovação reagiu, em 2020, aos efeitos econômicos da pandemia?

Considero que o setor de inovação foi o que menos sofreu com a necessidade de distanciamento social. Já era muito comum realizar reuniões à distância, por exemplo. E foi esse setor que se viu na obrigação de trazer mais soluções para esse cenário de mudança tão drástica. O pessoal de inovação já estava mais acostumado com as soluções digitais e acredito que foram os profissionais que menos se abalaram com as medidas adotadas durante a pandemia porque conseguiram migrar boa parte das atividades para meios eletrônicos sem grandes problemas.

Que mudanças do período do distanciamento social que podem fazer parte do cotidiano das empresas a partir de agora?

Foram muitas mudanças, principalmente a possibilidade de fazer home office. Acredito que isso beneficiou muita gente. Outro ponto de destaque é que todo mundo passou a ter uma certificação digital, não sendo mais necessário estar presente para assinatura de documentos. Considero que o ritmo das atividades se tornou mais rápido e realizado de forma pontual. Antes, para ter uma reunião de uma hora demorava-se muito tempo e, agora, eu diria que as pessoas ficaram mais espertas nessa questão.

 

 

Como está sendo o movimento do setor de inovação e empreendedorismo neste início de 2021?

Percebo que todo mundo está mais propício à inovação por ter entendido a importância dela durante a pandemia. Para a administração municipal, por exemplo, podemos dizer que o prefeito considera a inovação como uma premissa da gestão. Ao passar pelas adversidades da pandemia, compreendemos a necessidade de inovar e de estar preparados para enfrentar dificuldades. A pandemia mostrou que qualquer coisa pode acontecer e que tudo pode parar. Então, se tivermos essa necessidade de antecipação de problemas e soluções, a superação acontece de maneira mais fácil.

A população em geral já entende bem o assunto “inovação”?

Sempre vou avaliar o cenário da inovação como propício e cheio de oportunidades, porque sou uma entusiasta do setor. Vejo que, a cada dia, as pessoas, os gestores, a população em geral, percebem o que é a inovação. Antigamente, o que se via do segmento era apenas a inovação tecnológica e as patentes, mas não é só isso. Depois, vieram as startups, que chegaram para quebrar um pouco essa barreira e mostrar a rapidez e dinamismo do tipo de negócio. A inovação está cada dia mais fazendo parte da nossa vida.

Uma coisa que tenho discutido muito ultimamente é a inovação como “ideia-força”. Numa sociedade como a nossa, precisamos trabalhar a inovação para a saúde, para o transporte, para a educação, para os direitos humanos; enfim, para resolver os problemas reais e analógicos. A nossa bandeira atualmente, aqui na CDTIV, é buscar maneiras de resolver questões como essas a partir da inovação.

Como a CDTIV pretende atuar para fomentar, amparar ou estimular a atividade de inovação local a partir de agora?

A ação principal da CDTIV, nesse começo de mandato, é estimular empresas a se instalarem no Parque Tecnológico, inclusive porque já temos um prédio construído e precisamos dar uma destinação ao espaço. Outra missão nossa é fomentar novas empresas na Capital.

Como Vitória é um município territorialmente muito pequeno, uma forma de estimular o desenvolvimento é trabalharmos com a economia criativa. É necessário buscarmos outras saídas para o incremento econômico que não sejam a atração de grandes indústrias, já que não há espaço físico disponível para isso em Vitória.

A nossa premissa é voltar Vitória para o futuro, unir gestão e tecnologia, tornando a nossa capital referência em cidades inteligentes. Nosso trabalho consiste em atrair startups, criar novos modelos de negócios, parcerias com o setor privado, com o terceiro setor, ampliar o acesso a cursos de formação em regiões vulneráveis, bem como a participação da mulher enquanto empreendedora no setor digital, abrindo novas possibilidades de independência financeira e empoderamento, entre outras medidas.

Não podemos deixar de destacar o papel das mulheres na inovação por estarmos, também, no Mês da Mulher. O que você poderia comentar sobre a participação das mulheres na inovação?

As mulheres estão cada vez mais ganhando espaço e chegamos para trazer soluções que ninguém estava pensando antes. No geral, a mulher é muito dinâmica e tem uma capacidade de tratar de vários assuntos ao mesmo tempo.

Precisamos dessa representatividade porque há mais mulheres no mercado de trabalho, assumindo os postos de trabalho e cargos de chefia. Para fazer inovação, precisamos de todo tipo de visão de mundo. E o que chama a atenção no trabalho das mulheres é a capacidade produtiva. Considero que a presença de mulheres na gestão da inovação proporciona dinamismo e novos olhares, fatores fundamentais para o processo inovativo. Elas conseguem fazer muito bem a conexão entre ideias já conhecidas e a aplicação em outros contextos.

Foto: Tati Beling/Ales

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