Ensino médio do ES é o melhor do país

O programa Escola Viva já oferece 20 mil vagas em tempo integral em 36 escolas - Foto: Divulgação

Ano de 2018 mostrou avanços na educação do Estado

Na “prova dos nove” que avalia o ensino em todo o país, as escolas capixabas mostram que vêm fazendo a lição de casa para subir novos degraus. Considerando unidades públicas e particulares, o Espírito Santo alcançou o status de melhor ensino médio do Brasil, segundo apontou o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2017, divulgado no segundo semestre deste ano. Quando analisada apenas a rede estadual, o desempenho local só perde para o de Goiás.

Principal indicador nacional da qualidade da área, o Ideb é constituído pelo Saeb (teste de Português e Matemática aplicado a cada dois anos para alunos do 5º e do 9º ano do ensino fundamental e do 3º ano do ensino médio) e pelo fluxo escolar (taxa de aprovação/reprovação/abandono dos alunos).

“Foi o ano de coroamento de um trabalho. Entre os 26 estados, o Espírito Santo é onde os jovens melhor aprendem Português e Matemática, segundo o índice do Inep/MEC (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais/Ministério da Educação). Conseguimos desenvolver nossa educação mesmo em meio à crise no país, o que comprova que não basta apenas dinheiro. Nossa conquista foi feita em condições de restrição financeira.
O que melhoramos foi a gestão do nosso sistema”, observa o então secretário estadual de Educação, Haroldo Corrêa Rocha.

A meta, que era de 5,1 no índice geral, não foi atingida – o Espírito Santo registrou nota 4,4. O ensino público também não alcançou o patamar pretendido: os 4,1 pontos obtidos ficaram aquém da proposta inicial de 4,4. Na rede privada, pretendia-se chegar a 6,8, mas o resultado bateu 6,1. Ainda assim, o secretário destaca a importância da evolução. “Ficamos próximos da meta, e houve um avanço muito expressivo. Em 2011, estávamos em 14º no ranking. Sete anos depois, chegamos à primeira colocação. É um processo de melhoria contínua.”

Fonte: Inep/Mec
Escola Viva

Haroldo Rocha explica que foram estabelecidos objetivos anuais de melhorias. O investimento na educação estadual, em 2018, chegou a R$ 2 bilhões. São cerca de 500 unidades de ensino atendendo mais de 260 mil estudantes. E, novamente, a Escola Viva ficou em destaque. Lançado em 2015, o programa já oferece 20 mil vagas em tempo integral em 36 escolas.

“A Escola Viva é uma mudança radical do ambiente escolar. Muitos se posicionaram contrários por não compreender essa transformação. A Escola Viva é a escola do século 21 e reconhece que cada jovem tem um desejo individual. Isso faz uma enorme diferença no ensino e na aprendizagem”, avalia o ex-secretário.

Reforma e ensino fundamental

Rocha enfatiza também que 2018 foi marcado significativamente pelos esforços para a reforma do ensino médio. “Trabalhamos elaborando o currículo do Espírito Santo a partir da Base Curricular Nacional, agregando alguns itens. Entregamos esse material em novembro para o Conselho Estadual de Educação para análise e aprovação.”

Fonte: Inep/Mec

O Ideb divulgado este ano também mostrou avanços no ensino fundamental do Espírito Santo, no 5º ano, com maior participação dos municípios, e no 9º. Nas duas séries, o Estado está entre aqueles com desempenho acima da média nacional em Português e Matemática.

Crise ainda afeta particulares

Com 412 unidades que atendem 206 mil alunos, a rede privada também comemora o resultado do Ideb para o nível médio, como destaca o superintendente do Sindicato das Empresas Particulares de Ensino do Espírito Santo (Sinepe-ES), Geraldo Diório Filho.

A presença dessas instituições na avaliação foi facultativa, mas, entre as que participaram, o índice alcançado chegou a 7,5, e muitas ultrapassaram a nota 5,0.

Segundo o dirigente, a rede obteve crescimento nos últimos anos, principalmente nas unidades que oferecem ensino técnico, que ganham cada vez mais espaço entre os jovens em busca de uma formação. Contudo, admite, em 2018 a crise continuou impactando. “A perda de matrículas chegou a 22% no ensino médio”, pontua.

Pós-graduação em alta

A Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) comemora, em 2018, os investimentos realizados. O pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação (PRPPG), professor Neyval Costa Reis Júnior, assinala que, em 2010, a instituição oferecia apenas 13 cursos de doutorado, sendo somente três com conceito Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) igual a 5, o que representa 0,5% dos programas de pós-graduação com essa nota.

“Na última avaliação, relativa a 2017, a Ufes apresentou 27 cursos de doutorado, sendo 13 com conceito Capes igual a 5 (1,7% com essa nota). Além destes, a universidade tem mais dois cursos em associação com outras instituições que possuem conceito 5”, informa Reis Júnior.

O Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) completa uma década – Foto: Divulgação

O crescente número de cursos de pós-graduação também é celebrado. “O número atual de Programas de Pós-Graduação (PPGs) é fruto da expansão e da consolidação.

Nos últimos 10 anos, a quantidade de cursos de mestrado na Ufes passou de 30 para 60 e a de doutorado, de oito para 27.” São abertas anualmente nessas duas modalidades cerca de 1.200 vagas, acrescentou.

10 anos de Ifes

O ano também foi marcante para o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), que completou uma década de constituição, sendo fruto da união das unidades do Centro Federal de Educação Tecnológica do Espírito Santo (Cefetes) e das Escolas Agrotécnicas Federais de Alegre, de Colatina e de Santa Teresa.

O reitor Jadir José Pela ressalta que o grande destaque foram os resultados e as entregas realizadas para a sociedade ao longo desse período de atuação. “Hoje oferecemos desde cursos técnicos integrados a mestrados profissionais, com 24 mil vagas ativas em todos os níveis de formação. Avançamos também com o nosso Polo de Inovação. Temos 15 contratos já assinados de desenvolvimento de soluções inovadoras com empresas do setor metalomecânico do Espírito Santo. E ainda 1.109 ações de extensão, em que esses atores, ou seja, empresas, organizações não governamentais, grupos sociais, igrejas e entes federados, entre outros, definem conosco projetos que executamos com nossos professores e alunos”, detalha.

O Senai possui 10 unidades de ensino, sendo oito operacionais fixas – Foto: Divulgação
Ensino técnico em destaque

O ensino técnico tem ganhado cada vez mais espaço e despertado o interesse dos jovens por conta das oportunidades que oferece no mercado de trabalho. O Senai, por exemplo possui 10 unidades de ensino, sendo oito operacionais fixas, um centro de ações móveis e uma Agência de Treinamento em Nova Venécia.

Segundo dados do Sistema de Produção do Senai, até setembro último, foram efetivadas 14.476 matrículas nas modalidades presencial e a distância. De acordo com o resultado mais recente do Sistema de Avaliação da Educação Profissional (Saep), com base em levantamento de 2017, 82,5% dos cursos analisados da instituição foram classificados como adequados ou avançados.

 

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