22.1 C
Vitória
quarta-feira, 6 julho, 2022

Endometriose: a dor incapacita, a compreensão fortalece

Mais Artigos

Realidade assustadora e vivenciada por milhões de meninas e mulheres que sofrem de endometriose

Por Thaissa Tinoco Sassine

Cólicas intensas, hemorragias, dor durante o sexo, mal estar que não passa e a vontade de se isolar num quarto escuro com uma bolsa de água quente na barriga e um monte de remédios que talvez possam trazer algum alívio. Essa realidade, um tanto quanto assustadora, é vivenciada por milhões de meninas e mulheres que sofrem de endometriose.

Em 7 de maio, celebra-se o Dia Internacional da Luta Contra a Endometriose, problema que afeta cerca de 10 a 15% das mulheres em idade reprodutiva em todo o mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 6 e 8 milhões somente no Brasil.

Essa doença inflamatória é provocada por células do endométrio (tecido que reveste o útero) que, em vez de serem expelidas durante a menstruação, se movimentam no sentido oposto e caem nos ovários ou na cavidade abdominal, onde voltam a multiplicar-se e a sangrar.

A doença causa fortes dores, cólicas menstruais intensas e até esterilidade. O diagnóstico costuma ser demorado (média de até 10 anos). Dos sintomas até a comprovação, a falta de conhecimento, o fato e os sintomas serem subestimados dificultam a vida das mulheres. E quando a paciente descobre que tem uma doença que pode impactar a sal vida, a sua rotina e até os seus sonhos, como o de ser mãe, por exemplo, o problema se torna ainda mais delicado. Além das dores físicas, a incompreensão, o comprometimento da vida profissional, social e conjugal permeia o dia-a-dia. O primeiro passo para combater esse mal é não ignorar os sintomas, as dores que muitos podem classificar como “normais” ou “coisa de mulher”. É fundamental que a mulher desperte para essa necessidade de ir à busca de ajuda e não aceitar que convençam do contrário.

Em seguida, escolher um profissional que acolha suas queixas e apresente soluções que vão ao encontro de cada necessidade. Felizmente, os avanços nos tratamentos trouxeram esperança para muitas pacientes. Outro ponto fundamental é o apoio da família. O fortalecimento dos laços e a compreensão são aliados poderosos, capazes de combater os sentimentos de insegurança, ansiedade e culpa que podem abater uma mulher, especialmente quando ela se depara com o risco de não poder ser mãe.

A dor incapacita, mas a esperança encoraja. Com apoio, compreensão e soluções assertivas, é possível contribuir para que a mulher se fortaleça e consiga lidar da melhor forma com a doença, e vencendo essa batalha.

Thaissa Tinoco Sassine é médica ginecologista e mastologista

Continua após publicidade

Fique por dentro

Vida Capixaba