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domingo, 23 junho, 2024

Empresas relatam melhorias com semana de 4 dias

Após três meses de teste, empresas brasileiras que aderiram à redução da carga horária de trabalho relatam aumento de produtividade e redução de estresse

Por Kikina Sessa

Uma pesquisa realizada com as 21 empresas brasileiras que estão participando do projeto piloto da semana de quatro dias, iniciado em janeiro de 2024 e previsto para ir até o final de junho, mostra resultados animadores. Os dados foram coletados até abril, fruto do esforço conjunto da 4 Day Week Brazil, 4 Day Week Global e parceiros como FGV-EAESP.

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Companhias em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Campinas e Porto Alegre estão na lista de participantes, envolvendo em torno de 400 funcionários. Até o momento não foi identificada nenhuma empresa do Espírito Santo que esteja fazendo essa transição.

Os resultados da redução da jornada de trabalho semanal para quatro dias refletem aumento na produtividade, no bem-estar e até mesmo nos lucros das companhias participantes. O balanço parcial constatou que 61,5% das companhias notaram avanço na execução de projetos. E em 58,5%, se obteve mais criatividade na realização das atividades.

As melhorias também foram sentidas fora do ambiente de trabalho. Cerca de 58% dos funcionários beneficiados afirmam que passaram a conciliar melhor a vida pessoal e a profissional após o projeto.

A pesquisa revelou ainda um aumento de 78% na disposição para momentos de lazer e redução. Além disso, 50% reduziram os sintomas de insônia; 62,7%, o estresse no trabalho, enquanto 64,9% não se sentem desgastados no final do dia. Outros 56,5% não estão frustrados como antigamente.

Vale destacar que, para a conclusão deste primeiro relatório, foram coletadas 205 respostas durante o mês de abril, o que representa que 71% dos participantes responderam ao questionário. 

“Modelo não se adequa a todo tipo de empresa”

Empresas relatam melhorias com semana de 4 dias
Neidy Christo: “São benefícios medidos por um tempo razoavelmente curto e não há garantia de manter os resultados de uma maneira contínua” – Foto: Divulgação

A presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-ES), Neidy Christo, concorda que implementar essa jornada de trabalho de quatro dias pode trazer inúmeros benefícios tanto para o trabalhador quanto para a empresa, melhorando a produtividade da empresa e o bem-estar do empregado. “Mas é importante planejar cuidadosamente para ter uma transição bem-sucedida e lembrar que essa abordagem não cabe a todo tipo de empresa”.

Para empresas que pensam em adotar a modalidade, Neidy recomenda começar com um projeto piloto para analisar se esse tipo de modalidade se enquadra com a atividade, se é viável. “Defina as metas claras para seus empregados. Tenha uma comunicação transparente. Comunique os resultados esperados e os benefícios concedidos”.

Hoje, a jornada padrão no Brasil é de 44 horas, distribuídas em cinco dias, sendo oito horas diárias. “São benefícios medidos por um tempo razoavelmente curto e não há garantia de manter os resultados de uma maneira contínua”, comenta.

Outro detalhe que a especialista citou é que se reduz um dia de trabalho, mas de maneira nenhuma se reduz a quantidade de trabalho. O empregado terá que ministrar muito melhor todas as tarefas e demandas para entregar um resultado igual. Ainda não existe uma legislação específica no Brasil para essa redução de carga horária. É necessário ter acordo assinado com os trabalhadores e respeitar as leis trabalhistas.

História

Esse movimento da jornada de quatro dias tem suas raízes em movimentos históricos, comentou a presidente da ABRH. Henry Ford, em 1926, instituiu a redução da jornada de seis dias para cinco dias de trabalho Outros movimentos, ao longo dos séculos, nos trouxeram a essa proposta da jornada de quatro dias.

“Em 2018, uma empresa da Nova Zelândia fez esse experimento, mantendo o salário e reduzindo a jornada e foi considerado um sucesso. Houve aumento na produtividade e bem-estar dos funcionários. Há outros estudos que mostram experiência na Islândia, com cerca de 2.500 trabalhadores. Sendo uma testagem muito maior, com resultados também positivos. E outro experimento bem conhecido, por ter sido na Microsoft, em 2019, no Japão, quando registraram 40% de aumento na produtividade.”

Mas é preciso pensar em outras questões sobre a jornada de quatro dias, frisa Neidy. “É indiscutível que a modalidade vem ganhando destaque em diversos países, incluindo o Brasil, mas é uma iniciativa que precisa ser estudada”.

No Brasil há algumas empresas que já adotaram, como Amazon, Google, Microsoft, e outras de tecnologia e startups, publicidade e setor de serviços. Os funcionários recebem 100% de salário por 80% do trabalho com metas de produtividade de 100% atingidas.

Algumas empresas participantes do piloto da semana de 4 dias no Brasil

Editora Mol
Oxygen (hub de conteúdos em inovação)
Haze Shift (consultoria de inovação e transformação digital)
Grupo Soma (eventos)
Inspira Tecnologia
Clementino & Teixeira Advocacia
Ab Aeterno (estúdio de produção editorial)
GR Assessoria Contábil
Brasil dos Parafusos
Alimentare (serviços de alimentação coletiva)
Piu Comunica
Vockan (empresa de software)

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