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quinta-feira, 25 DE julho DE 2024

Educação ambiental: antídoto contra fake news ambientais

A educação ambiental pode ajudar em muito na luta contra o aquecimento global e contra a disseminação de notícias falsas sobre o meio ambiente

Por Luiz Fernando Schettino

Vivemos um momento paradoxal da história humana, pois a ciência indica que o clima planetário entrou numa era de extremos em função do aquecimento global e que tem muito da ação humana sobre o meio ambiente nessa mudança do clima. Mas, com tudo que, claramente, tem acontecido, há uma inércia na ação contra o aquecimento global, tanto por governantes quanto pelos cidadãos e sociedade da maioria dos países do mundo.

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Neste momento que cientistas e estudiosos mostram que se deve urgentemente encontrar formas de reverter essa situação, há ainda, de forma inimaginada em outros tempos, negação do óbvio climático e disseminação de noticias falsas sobre a questão, as chamadas fake news; propagadas por aqueles que são negacionistas da verdade sobre a ação humana no aquecimento global, dificultando ainda mais as ações e atitudes para estabilizar o clima.

Neste contexto que entra a educação ambiental, uma ferramenta poderosa, de baixo custo e que pode ajudar em muito na luta contra o aquecimento global e contra a disseminação de notícias falsas sobre o meio ambiente. Visto que a educação ambiental desempenha um papel crucial nessa luta por:

a. ajudar a aumentar a conscientização sobre as causas e os efeitos do aquecimento global. E, com isso, levar mais pessoas a entender melhor os problemas e a realidade ao serem melhor informadas e tornando-se mais responsáveis para contribuir com ações e cobrar atitudes para que sejam tomadas as decisões necessárias pelos governantes e sociedade;

b. incentivar ações sustentáveis, que podem ser adotadas no dia a dia, como reciclagem, uso eficiente de recursos e escolhas de consumo consciente, que contribuem em muito para a redução da pegada de carbono;

c. ajudar a combater a desinformação ao fornecer conhecimentos baseados em evidências científicas, capacitando as pessoas a identificarem e desmentirem notícias falsas, promovendo uma compreensão mais precisa dos desafios ambientais;

d. encorajar o pensamento crítico e a análise de fontes, o que é essencial para discernir entre fatos e ficção em um mundo onde as informações são facilmente distorcidas; e promover o engajamento comunitário, incentivando a colaboração em projetos locais de conservação e sustentabilidade, fortalecendo a ação coletiva.

Dessa forma, a educação ambiental torna-se vital, para equipar indivíduos e comunidades com os conhecimentos e as ferramentas necessárias para contribuir no enfrentamento do aquecimento global, bem como em combater a propagação de informações falsas sobre o meio ambiente e sobre as mudanças do clima, sendo instrumento fundamental para um futuro mais sustentável e bem informado.

Contudo, a educação ambiental tem desafios diversos e complexos que incluem:

a. ampliar a qualificação de professores e multiplicadores ambientais; consolidar a integração curricular, buscando um projeto pedagógico consolidado e a articulação entre disciplinas, com uma abordagem interdisciplinar necessária para a educação ambiental;

b. disponibilização de recursos financeiros necessários para a realização adequada da educação ambiental, na escola e fora dela. Visto que, na maioria das vezes, há dificuldades de implementação de programas e projetos educativos ambientais eficazes por falta de recursos financeiros;

c. trabalhar meios e formas de vencer a resistência cultural e comportamental às mudanças necessárias, para que então se possam adotar práticas sustentáveis, o que pode ser um obstáculo para a educação ambiental ser efetiva e dar os resultados desejados; 

d. envolver as comunidades, visto que somente a conscientização e o envolvimento da população nas causas ambientais é que podem ampliar o comprometimento dos indivíduos e da sociedade com a proteção ambiental e cobrar dos governantes as ações necessárias.

Esses desafios exigem um compromisso sério e contínuo de todas as partes envolvidas: governantes; empreendedores – setor educacional, indústria, agronegócio, comércio, serviços, entre outros; bem como, dos cidadãos e da população em geral, para garantir que a educação ambiental seja efetiva, ampla e permanente, conforme determinação constitucional e contribua assim, para um futuro sustentável, de fato.

Reforçando que a educação ambiental e suas estratégias de realização são fundamentais para ser criada uma sociedade mais informada, responsável e engajada na preservação do meio ambiente, no controle climático e, consequentemente, na promoção de um futuro sustentável.

A ausência ou a não realização adequada de educação ambiental, juntamente com a disseminação de notícias falsas, trazem dificuldades de acesso ao conhecimento confiável por parcelas importantes da população. São fatores que podem afetar em muito a luta contra o aquecimento global.

Estudos mostram que a desinformação pode afetar até mesmo a cooperação internacional necessária para fazer frente ao problema climático e outras questões ambientais. Desse modo, reafirmamos que a educação ambiental é muito importante para que as pessoas recebam informações precisas e confiáveis sobre o meio ambiente e, principalmente, sobre as mudanças climáticas, suas causas e efeitos, para que possam cooperar da melhor forma para a implementação das medidas necessárias para se criar as condições para a manutenção do funcionamento do um planeta de forma o mais saudável e resiliente possível.

Havendo, assim, mais esperanças para as gerações atuais e futuras pelo fortalecimento da cooperação, dos trabalhos e atitudes por um mundo mais sustentável, de mais paz, fraternidade e qualidade de vida.

Luiz Fernando Schettino é engenheiro florestal, mestre e doutor em Ciência Florestal, advogado e escritor, ex-secretário Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Espírito Santo  (SEAMA) e ex-diretor Geral da Agência de Serviços Públicos de Energia do Estado do Espírito Santo – ASPE.

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