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domingo, 24 outubro, 2021

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Além dos males diretos causados pela covid, a humanidade sofrerá sequelas

Por Alexandre Camilo Fernandes Viana

E agora como vamos ou como estamos passando pelo fim dos ciclos mais nefastos da pandemia? Em tese já sabemos o que é possível e quais ações mais importantes no combate e tratamento da doença. Vacinação, vacinação, vacinação, claro que não podemos deixar de lado nossos cuidados pessoais, lavar as mãos, evitar aglomerações e principalmente o uso contínuo das máscaras.

Por fim, as variantes da doença já instaladas no Brasil acabaram por nos imunizar e ajudar no combate aos novos casos como a variante delta, dentre outras.

Mas estamos preparados para a continuidade e as novas frentes de batalha do sistema de saúde? O dia seguinte chegou e ainda bem, mas com muitas variáveis que decididamente estão fora das previsões.

Além dos males diretos causados pela covid, a humanidade sofrerá sequelas. Estudos apontam que através do aumento do desemprego, a expectativa de vida deve diminuir e aumentar a taxa de mortalidade. Este estudo, realizado nos Estados Unidos, sustenta ainda que haverá redução do acesso aos planos privados com consequente redução nos exames preventivos e um alarmante aumento de doenças mentais. Tudo isso com duração prevista de longos 15 a 20 anos.

Cálculos atuariais precisam ser revistos imediatamente. Esse movimento será suficiente para inverter o quadro da população brasileira de envelhecimento e consequentemente aumento de doenças crônicas? Teremos descontrole na taxa de sinistralidade?

No Brasil onde a saúde complementar é exceção, onde através da Constituição de 88 instituímos o sistema universal, gratuito (gratuito?) e gestão pública. Antes mesmo da pandemia este modelo já vivia falta de recursos, alocação de forma desigual, interferências de cunho política e gestão ineficiente.

Como quase 70% das contratações de planos de saúde são da modalidade coletivo empresarial, ou seja, só tem quando empregado, haverá aumento significativo de utilização no já sobrecarregado Sistema Único de Saúde (SUS).

Definitivamente o setor de saúde não é e nunca foi para amadores. A insistência na falta de profissionalização resultará em quebras empresariais em custos descontrolados ou sinistralidade insuportáveis nos prestadores de serviço.

Vivemos hoje uma forte transformação e consolidação do setor. Fusões estão se tornando praticas, seleção natural já está acontecendo, uma forte interferência da agência nacional dentre outros leva a sobrevivência apenas dos serviços profissionais bens estruturados.

Outro movimento observado dentro do setor é a verticalização dos serviços como forma de redução e controle de custos. Movimento perigoso onde poderemos observar uma queda na qualidade nos serviços prestados em função da redução de custos e maior controle nos procedimentos médicos. Durante a pandemia vimos claramente interferências na condução médica, buscando redução de custos e utilização de medicamentos sem comprovação científica.

Outra tendência não tão nova assim, mas em expansão é o tratamento domiciliar. Home care reduz custos e bem trabalhado pode trazer uma melhora significativa na qualidade de vida dos usuários. É um trabalho onde uma equipe multidisciplinar consegue de maneira integral prevenir e tratar doenças de forma bastante personalizada e humanizada.

Healthtechs, palavra da moda, sem dúvida pode ajudar o setor trazendo modernização, melhorando processos complexos internos e maior eficiência operacional, mas apenas como meio e não como finalidade. Nada substitui uma gestão preparada, competente, inovadora e comprometida.

 Alexandre Camilo Fernandes Viana é empresário, administrador, gestor e consultor em saúde

 

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