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sexta-feira, 24 setembro, 2021

No Dia do Orgasmo, especialista explica sobre o prazer feminino

Neste sábado, 31 de julho, é comemorado o Dia do Orgasmo. Essa sensação indescritível de prazer que, para muitos especialistas, é capaz de melhorar desde a qualidade do sono até fortalecer o sistema imunológico das pessoas.

Por Munik Vieira

No entanto, orgasmo ainda é um assunto que gera desconforto e vergonha se falado em público por algumas mulheres. Em uma roda de conversa, por exemplo, é comum observar a tentativa de mudança de assunto seguida de sorrisos tímidos. Isso porque o sexo sempre foi um tema considerado tabu dentro da sociedade em que vivemos, principalmente quando relacionamos ao prazer feminino. No entanto, o debate deveria ser considerado normal, assim como a busca pelo prazer feminino. O sexo deve ser para, além da reprodução, o prazer do homem e da mulher.

“A mulher empoderada consegue romper diversos tabus antigos da sociedade, incluindo o sexual. Deus deixou o prazer sexual, como o orgasmo, tanto para o homem quanto para a mulher”, destaca a psicóloga e sexóloga Marcelle Paganini.

Mas o que Marcelle quer dizer com isso? Nada além do óbvio: que as mulheres precisam refletir cada vez mais sobre seus desejos, autoconhecimento e sexualidade. A mulher também pode e deve querer se satisfazer sexualmente.

Sexóloga marcelle pagani
Marcelle Paganini, sexóloga e psicóloga clínica. Foto: Reprodução

É fato que desde o início da história os papéis sociais da mulher foram desprezados e ignorados, impedindo-a de falar abertamente sobre seus desejos e vontades. Foram estabelecidos limites pela própria sociedade sobre o que ela podia querer ou não. Para Marcelle, até metade do século passado, a vontade da mulher era desmerecida e vista como anormal.

Atualmente, essa situação mudou, porém, a especialista ainda vê muitos resquícios de comportamentos antigos em seus atendimentos diários. Quando o modelo da mulher sexualmente submissa, que serve ao homem na cama é assumido, isso a coloca, necessariamente, no papel de “objeto”. Essa mulher passa a enxergar o sexo como uma relação na qual ela é necessariamente ignorada. Segundo Marcelle, “muitas mulheres veem a relação como algo para o outro, para o homem, e não se enxergam como alguém que também merece sentir prazer”.

Mulheres que assumem tal posição e negam seu protagonismo no sexo terão grandes dificuldades de encontrar aquilo que as agrada. A especialista explica: “As pessoas naturalizam que a mulher não sente tanto prazer quanto o homem, e esse pensamento está completamente equivocado”.

Muitas mulheres sentem-se responsáveis por satisfazer as expectativas masculinas e, na contramão, abrem mão do seu próprio prazer ou não têm consciência da mutualidade para o sucesso de uma relação. A especialista conta que isso é muito comum: “Mulheres vêm ao meu consultório procurar ajuda porque o parceiro sofre com uma disfunção sexual. E elas assumem a culpa para elas. O parceiro não tem ereção, ou tem uma ejaculação precoce, e fala que a culpa é da mulher, porque não satisfaz o seu parceiro, ou por não se achar atraente o suficiente. Ou seja, muitas compram para si, com muita facilidade, a responsabilidade por esse tipo de coisa. E isso não deve acontecer”.

Para Marcelle Paganini, um ciclo de diminuição do desejo se estabelece e a mulher se sente culpada: “A mulher que tem uma baixa na libido e vai para a relação por obrigação, acaba se autossabotando. Quando esse tipo de situação acontece, a nossa mente entende que o sexo não é bom. Quanto mais vezes o sexo por obrigação é feito, menos o cérebro vai querer fazer novamente”.

O fato é que há uma insegurança da parte da mulher em relação ao seu próprio papel perante a sociedade. Por isso, é importante sair desse padrão externo, e, a partir de então, conseguir se conhecer, saber seus próprios desejos e, assim, permitir que a sexualidade floresça.

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