Dia das Mães e Dia dos Pais

Foto: Reprodução

As datas são importantes e merecem, sim, ser comemoradas. Entenda o porquê!

Eu sei, é polêmico. Muita gente argumenta que não se pode deixar de comemorar as datas “somente” porque alguns não têm pai e/ou mãe. Mas te convido a um exercício sincero de empatia e reflexão. Já parou para pensar em quantas crianças, nas escolas, ficam excluídas do Dia das Mães e dos Pais? Mas quem tem os pais jamais estará excluído, por exemplo, do Dia do “Quem Cuida de Mim” ou, quem sabe, o “Dia da Família”

Algumas unidades de ensino, públicas e particulares, já têm adotado novas formas de prestigiar aquele (a) que cuida. Os novos tempos pedem, sem dúvida, essas adequações. A escola, afinal, deve ser um espaço que acolhe a todos.

A criança que tem pai e mãe presentes está em um grupo favorecido de certa forma. Que benção é ter os genitores. Posso dizer com tranquilidade que é um privilégio, até porque não tenho meus pais e sei bem como me fazem falta.

Veja: quem tem mãe/pai pode comemorar a data festiva em família, todos reunidos e felizes. Não ter, na escola, as festas chamadas “Dia das Mães” e “Dia dos Pais” não fará ninguém infeliz ou menos feliz. Contudo, quem não tem o genitor, esse sim é impactado pela comemoração em sala de aula. Sabe por que? Porque ele não se enquadra. Porque dias antes da celebração já começam os preparativos. Os ensaios, geralmente musicais, exaltam exaustivamente a figura específica da mãe e do pai. Ele vê as outras crianças envolvidas, gostaria de se sentir parte disso, mas não se encaixa. Está à margem.

Pensar em uma sociedade melhor é pensar num mundo em que a MAIORIA entende que é preciso acolher as MINORIAS. Não são as minorias que têm de se encaixar aos padrões, mas sim as maiorias (favorecidas) que devem acolher quem está, de alguma maneira, excluído das convenções sociais.

Empatia verdadeira é isso. É entender que você pode repensar uma “regra” para acolher, com amor, quem não “se encaixa” nessa regra. O que muda, afinal, para quem tem pai e mãe, se passarmos a comemorar o “Dia de quem cuida”? Muda nada, gente. Mas, para quem não tem os genitores ou uma família no molde padrão, essa mudança fará muita diferença. Assim, evoluímos na busca por equidade. Avançamos por um mundo mais humano e menos desigual. Escolas, está na hora de abraçar essa ideia

Consumo

Outro aspecto que podemos repensar é a compra de lembrancinhas nessas mesmas datas (Dia das Mães e dos Pais). É um hábito que reproduz uma lógica de consumo opressora. Se não deveria ser adotado nem em casa, que dirá na escola. Muitas vezes, são os professores que preparam (alguns colégios pedem, inclusive, contribuição financeira dos pais para os custos). Não seria muito mais interessante se o “presente” fosse autoral, feito pelas mãos dos próprios alunos, de forma simples, mas muito mais pessoal e afetuosa? É tempo de mudar nosso olhar, como pais e como sociedade. É hora de construir novos valores para formar uma geração muito mais humana, empática, acolhedora, e menos materialista e apegada a convenções sociais.

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