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segunda-feira, 21 junho, 2021

Caminhada em memória às vítimas de acidentes

A caminhada deste domingo buscou chamar a atenção para um número preocupante: em 2015, foram registrados 48.377 acidentes. 

O Departamento Estadual de Trânsito do Espírito Santo (Detran|ES) realizou um gesto de solidariedade a quem já sofreu um acidente ou perdeu uma pessoa querida no trânsito, ao participar da Caminhada pela Vida, que aconteceu neste domingo (20), na praia de Camburi, Vitória. Às 9h os participantes saíram de frente ao píer de Iemanjá com destino ao final da praia, na altura da Av. Adalberto Simão Nader. Os mil primeiros inscritos receberam um kit para a caminhada.

O evento, que faz parte do Movimento Rua Coletiva, possui o objetivo de divulgar o serviço de Apoio Psicológico às vítimas de trânsito, oferecido gratuitamente pelo órgão, e faz parte das ações em alusão ao Dia Mundial em Memória das Vítimas de Trânsito, sempre no terceiro domingo de novembro. Segundo o Detran, o evento é uma “oportunidade para dedicar tempo à memória ao vários milhões de indivíduos que foram mortos ou machucados em acidentes pelas estradas de todo o mundo, junto às suas famílias e amigos”, descreveu a assessoria. 

Estatísticas 

O último Relatório Anual de Estatística de Trânsito aponta que, em 2015, foram registrados 48.377 acidentes de trânsito no Espírito Santo, sendo que 45% (21.956) deles, tiveram vítimas, o que representa uma média de 61 acidentes com vítimas por dia.

O relatório discriminou a característica dos acidentes com vítimas e mostrou que a maioria deles resultou em vítimas parciais (98%), e aconteceu durante o dia (60,86%) e em área urbana (73,79%). Quanto à natureza, mais da metade desses acidentes foi colisão/abalroamento (9.331), na sequência vem tombamento/capotamento (2.712), atropelamento (1.491), entre outros.

Esses acidentes deixaram 21.956 vítimas, sendo 21.474 feridos e 472 vítimas fatais, considerando os mortos no local do acidente. Das vítimas parciais, 72% são do sexo masculino. A faixa etária mais atingida é de 18 a 24 anos, com 4.765 vítimas, seguido da faixa de 30 a 39 anos, com 4.479. Os motociclistas representam mais de 44% das vítimas parciais, com 9.430 feridos em 2015, seguido por passageiro (5.345), condutor (3.458), pedestre (1.572) e ciclista (964).

A quantidade de vítimas fatais no local do acidente passou de 628, em 2014, para 472 em 2015, o que representa 1,31 mortos por dia. Também entre as vítimas fatais, os homens foram maioria, com 78,81% dos mortos em acidentes. Das vítimas fatais, 97 tinham entre 30 e 39 anos, 80 estavam com idades entre 40 e 49, e 69 deles entre 50 e 59 anos de idade. Os motociclistas foram as principais vítimas fatais, totalizando 186 óbitos no ano de 2015. Na sequência, estão condutores (92), passageiros (90), pedestres (61), caminhoneiros (19) e ciclistas (16).

Entre os condutores envolvidos em acidentes com vítima, 4.002 tinham a habilitação há mais de 16 anos, seguido de 3.719 condutores com tempo de habilitação entre 2 e 5 anos. Entre os veículos envolvidos nesses acidentes, 11.337 eram motocicletas e 10.778 automóveis/camioneta.

Acidente na Rodovia do Sol

Grande Vitória

Na Grande Vitória, de acordo com o mesmo relatório, aconteceram 26.801 acidentes de trânsito em 2015, sendo que 7.640, ou seja, 28,51% deles registraram vítimas. Dos acidentes com vítimas, 63,47% aconteceram durante o dia e 96,03% foram em área urbana. Grande parte são colisões/abalroamento, com 4.643 registros, seguido de atropelamentos, com 841 acidentes.

Durante o ano, 9.680 pessoas foram vítimas de acidentes na Grande Vitória, sendo que 9.522 ficaram feridas. Dessas vítimas parciais, 70,75% são do sexo masculino. Dos feridos, 3.912 eram motociclistas, 2.190 passageiros, 1.742 condutores, 887 pedestres e 560 ciclistas. De acordo com a faixa etária, 2.188 vítimas tinham entre 18 e 24 anos e 2.176 tinham de 30 a 39 anos.

Além das vítimas parciais, 158 pessoas morreram no local do acidente, em 2015, na Grande Vitória. Das vítimas fatais, 71,52% eram do sexo masculino e 32 delas tinham de 40 a 49. As principais vítimas foram motociclistas, com 55 mortos. Na sequência, pedestre (37), passageiro (28), condutor (34) e ciclista (9).

Interior

Nos municípios do interior do Estado, foram registrados 21.576 acidentes em 2015. Desses, 9.075 (42,06%) tiveram vítimas. A maioria dos acidentes foi colisão/abalroamento (4.688), seguido de tombamento/capotamento (2.100).

Os acidentes resultaram em 12.266 vítimas, sendo 11.951 vítimas parciais. Dos feridos, 73,17% são do sexo masculino. A faixa estaria com maior número de vítimas parciais foi de 18 a 24 anos, com 2.644 feridos, seguido de 2.497 com idade entre 30 e 39 anos. Das vítimas parciais, 5.518 foram motociclistas, 3.155 passageiros, 1.716 condutores, 685 pedestres e 404 ciclistas.

Acidente na BR-101 – em Aracruz

O interior teve 314 vítimas fatais de acidentes de trânsito, sendo 82,48% do sexo masculino. Das vítimas fatais, 70 tinham entre 30 e 39 anos de idade, 48 de 40 a 49 anos e 48, de 18 a 24 anos de idade. E, desse total, 131 eram motociclistas, 66 condutores, 62 passageiros, 24 pedestres, 19 caminhoneiros e 7 ciclistas.

A média de gasto com internação por paciente de acidente de trânsito é de R$ 11 mil, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde. Em 2015, o Samu 192 realizou 8.790 atendimentos a vítimas de acidentes de trânsito.

Dia Mundial em Memória das Vítimas do Trânsito

O Dia Mundial em Memória das Vítimas do Trânsito é realizado no terceiro domingo de novembro de cada ano e foi criado em 1993 por RoadPeace, uma organização de caridade do Reino Unido em prol das vítimas de acidentes rodoviários. (http://www.roadpeace.org/). Desde então a RoadPeace, a Federação Europeia e as organizações parceiras, realizam essa paralisação em todo o mundo. A comemoração pública não se destina apenas as vítimas, como também o que ocorreu com elas. A reflexão pública é um ato de reconhecimento. 

Os estados mostram às vítimas e seus familiares que eles também são seres humanos, que sua perda é a perda de todos e que seu sofrimento é compartilhado, ainda que seja apenas em memoria às vítimas. Em 26 de outubro de 2005, a Assembleia Geral Das Nações Unidas adotou a resolução 60/5 para melhorar a segurança rodoviária no mundo. A resolução convida os Estados-Membros e a comunidade internacional para designar o terceiro domingo de novembro como o Dia Mundial de lembrança as Vítimas da Estrada.

A celebração deste dia é uma oportunidade para aumentar a consciência pública em relação ao custo dos acidentes rodoviários para as comunidades, e enfatizar a necessidade de começar e promover esforços para controlar este importante problema de saúde e desenvolvimento de apoio às vítimas.

Movimento “Rua Coletiva”

O Movimento “Rua Coletiva” surgiu da premissa de que, para que o trânsito flua com naturalidade, é importante que cada um faça a sua parte. Gentileza e educação no trânsito são consequências de uma sociedade que vive de acordo com sua legislação e consegue, assim, enxergar o outro.

Ainda, se cada um proteger a própria individualidade, de certa forma, acaba contribuindo para o próximo. Entretanto, para isso, é preciso que as pessoas compreendam que a rua é de cada um que a utiliza. Uma rua mais respeitosa para o pedestre. Uma rua tranquila para o motorista. Uma rua mais segura para o motociclista. Uma rua melhor para todos. E para atrair o engajamento da sociedade, são desenvolvidas várias ações educativas pela equipe de educação do Órgão, ao longo do ano. Somente no primeiro semestre de 2016, mais de 17 mil pessoas entre crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos participaram de ações em todo o Estado.  

Imagens: Ascom/Detran 

Década de Ação em Segurança no Trânsito

Em Março de 2010, a Assembleia-Geral das Nações Unidas editou uma resolução definindo o período de 2011 a 2020 como a “Década de Ações para Segurança no Trânsito” O documento foi elaborado com base em um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) que contabilizou, em 2009, cerca de 1,3 milhão de mortes por acidente de trânsito em 178 países.

Aproximadamente 50 milhões de pessoas sobreviveram com sequelas. São três mil vidas perdidas por dia nas estradas e ruas ou a nona maior causa de mortes no mundo. Os acidentes de trânsito são o primeiro responsável por mortes na faixa de 15 a 29 anos de idade; o segundo na faixa de 5 a 14 anos; e o terceiro, na faixa de 30 a 44 anos. Atualmente, esses acidentes representam um custo de US$ 518 bilhões por ano ou um percentual entre 1% e 3% do Produto Interno Bruto (PIB) de cada país.

O Brasil aparece em quinto lugar entre os países recordistas em mortes no trânsito, precedido por Índia, China, EUA e Rússia e seguido por Irã, México, Indonésia, África do Sul e Egito. Juntas, essas dez nações são responsáveis por 62% das mortes por acidente no trânsito. A chave para a redução da mortalidade, segundo o relatório, é garantir que os estados-membros adotem leis que cubram os cinco principais fatores de risco: dirigir sob o efeito de álcool, o excesso de velocidade, não uso do capacete, do cindo de segurança e das cadeirinhas.

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