Desenvolvimento duradouro, só com sustentabilidade

Proteger o meio ambiente pode acelerar o crescimento econômico

O momento é decisivo para a humanidade em sua relação com o meio ambiente, pois os impactos causados pela ação humana chegarão a limites de difícil reversão, se a natureza continuar está sendo tratada dessa forma. Já se observam consequências diversas nos planos ambiental e socioeconômico, comprometendo a qualidade de vida e o próprio desenvolvimento.

Por isso, governantes, sociedade e cidadãos precisam compreender essa situação e adotar mudanças efetivas. A relação humana com o ambiente tem de respeitar as leis naturais e se estabelecer de modo racional e ético. É necessário haver, sobretudo, planejamento, metas e ações para que se defina uma nova maneira de se ver e de se inteirar com o meio ambiente, para que este possa seguir agindo e permitir o atendimento das demandas da sociedade.

Nesse sentido, foi criada a Agenda 2030 (Agenda de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas – ONU), na qual estão os objetivos para se buscar de forma mais intensa e célere o desenvolvimento sustentável. O documento é considerado pela ONU “um marco no processo global de construção de sociedades mais igualitárias capazes de viver em harmonia com o meio ambiente”, por poder viabilizar o caminho para um modelo sustentável de desenvolvimento, visto que visa a orientar as políticas nacionais e as atividades de cooperação internacional até 2030 […] de forma a se cumprir os 17 objetivos e 169 metas propostas”. Tais finalidades incluem: combater a pobreza; ampliar a segurança alimentar; ter mais investimentos em saúde, educação, proteção das água, saneamento e energia; tornar as cidades sustentáveis; conter as mudanças do clima; trabalhar pela proteção e uso sustentável dos oceanos e dos ecossistemas terrestres; construir novos hábitos de consumo e produção mais sustentáveis, entre outras.

“Proteger a natureza, ressalta-se, não é impedir o desenvolvimento, mas construí-lo da forma correta”

A elaboração da Agenda da ONU foi determinada pela Conferência Rio+20, em 2012, sinalizando que a proteção ambiental é vital e urgente. O conteúdo também aponta que um país, ao optar por buscar a sustentabilidade, consegue também melhorar sua performance de crescimento econômico, geração de renda, tributos e empregos, com inclusão social e acesso a mercados exigentes em produtos oriundos de processos sustentáveis de produção. Com dito, proteger o meio ambiente pode também significar ajudar a acelerar o crescimento econômico, algo que, infelizmente, parece ainda não ter sido entendido por parte de alguns governantes, instituições e setores empreendedores.

Proteger a natureza, ressalta-se, não é impedir o desenvolvimento, mas construí-lo de modo correto, pois cuidar do meio ambiente e priorizar sua permanência é também viabilizar as atividades socioeconômicas. Hoje se sabe que é possível haver conjugação entre defesa ambiental e interesses econômicos, com a devida manutenção dos mercados, bastando que se respeitem as leis e utilize-se do conhecimento científico e das tecnologias inovadoras já existentes. Em todas essas ações, é fundamental ter a ética por pressuposto, com os fundamentos da política ambiental dentro dos objetivos e metas da Agenda da ONU. Assim, pode-se construir um padrão de desenvolvimento de fato sustentável.


Luiz Fernando Schettino é professor de Ecologia e Recursos Naturais da Ufes e ex-secretário estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do ES

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