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sábado, 20 agosto, 2022

Covid-19: qual será o futuro da economia diante da pandemia?

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O enfrentamento ao coronavírus reduz a estimativa do PIB deste ano. - Foto: Reprodução

Para economista, muito há a se fazer, mas apenas um “milagre” pode salvar a economia e alavancar o PIB nacional

Secretários estaduais de saúde criticaram nessa quinta-feira (25), o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro sobre o novo coronavírus (Sars-Cov-2), e a retomada das atividades econômicas no país. Entretanto, sabe-se que o Brasil está em uma “curva” complicada, apresentando projeções baixas para o PIB até o fim do ano.

Para entender melhor o que podemos esperar para os próximos meses e o que pode ser feito para aquecer a economia, conversamos com o economista Vaner Simões, que destacou alguns pontos importantes. Confira!

Acredita que o discurso do presidente, estimulando a população à voltar às ruas para não haver estagnação na economia, foi coerente? 

Talvez por deficiência de oralidade, o presidente não teve sucesso em seu discurso. Mas considero que o sistema econômico não pode parar. Estamos em descendência para recessão. Podemos entrar rapidamente na depressão. A coisa está tão feia, que a queda está sendo abrupta. Já podemos trabalhar com a hipótese de uma depressão mundial. Se for pior que a de 1929, o problema será ainda maior e levaremos mais que uma década para nos recuperar. O Brasil não pode ficar parado por muito tempo. A verba para “socorrer” a saúde vai acabar. O que o presidente quer dizer é que é um momento difícil, mas não somos como a China que tem um PIB bem maior e consegue se recuperar rapidamente. O Brasil não pode se dar ao luxo de parar.

As vendas on-line crescem 15% no Brasil em meio à pandemia. Essa é uma boa medida para conter a recessão?

Esta é, sim, uma forma da economia continuar girando, mas alguns empresários não tem aceitado mais pedidos, por exemplo, pois quem não usava o sistema de e-commerce demora a se adaptar. É um leque de soluções, mas existem atividades que só se resolvem presencial e não virtualmente. Temos que voltar a usar as expressões “comprar e vender” e “produzir e consumir”. Vemos que possivelmente será criada uma situação de acanhamento da relação “oferta e procura”. Mas é uma boa iniciativa.

Acredita que é possível que essa crise na economia perdure por muito tempo?

Já acompanhei muitas crises na economia e temos um cenário em que todos estão com péssimas expectativas. Mas acredito que a comunidade científica internacional está buscando um remédio ou uma vacina rápida, buscando encurtar os protocolos sob pena de perda do globo muito grande, para encontrar a solução do anti-vírus. Deve aparecer algo nos próximos dias. É um vírus mortal, mas, em um momento teremos que decidir entre milhares de mortes e milhares de perdas de emprego. Vai tensionar o sistema de saúde, mas vai tensionar menos a economia. Acredito que mais uma semana será necessária para isolamento, mas em duas semanas para que seja encontrado um antídoto. Isso dará um “respiro’ à sociedade.

O governo estadual informou que vai encontrar uma forma de ajudar, principalmente, micro e pequenos empresários a se reerguer. O que acredita que será feito para minimizar os impactos econômicos deste público?

Depende de onde será tirada a verba. Nosso Estado não tem potência para segurar e socorrer o amparo social e o empresarial. Tirar dinheiro do Bandes, do Banestes? Tirar a verba da folha de pagamento, reequilibrar contratos públicos, acho que essa será a solução. O governador terá que arrumar dinheiro. Na época de Victor Buaiz aconteceu isso e o Espírito Santo ‘quebrou”. No governo de José Inácio, os servidores tiveram que ser “sacrificados”. Em um certo momento, o atual governador vai buscar dinheiro nas folhas de pagamento dos servidores. Depois não aguentará mais, não terá mais de onde tirar. As despesas com a Secretaria de Saúde são enormes, principalmente nesse momento de enfrentamento ao coronavírus. Ele está pensando em acabar com o decreto que assinou, pois se isso não acontecer lá na frente vai responder pela catástrofe. Paulo Hartung “pisou no freio” e deixou as contas em dia, Casagrande está seguindo os passos, nos destacamos na nota do Tesouro Nacional, mas temos que destacar que não somos um Estado rico. É preciso cautela e estudar possibilidades.

O que podemos aguardar para o segundo semestre? Acredita que o PIB nacional pode se recuperar de alguma forma e crescer mesmo que a expectativa seja de 0,02% neste ano?

Procuro ser otimista sempre. Acredito muito na força do capital. Ele bate e se recupera logo, mas na crise temos que ser realistas. Só por um milagre o PIB nacional crescerá. Ele vai de zero para negativo. Pode ir para um decrescimento. Não temos todas as condições para apurar as cadeias produtivas. Se investimos R$ 100 milhões e esse investimento não der certo temos que desfazê-lo e essa verba não retornará fácil, é de médio para longo prazo. O perigo é parar a economia e estagnar as cadeias produtivas. Se chegar uma vacina e 90% da população for imunizada é possível que cresça, mas enquanto não chegar vamos amargar por um tempo e teremos problemas ainda mais sérios.

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