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sábado, 25 setembro, 2021

Covid-19 e a Falta de Resposta da Economia

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A sociedade brasileira enfrenta uma daquelas situações complexas e de soluções difíceis que ocasionalmente batem às portas dos países

Desta vez, é a embaraçosa sobreposição de uma pandemia viral com sua economia travada que, desde o final de 2019, até as areias da praia sabiam, levariam à inúmeros óbitos e recessão.

O esperado seria a constituição de um Gabinete de Crise para deliberar a estratégia que coordenaria as ações profiláticas do Ministério da Saúde para se preparar para enfrentar e conter a disseminação do vírus; e as do Ministério da Economia, com política econômica para garantir demanda e evitar a paralisação da economia. Mas, planejamento é elemento escasso nas esferas públicas brasileiras.

Saúde e Economia são áreas diferentes que o destino, neste momento sob o codinome Covid-19, reuniu. Assim sendo, precisariam dialogar para entender as restrições de cada uma e, complementarmente, encaminharem soluções eficazes para ambas. Mas, aconteceu o oposto. Cada lado tomou uma direção.

A direção do Ministério da Saúde foi, correta e rapidamente, com objetividade e profissionalismo, explicar a pandemia, a gravidade da situação que ela representa, e as medidas tomadas.

A direção do Ministério da Economia foi o silêncio (ou omissão?). Como se a pandemia não afetasse a economia. Fez como a Carolina da música, ficou esperando o tempo passar na janela.

Quando abriu os olhos o estrago já estava feito – a atividade econômica parara. Por que parou? Parou por quê? Falta de resposta da Economia. Então, se deu conta de que teria que apresentar proposta para enfrentar os efeitos econômicos que a pandemia (da saúde) trariam – foi transmitida para os brasileiros nos dias 26 e 27 de março, na moda vamosimbora, usual no poder público brasileiro.

O erro de ambos foi não alinhar os discursos e decisões. Com isso produziram um prato cheio para a propagação de ruídos pelos çabios, que agravaram os problemas econômicos, que dificultaram o encaminhamento de soluções.

O Ministério da Saúde tem menos peso no total do erro porque caberia à economia, que conhece a dinâmica de funcionamento dos mercados, mostrar os impactos que as decisões da Saúde implicariam, e propor as ações que os atenuassem e/ou eliminassem.

A questão sistêmica desta situação está no seu lado do campo. Ela teria que ter se antecipado e procurado a Saúde para discutirem a interface da pandemia com a atividade econômica, para que juntas, minimizassem custos e aumentassem a eficiência das escolhas. Por isso sua demora para responder é injustificável. O vírus da recessão é tão devastador para o organismo da economia, quanto o covid-19 é para o organismo humano.

A atitude do Ministro Guedes pode ser explicada: (i) pela influência de sua escola de formação, que considera a interferência da Política Econômica para estimular a economia um erro, porque o mercado faz isso; (ii) por evidências empíricas de decisões influenciadas por outra escola (Keynesiana) que elevaram as dívidas públicas e deterioraram a qualidade dos serviços públicos, tornando o Estado um estorvo para o mercado.

Como se vê os limites da política econômica estão em ambos os lados do receituário. Cabe ao gestor de política econômica ter bom senso para identificar o momento de utilizar cada um. Faltou ao Ministro Guedes sabedoria para lidar com a dicotomia, e agilidade para decidir e interagir com a Saúde.

Arilda Teixeira é economista e professora da Fucape Business School

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