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segunda-feira, 17 maio, 2021

Contra fatos não há argumentos

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Dados confirmados pela ciência ganham interpretação mais simplificada e se tornam argumentos relevantes que ajudam as pessoas a interpretarem e se cuidarem da forma devida

por Liliana Nóbrega

Muito se fala em dados estatísticos nos últimos tempos. O motivo é claro. Impulsionada pela transformação digital, motor da inovação, a ciência de dados ganhou fama e se espalhou por todo o mundo. Uma ferramenta tão eficaz, potencializada pela tecnologia, rapidamente multiplicou seu espaço na ciência, no setor produtivo e outras organizações.

Mas não são só eles que se beneficiam do incremento no uso dos dados estatísticos a partir da transformação digital. O cruzamento de informações também contribui, por extensão, com toda a sociedade quando, a partir da coleta e interpretação dos dados, ajuda o cidadão comum a entender melhor os cenários e a agir com mais assertividade no seu dia a dia.

Na saúde, por exemplo, esse fato está cada vez mais presente. Todos temos acompanhado que a análise de dados tem sido um braço relevante no conhecimento sobre a Covid-19. A partir da compreensão do vírus, entre outras informações coletadas, foi possível estimar o impacto da doença e orientar sobre medidas protetivas como a associação entre o isolamento social e a redução na quantidade de vítimas.

Na minha área, a oftalmologia, também são muitas as recomendações feitas por médicos e especialistas que se tornaram mais críveis a partir de dados estatísticos. Com base neles, passamos a validar e propagar em nossos consultórios, com mais segurança, informações de grande interesse da sociedade e que são facilmente compreendidos por todos. Quem não entende este verdadeiro e importante alerta: 60% das cegueiras poderiam ser evitadas se as pessoas tivessem sua atenção mais voltada para sua saúde ocular?

Ao estilo “contra fatos não há argumentos”, esse e muitos outros dados, todos confirmados pela ciência, ganham interpretação mais simplificada e se tornam argumentos relevantes que ajudam as pessoas a interpretarem e se cuidarem da forma devida.

Sempre atenta à importância da checagem e da busca pela base científica da informação, por conta das devastadoras “Fake News”, reforço na minha prática diária o uso desses conteúdos que sintetizam informações valiosas a respeito da saúde dos olhos.

Em especial nestes tempos de pandemia, quando os hospitais seguem lotados seguidamente há meses e os atendimentos mais complexos estão quase impossíveis de serem realizados, tento propagar ainda mais essas informações médicas como forma de fazer com que as pessoas entendam que a informação responsável e a prevenção são importantes em qualquer tempo, e de forma especial agora.

E são muitos os dados que, mesmo travestidos numa linguagem simples, são verdadeiros e fundamentais para a tão almejada saúde ocular. Veja alguns que todos deveríamos saber:

  • 85% do nosso relacionamento com o ambiente ocorre por meio da visão;
  • mais de 20% das cegueiras já instaladas são recuperáveis;
  • aproximadamente metade dos estimados 1,4 milhão de casos de cegueira em crianças com menos de 15 anos de idade poderia ter sido evitada;
  • 80% de todas as causas de deficiência visual seriam preveníveis ou curáveis;
  • estudos indicam que as mulheres, em todas as regiões do mundo e de todas as idades, apresentam um risco maior de deficiência visual do que os homens, principalmente por causa de expectativa de vida maior;
  • a partir dos 40 anos, as visitas ao oftalmologista precisam ser mais frequentes. Exames simples, como medir a pressão dos olhos, podem identificar possíveis doenças como o glaucoma, que é causado pela pressão ocular alta.

Enfim, é como disse o pensador dos nossos tempos Yuval Noah Harari: “clareza é poder”. Em meio ao excesso de informações que, muitas vezes, mais confunde do que informa, precisamos priorizar a objetividade e a clareza. Uma sociedade saudavelmente bem-informada evita estresse, ansiedade, salva vidas.

Liliana Nóbrega é médica oftalmologista, com especialização em plástica das pálpebras, sistema lacrimal, órbita e áreas anexas. É criadora do primeiro Dry Eye Center do Espírito Santo

ES Brasil Digital

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