19.9 C
Vitória
terça-feira, 24 maio, 2022

Conheça as melhores alternativas para investir com a alta dos juros

Assessores financeiros preveem nova alta da Taxa Selic em fevereiro. Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Especialista capixaba explica sobre a influência da taxa de juros nos investimentos e dá dicas para investir em 2022

Há previsão de novo aumento da Taxa Selic em fevereiro de 2022, após anuncio do Comitê de Política Monetária (Copom), onde ela deve passar dos atuais 9,25% para 10,5%, conforme preveem os especialistas financeiros.

Mas você sabe como a taxa de juros pode influenciar o mercado financeiro? E quais os melhores títulos para investir nesse momento, quando a inflação no Brasil acumulou em torno de 10%, em 2021.

Sem dúvida, um dos conceitos financeiros fundamentais que os investidores devem acompanhar é a taxa de juros. Para explicar a dinâmica do mercado monetário e saber quais as dicas para quem pretende se dedicar aos títulos e ações, a ES Brasil conversou com o sócio fundador da Pedra Azul Investimentos, o administrador com pós-graduação em Engenharia Econômica, Lélio Monteiro.

Está prevista nova alta nos juros em fevereiro, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), com nova mudança na taxa básica de juros. Isso favorece os investimentos?

Existem muitas coisas a serem analisadas, começando pelo próprio perfil do investidor. A nossa recomendação é diferente para cada perfil. Mas, quando você fala em taxa de juros, isso é importante para o perfil de um investidor conservador. Essa pessoa precisa acompanhar esse indicador. Ele é um indicador que faz também diferença para outros tipos investimentos de forma indireta, entre eles a Bolsa de Valores.
Se você pretende ter um investimento mais previsível, mais constante, é a Taxa Selic que vai puxar todos os pós-fixados. É aquele investimento que está atrelado percentualmente a um outro índice, nesse caso é comum que seja o Certificado de Depósito Interbancário ou Certificado de Depósito Interfinanceiro, o CDI. Porém, na prática o CDI e a Taxa Selic hoje são praticamente a mesma coisa. Se você tem um investimento que está pôs-fixado ao CDI, este tipo de investimento aproveita toda a subida da taxa de juros. Esses são investimentos indicados para clientes conservadores, pois são mais seguros.

Quais títulos são estes?

São todos esses títulos que sejam pós-fixados com percentual da CDI. Entre eles, o Tesouro Direto, fundo de rendas fixas pós-fixados, fundos de crédito privado. Também a Letra de Crédito Imobiliário (LCI), o Certificado de Depósito Bancário (CDB) e a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA). Esses três são títulos de bancos. Esses são pós-fixados, quando a Taxa Selic sobe, o CDI sobe e esses investimentos também sobem.

Quais as expectativas com relação à investimentos nesse momento?

Lélio Monteiro – A previsão é fechar a Selic, em 2022, com 12%. A perspectiva de inflação é em torno de 6%. Isso facilita a locação para quem quer um rendimento mais previsível.

Quais as dicas para quem quer começar a investir este ano?

Observar quem é o emissor, quem garante o investimento. Um exemplo é o Tesouro, que é o Governo Federal. Se for um banco, observar que existem diferentes tipos de bancos. Há bancos pequenos, mas outros bem maiores e mais estruturados, por isso há emissões com diferentes segmentos e diferentes objetivos. Eles aplicam fundos de renda fixa, mas os aplicam em títulos públicos ou privados? Além disso, tem que verificar a taxa que está sendo veiculada esse título. No caso do LCI, CDB e LCA, aqui no Brasil, eles são fixados ao CDI, que como mencionei é praticamente a Taxa Selic. Então, se aumenta a Selic, aumenta o CDI. Além disso, é possível encontrar o percentual do CDI e mais uma outra taxa, tipo CD mais 1% ao ano. Temos ainda a proteção do fundo garantidor de crédito. É uma garantia, mas ainda assim é melhor analisar quem é que está te emprestando o dinheiro.

Existem títulos ligados a juros que não são pós-fixados?

Tudo que se refere à juros, mesmo que não seja um pós-fixado, além dele nesse caso temos os pré-fixados e títulos indexados à inflação, contudo, de forma geral, todos três neste momento estão com prêmios. Você compra pré-fixados a 15% ou 14%, depende do emissor e depende do prazo. O próprio Tesouro, tanto o direto quanto o do mercado tradicional de títulos públicos, tem a Letra do Tesouro Nacional (LTN), que é um título público indexado a uma taxa pré-fixada. Se você conseguir carregar esse investimento até o final terá uma taxa acordada da hora que você comprou. Mas é bom lembrar que isso oscila, porque se você compra a uma taxa, mas depois o mercado está cobrando mais caro, vai fazer diferença. Os títulos indexados à inflação podem chegar a 6%, o que hoje é historicamente um valor alto. Um exemplo é comprar o título do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e ele vir atrelado a mais uma taxa. O IPCA antigamente vinha com taxa de 2%. A gente chegou a ver há dois anos esse título pré-fixados entre 7% a 9% ao ano. Os títulos pré-fixados a inflação são para clientes mais moderados.

E com relação aos investimentos realizados por pessoas físicas?

Lélio Monteiro – O que aconteceu foi que a Taxa Selic ficou em 2% por um longo período. Muita gente começou a olhar para renda variável e a verificar outras oportunidades no mercado acionário. Isso aconteceu de forma rápida, mas tem consequências. Alguns aprendem. Entram no mercado, montam uma carteira e começam a elaborar um futuro. O mercado caminha para a variável, mas alguns ainda se incomodam com a volatilidade.

O que essas pessoas precisam saber?

A Primeira dica é procurar aprender. Não vá investir confiando em dicas de Instagram ou naquilo que o seu amigo falou. O pior é que isso é muito comum de acontecer. Contudo, as empresas têm perfis diferentes, o que faça com que as ações sejam diferentes para cada perfil de investidor. As pessoas não devem ir atrás de dicas, mas tentar aprender de forma consistente. Eu sou assessor de investimento e também trabalhamos com educação financeira. O objetivo é que as pessoas aprendam mais sobre como se sentirem mais confortáveis, a identificar o que tem mais a ver com elas. Tudo depende das expectativas e do comportamento da pessoa com relação a sua carteira de investimentos. É possível entender melhor o mercado financeiro e como se comportam as ações através de sites específicos. Aprender a analisar o que a empresa está dando de lucro, ler as avalições das casas de análises especializadas. Quem quiser procurar, vai encontrar muita informação de qualidade.

Uma dica é verificar a taxa que está atrelada ao título, segundo Monteiro. Foto: Divulgação

Existem corretoras e empresas especializadas neste tipo de ajuda?

Essa é a segunda dica, procurar ajuda. O investidor mais novo tende a fazer as coisas mais sozinho e que acredita mais nele, mas o investidor com mais anos de mercado já passou por tanta coisa. Ele sabe que precisa de ajuda para ter algo mais técnico. Tem a consciência do quanto sabe e o quanto mais precisa saber. Corre atrás de ajuda, pois precisa ter algum mais com ele para construir o raciocínio que precisa. Outra dica é sobre carteiras recomendadas. Existe isso no mercado. Mas as pessoas devem se perguntar se vão mesmo seguir o que lhe foi recomendado ou dar uma olhada nas outras carteiras primeiro para decidir. É necessário entender quais as ações mais indicadas, aquelas que para você faz sentido incluir na carteira. Se você não conhece a ação, não sabe o que a empresa faz, melhor não comprar. É melhor entender aquela empresa, saber quais as características delas, e depois comprar pensando que será um sócio dela. E vamos lembrar que sempre haverá crises e intemperes, por isso é tão importante ser adequado ao seu perfil de investidor. Além disso, se você está investindo e isso está prejudicando seu lazer e seu trabalho, é porque algo não está correto. Essa não é uma atividade que deve causar estresse as pessoas, por isso tão necessário que elas aprendam sobre como fazer.

O ano de 2022 promete provocar grande volatilidade no mercado financeiro em razão das eleições majoritárias, variantes do novo coronavírus, alta na taxa de juros e da inflação, e outras incertezas.

Será um ano bem complicado para investimentos arriscados como é o caso das ações. Se a pessoa realmente optar por este investimento, a dica é procurar por ativos de empresas que são mais rentáveis, seguras e estáveis. Nós vimos durante a pandemia que muitas delas são resilientes as crises, algumas estão melhores do que antes. A outra opção são os investimentos mais conservadores como títulos DI, títulos públicos, CDBs, LCA e LCI, por exemplo. Isso porque, conforme expliquei, esses investimentos estão ligados a Taxa Selic. Como a taxa vem subindo e não sabemos onde vai parar, em tese, os juros básicos do País deve ficar acima da inflação nos próximos meses.

- Publicidade -

Matérias relacionadas

Continua após publicidade

Fique por dentro

Vida Capixaba

Continua após publicidade