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sexta-feira, 5 junho, 2020

Integridade Inteligente: questão de sobrevivência

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Combate à corrupção. As condições para as práticas de ilicitudes estão cada vez mais desafiadoras, arriscadas e onerosas. O nosso entendimento é que as organizações que conhecem seus diferenciais e vantagens competitivas, e consequentemente conseguem aplicá-los em sua atuação no mercado, não deveriam necessitar da adoção de práticas ilícitas na condução de seus negócios.

Assim, a adoção de um modelo de Integridade inteligente pressupõe a salvaguarda da competitividade empresarial, por meio da adoção de práticas cotidianas de melhorias de processos, gestão de riscos e adesão desde os mais básicos padrões éticos em seus relacionamentos. Significaria dizer que a busca pelo lucro justo deve ser perseguida, e certamente podendo ser mais facilmente alcançada quando tivermos um meio dominado por instituições com este mesmo afã.

Por onde seguir…

Processos menos burocráticos e mais inteligentes, onde se apoiam práticas simples e operacionalmente mais eficientes. Onde melhorias contínuas e a busca pela maior produtividade acabam por proporcionar menores custos e maior competitividade. Organizações assim, não precisam se apoiar em práticas de propinas, superfaturamento ou coisas similares.

A pergunta que nos cabe é: será que tais empresas fazem este tipo de jogo por que gostam ou são obrigadas a se manterem na guerra pela sobrevivência? O acionista, normalmente arraigado na cultura do retorno ótimo do investimento, se veria tentado a manter práticas não sustentáveis ao longo dos anos? O risco é altíssimo.

Pesquisas e a história recente mostram que há condições de reverter este jogo e criar um ambiente mais profícuo à prática do bom fair trade, onde todos ganham ainda mais. Estado e empresas. Cito o Estado como elemento fundamental para a manutenção de um ambiente de negócios ainda mais justo e legalmente estável.

A responsabilidade do Estado, por meio de todas as suas instituições e em todos os poderes, é manter o ambiente regulado, mas também o menos burocrático possível, para que as organizações possam atuar onde a produtividade e o senso de justiça imperam. Sabemos que ainda estamos distantes desta situação, mas acredito que as coisas já começaram a se organizar de maneira diferente do que vinha acontecendo até então.

As organizações devem e necessitam se apoiar em seus propósitos estratégicos. Construir seus planos de negócios fundamentados em suas competências, e principalmente apoiado no fato de que seus executivos e o colegiado de trabalhadores não irão se afastar da ética e da integridade organizacional.

Avaliações

Do plano de negócios, devem-se avaliar todos os principais riscos que porventura podem impedir a consecução e o atingimento destes objetivos estratégicos. Riscos que inclusive podem, se não tempestiva e adequadamente analisados e tratados, criar condições impróprias e acabarem por incentivar eventuais práticas não ortodoxas.

Para tanto, imperativo as organizações adotarem modelo de gestão baseado em sistema de monitoramento e ferramentas de controle. O foco estratégico precisa ser firmemente sustentado na prevenção, e quando não for suficiente, na detecção e, finalmente, na correção imediata da anomalia verificada.

Empresas são sistemas organizacionais abertos formados por pessoas, com diferenciais de caráter e valor. O modelo de integridade baseado na reputação, com seus pilares de familiaridade e credibilidade, bem como a exemplaridade são condições sine qua non. Vivemos a era do compartilhamento. Não são mais aceitáveis padrões de ruptura da ordem da integridade. Comportamentos diferentes daqueles que julgamos íntegros, não podem mais ser aceitos.

Efeito Multiplicador

O modelo de integridade começa a funcionar quando um agente já não mais aceita padrões ilícitos ou questionáveis na sociedade e em suas relações interpessoais. A satisfação individual, e a correlação dos valores éticos e morais entre pessoas e organizações, gera um efeito multiplicador de extremo poder na produtividade e na busca pela perenidade nas organizações.

Finalmente, se pela competitividade não convencermos, ainda resta-nos a última esperança. Os programas de compliance empresariais estão sendo construídos para mitigar penalidades muito relevantes oriundas das novas legislações. Burocracia? Talvez seja um pouco sim, mas é o remédio amargo do momento.

Certamente, ambientes mais saudáveis exigirão cada vez menos a adoção de controles rígidos, uma vez baseados no pressuposto da integridade. O tempo irá dizer. A sociedade é protagonista neste novo momento. Devemos exigir que as instituições estatais ajam na regulamentação e fiscalização das relações público-privadas.

Devemos dar foco a projetos de melhoria do ambiente de relacionamento público e privado, e assim podermos propiciar vida mais saudável e digna a todos, onde os recursos coletivos possam ser empregados em prol da sociedade, melhorando o bem estar e a cidadania de nosso povo.


Paulo Henrique Wanick Mattos é Chief Financial Officer – CFO e Head de Riscos & Compliance da ArcelorMittal Brasil – no segmento de Aços Planos.

 

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