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quinta-feira, 4 junho, 2020

Como perder o medo de investir?

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Listamos nove receios mais comuns e porque você não deve temê-los

O hábito de poupar e investir dinheiro ainda está longe de ser uma realidade entre os brasileiros. De acordo com um levantamento realizado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) em parceria com a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), apenas 19% dos brasileiros conseguiram poupar alguma quantia no mês anterior à pesquisa.

O estudo também mostra que 34% têm o hábito de poupar com frequência, e destes 65% escolheram a poupança como a principal modalidade, enquanto 25% guardam o dinheiro em casa e 20% na conta corrente.

A escolha por essas opções é motivada em grande parte pela sensação de segurança e o desejo de evitar uma perda financeira, razão apontada por 17% dos poupadores, além da falta de hábito ao lidar com opções menos tradicionais, como disseram 19,6%. Na prática, falta conhecimento sobre outras modalidades e sobre como lidar com alguns receios comuns que permeiam o mundo dos investimentos.

Para que você supere seu medo de investir, Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil, e José Vignoli, educador financeiro listaram os principais medos – e suas soluções – sobre o assunto. Confira:

Medo 1: “Posso perder todo o meu dinheiro!”

Muitas pessoas ouvem falar sobre as oscilações do mercado financeiro, prejuízos milionários em ações de grandes empresas, e associam esse risco ao medo que elas têm de perder dinheiro. Mas a realidade pode ser bem diferente! Você pode pesquisar com calma onde vai aplicar seus recursos e avaliar os riscos de cada modalidade.

“O primeiro passo é entender o funcionamento das aplicações financeiras existentes. Vale lembrar que aquilo que promete o maior retorno (resultado e lucratividade) é o que pode colocar seu dinheiro em risco”, explica Vignoli.

“Diversificar a carteira é a melhor opção. Não aposte todas as suas fichas em apenas um investimento. Distribua seu patrimônio entre investimentos mais arriscados e de baixo risco, como renda fixa e Tesouro Direto”, orienta Marcela.

Medo 2: “Posso precisar do dinheiro no dia seguinte à realização do investimento.”

Imprevistos acontecem e, de fato, o dinheiro investido hoje pode ser necessário em breve. Para evitar ficar na mão, você precisará conhecer a liquidez de cada modalidade de investimento. A liquidez nada mais é do que a disponibilidade de resgatar os recursos quando você precisar.

Existem aplicações que não podem ser resgatadas antes de um prazo pré estabelecido. O importante, nesse caso, é o planejamento. Separe seus investimentos em reservas para curto, médio e longo prazo. As reservas de curto prazo (ou reservas de emergência) devem ter alta liquidez, o que permitirá que você resgate a quantia a qualquer momento que for necessário. “É recomendável que você tenha alocado entre 3 e 6 vezes o valor de seus gastos fixos mensais nesse tipo de reserva”, aconselha Marcela.

Medo 3: “Não sei investir sozinho. E se eu errar em algo?”

Ninguém é obrigado a saber tudo, mas existe um senso comum que diz que os investimentos são muito complicados e difíceis de entender. Isso precisa ser desmistificado, já que, assim como em outras áreas, o conhecimento é libertador e te fará perder o medo de investir.

Caso seja sua primeira experiência, segure a ansiedade: não entre no primeiro produto que lhe oferecerem. Procure entender o funcionamento dele antes de fechar a aplicação. “Prazos, liquidez, segurança, impostos e taxas de administração devem ser levados em conta na hora de investir”, alerta Vignoli.

Se você está começando, vale optar por quantias pequenas e investimentos com baixo risco, como o Tesouro Direto. Sempre pesquise e estude bastante antes e, se possível, peça a opinião de algum profissional. “Conforme você for se sentindo confiante, pode começar por aumentar aos poucos a quantia dos aportes e direcionar seus investimentos para opções mais sofisticadas”, sugere Marcela.

Medo 4: “Não sei por onde começar nem qual instituição financeira escolher.”

Não tenha medo de buscar ajuda e de fazer muitas perguntas, afinal, é seu dinheiro que está em jogo.

Para realizar alguns investimentos, você precisará abrir conta em uma corretora. Verifique se a instituição é cadastrada no Banco Central. “Procure pesquisar a opinião de outros consumidores sobre a instituição antes de começar a investir e sempre veja se ela possui registro junto à CVM. Além disso, compare as taxas de administração para as diferentes modalidades de investimentos”, afirma Marcela.

A CVM é a Comissão de Valores Mobiliários, uma autarquia ligada ao Ministério da Economia, cujo principal objetivo é disciplinar e fiscalizar as instituições do mercado financeiro nacional.

Veja também se a corretora oferece suporte para investimentos – a maioria oferece. Dessa maneira, será mais fácil dar o primeiro passo.

Medo 5: “Tenho medo de não ter dinheiro todos os meses para investir. É obrigatório investir todos os meses?”

Novamente, essa é uma questão de planejamento. Ninguém conhece o seu orçamento e a sua realidade financeira melhor do que você, então, é você quem determina quando e quanto pode investir. Alguns investimentos, como o Tesouro Direto, permitem que você programe transferências automáticas. Mas você não precisa ativar essa função na sua conta.

“Claro, o ideal é que você tenha um planejamento para investir todos os meses um valor pré-determinado, para que guardar dinheiro se torne um hábito”, aconselha Vignoli.

Medo 6: “Tenho medo de ser enganado pela instituição financeira e seus consultores ou gerentes.”

Quanto mais você souber sobre o assunto, menor a chance de isso acontecer. Por isso, leia muito. Todos os dias, informe-se sobre o que está acontecendo no mercado financeiro e sobre a situação política do país. No começo, você se sentirá perdido, mas com o tempo, as informações começam a fazer sentido.

Existem alguns canais no YouTube que explicam sobre investimentos de maneira bem fácil.

Medo 7: “Tenho medo de escolher o investimento errado para o meu perfil.”

O perfil do investidor diz muito sobre como ele vai aplicar os seus recursos e o medo de escolher errado é perfeitamente compreensível. Mas lembre-se de que você não precisa fazer essa escolha sozinho, principalmente, se estiver começando agora.

“As instituições têm um documento que permite, por meio de perguntas e respostas, determinar o seu perfil de investidor. Uma vez preenchido e com resultado em mãos, aparecerão no sistema apenas produtos que se enquadrem naquele perfil – e são esses que eles lhe oferecerão”, explica Vignoli.

Medo 8: “Não sei declarar o investimento no Imposto de Renda”

A declaração do Imposto de Renda também é algo que levanta muitas dúvidas, mas não é um bicho de sete cabeças.

Na época da declaração do IR, os bancos e corretoras enviam ou disponibilizam informes com os valores que você precisará preencher em sua declaração. Mas se as dúvidas persistirem, mesmo com a ajuda dos bancos ou das instituições financeiras, procure um contador de sua confiança.

Medo 9: “Tenho medo do meu investimento não render o que eu espero. O que fazer nessa situação?”

Os investimentos são um exercício de planejamento e paciência. Aqueles que operam a partir de índices e taxas que mantêm um certo padrão podem ser previstos, aí o retorno é só uma questão de tempo.

Investimentos pré-fixados vão render a taxa do momento de contratação. Muitas corretoras oferecem uma calculadora de rendimentos para você visualizar o quanto seu investimento irá render antes de fazê-lo. O site do Tesouro Direto também disponibiliza essa calculadora e há ainda sites e aplicativos de finanças que te ajudam nisso.

“Vale lembrar que caso o investimento não possua liquidez diária, você poderá receber menos do que o previsto inicialmente, caso resgate seu dinheiro antes do prazo de vencimento”, explica Marcela.

*Da redação com informações do portal Meu Bolso Feliz


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