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quinta-feira, 28 maio, 2020

Collor pede desculpas por confisco da poupança após 30 anos

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Segundo o ex-presidente da República, o objetivo central de sua equipe era conter a hiperinflação de 80% ao mês e que não via alternativa viável na época

O ex-presidente da República Fernando Collor de Mello pediu perdão nesta segunda-feira, 18, pelo confisco de saldos de cadernetas de poupança e contas correntes em março de 1990. Pelo Twitter, o agora senador disse que acreditou que as medidas radicais poderiam conter a inflação.

O pedido de desculpas acontece mais de 30 anos após o anúncio do Plano Collor 1, em 16 de março de 1990. “Acreditei que aquelas medidas radicais eram o caminho certo. Infelizmente errei. Gostaria de pedir perdão a todas aquelas pessoas que foram prejudicadas pelo bloqueio dos ativos”, escreveu.

Collor disse que o objetivo central de sua equipe era conter a hiperinflação de 80% ao mês e que não via alternativa viável na época. A situação econômica do País, segundo ele, prejudicava os mais pobres e as “pessoas estavam morrendo de fome”.

“Era uma decisão dificílima. Mas resolvi assumir o risco. Sabia que arriscava ali perder a minha popularidade e até mesmo a Presidência”, diz a publicação. “Quisemos muito acertar. Nosso objetivo sempre foi o bem do Brasil e dos brasileiros.”

Nas últimas semanas, o ex-presidente tem reforçado sua presença nas redes sociais e abriu espaço para internautas enviarem perguntas. “Respondo toda e qualquer questão, mas o volume tá muito grande e vou aos poucos.”

O que isso acarretou no Brasil?

O Brasil enfrentou um momento complicado com o lançamento do Plano Collor. Segundo o historiador Vinicius Vivaldi, esse foi um período nefasto e mal planejado na história econômica e política do país. “Muitos cidadãos ficaram sem acesso às suas contas e sem amparo social do governo. Simplesmente foram largados a esmo. Muitas pequenas e médias empresas fecharam, o índice de desemprego foi alto e a taxa de suicídios foi a maior da história do Brasil”, disse ele.

Collor chegou com algumas características, que geraram desconforto, de acordo com o cientista político e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie de São Paulo, Rodrigo Prando. “Ele era muito jovem, rico e acostumado a mandar. Alinhado a esse perfil, se sentiu muito poderoso. Com isso, acarretou um problema, certo desprezo por parte do Congresso Nacional, pois não dialogava com quem mais precisava”, afirmou.

Prando afirmou que o plano foi bastante ousado, mas não previamente dialogado com os atores políticos. “Gerou um “estresse” na economia, um PIB cada vez menor, entre outras situações. Ele deve ter percebido que a intenção da equipe era as melhores, mas agora, mais velho e mais experiente, com certeza, mostrou o ônus e arcou com as consequências. Agora ele dialoga mais e com o advento das mídias sociais, é ainda mais possível”, destacou.

O plano criado por sua equipe é considerado despreparado pelo economista Vaner Simões. “O que o Collor fez foi uma “loucura”, típica de um país que não é ainda democrático. Foi um grande equívoco. Comportamento antieconômico e antiacadêmico. Teve uma questão boa, que foi a abertura do mercado, mas isso já era esperado pelo caminhar da economia brasileira. Mas o plano econômico que ele criou foi um furto coletivo que não deu certo. Em momento algum conversava com o plano de governo apresentado por ele”, frisou.

Vaner complementa afirmando que a medida só foi acertada anos depois. “O que, de fato, corrigiu o que o ex-presidente fez foi o Plano Real, lançado em 1994, criado por Fernando Henrique Cardoso ainda no governo de Itamar Franco. FHC percebeu que a memória inflacionária era de curto prazo. Era mensal. Os preços tinham efeitos diários. Com isso, desindexaram a economia e criaram periodicidade inflacionária. Só reajustava anualmente. Foi uma medida excelente”, finalizou.

*Da redação, com informações de Marlla Sabino (AE)

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