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quarta-feira, 27 outubro, 2021

Clube Barbixas de Comédia terá programação variada de fazer rir

Levando o nome de Clube Barbixas de Comédia, o lugar abre as portas na sexta-feira, 3. “Ter um espaço próprio é um dos passos possíveis para um grupo de comédia

Por Bruno Cavalcanti (Agência Estado)

Já há alguns meses, quem se aventura pelas calçadas da Rua Augusta nota uma diferença num dos principais points. O Comedians Club, que tinha entre seus sócios Rafinha Bastos e Danilo Gentili, ganhou nova identidade visual. Os grafites produzidos pelo coletivo Axé no Corre marcam a mudança externa do espaço. Mas a principal diferença acontece dentro das portas do clube. Saem Bastos e Gentili e entram Daniel Nascimento, Anderson Bizzocchi e Elidio Sanna que, juntos, formam Os Barbixas, há quase duas décadas reconhecido como um dos principais grupos de improviso da América Latina.

Levando o nome de Clube Barbixas de Comédia, o lugar abre as portas na sexta-feira, 3. “Ter um espaço próprio é um dos passos possíveis para um grupo de comédia. E hoje em dia não existem muitos assim no Brasil, infelizmente. Em São Paulo, há os Parlapatões. Assim, quando um grupo é coeso, o espaço se torna possível”, acredita Daniel.

O coletivo, em sociedade com o produtor Joe Paciello, decidiu investir no desejo antigo de ter um lugar próprio pouco antes de a pandemia estourar no Brasil, e, mesmo com a crise, foi em frente. “Para mostrar que somos inteligentes e perspicazes no mundo dos investimentos”, ri Daniel que, junto a seus colegas, conduz a entrevista com tiradas que descortinam a confiança no empreendimento.

“Vamos estrear dois espetáculos inéditos na primeira semana, depois fazer um de improvisação com o Fábio Porchat. Essas são as vantagens de termos nosso espaço, porque para arrumar uma pauta num teatro teríamos que pensar antes no que se trata o espetáculo, não saberíamos o que dizer e isso gera desconfiança, porque sabemos que o importante é estar juntos, com o frescor do improviso”, diz Elídio.

Clube Barbixas de Comédia
Foto: Divulgação

Pronto para ser inaugurado desde abril, o clube foi sofrendo sucessivos adiamentos devido às restrições sanitárias. “A gente começou a pandemia sem saber como ia acontecer. Primeiro, diziam que voltaria em agosto de 2020, depois, setembro, aí janeiro, e foi indo. Decidimos estrear agora, mas não temos certeza de nada”, explica Anderson.

“A única coisa que temos certeza é que falimos até julho próximo”, brinca Daniel, no que Elidio alerta: “Se abrir até lá” A programação inicial conta com uma mescla de linguagens e expande a proposta dos clubes de comédia, expandido para outros gêneros que não apenas o stand-up. Os pratos preparados pelo chef Cláudio Teodoro, contudo, serão servidos no futuro, em melhores condições sanitárias.

Depois da semana de estreia, eles apresentam temporadas com nomes como Whindersson Nunes, Rodrigo Marques, a banda Pedra Letícia, a humorista Bruna Louise, além de realizarem um concurso de drags comandado por Alexia Twister e Thelores, e show de variedades comandado por La Class Excêntrico.

“A ideia é que a casa não seja só nossa. Achavam que tomaríamos a programação de segunda a segunda, mas a casa é de todo mundo, queremos fazer disso um teatro”, explica Anderson. Daniel complementa: “Aqui vai virar um espaço de ponta de pesquisa, ao mesmo tempo que tem um apelo para a risada”.

“Nós vamos ter a sorte de começar com nomes grandes, como o Whindersson, o Rodrigo, a Bruna, são temporadas de gente incrível. É um pouco de sorte e bastante sorte, também”, festeja Elídio.

A abertura do clube vem no momento em que a trupe já se considera devidamente consolidada no mercado do humor que, embora tenha passado por altos e baixos, fez com que Os Barbixas passassem incólumes pela alta ou queda de tendências. “Esse processo se deve a uma naturalidade de ter a amizade por trás. E nós somos muito críticos do nosso trabalho, então nos avaliamos a todo momento para ver se ainda havia sentido em fazer uma ou outra piada. Não temos apego e constantemente renovamos o repertório”, explica Elídio.

“E uma parte do público gostava do que fazíamos e analisava. No fim do espetáculo, dava um feedback”, conta Daniel.

“Coisas sutis, a gente pegava e treinava como exercício. São pequenas muletas que o humorista fora da zona de conforto utiliza. É sedutor estar no palco e perceber que dá para encaixar uma piada e entregar para a plateia rir, mas a gente em cena percebe quando vai para o humor fácil. Sempre buscamos não nos apoiar demais nessas muletas porque 10 anos no mesmo alicerce é danoso”, analisa Anderson.

Embora a inauguração e programação (que conta com nomes como Grace Gianoukas, Nany People e futuras peças infantis) já estejam à vista, é outro evento que deixa o grupo ansioso: “A festa de falência. Tá linda, você vai adorar”.

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