Cerâmica vermelha no Espírito Santo

O recente crescimento da construção civil em terras capixabas traz desenvolvimento também para as indústrias que fornecem matéria-prima para o setor. Nesse contexto, insere-se a indústria de cerâmica vermelha, que produz peças como telhas, tijolos e blocos de vedação, essenciais para a construção.

“A relação da cerâmica com a construção civil é total. Um setor depende completamente do outro”, reitera o presidente da Associação Nacional da Indústria de Cerâmica (Anicer), Luis Carlos Barbosa. Ele chega a afirmar que a relação das indústrias de construção civil e de cerâmica é de total interdependência. “Hoje, utiliza-se o tijolo cerâmico em 90% das alvenarias feitas no Brasil”, completa.

Com uma produção mensal de cerca de 50 milhões de peças – que representa cerca de 4% da produção nacional -, o setor ceramista capixaba gera aproximadamente 3.200 empregos diretos. A produção é destinada principalmente ao mercado interno do Espírito Santo. “Os blocos que produzimos destinam-se basicamente a abastecer o Estado. Já as telhas são vendidas também para parte do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia”, destaca o presidente do Sindicato da Indústria da Cerâmica Vermelha do Espírito Santo (Sindicer-ES), Paulo Cézar Coradini.

Coradini explica ainda que a produção de cerâmica no Estado não se concentra em apenas uma região. “Temos dois grandes polos de produção, um no norte e outro no sul do Estado. No norte, temos instaladas 37 empresas, e o destaque fica para os municípios de Colatina e São Roque do Canaã. Já no sul, são 20 indústrias, destacando-se as cidades de Cachoeiro de Itapemirim e, principalmente, Itapemirim.”

Do total de 58 empresas instaladas no Estado, quase todas, 56, são filiadas ao sindicato, de acordo com Coradini. Entretanto, ao contrário do que os números indicam, o presidente do Sindicer garante que, para que o setor cresça ainda mais, falta união entre os empresários. “Talvez hoje o que falte seja, na verdade, uma maior união dos próprios empresários, para defender seu produto. Só com essa união é que a indústria da cerâmica vermelha vai ter condições de se desenvolver mais”, afirma.

Desafios
A boa fase por que passa a construção civil no Espírito Santo aquece a produção de telhas e blocos. “Com o desenvolvimento da indústria da construção civil no Estado, o mercado está ótimo para a indústria da cerâmica vermelha. Hoje, estamos praticamente com a capacidade máxima de produção, e, se formos comparar a anos anteriores, há algo entre 30% e 40% de acréscimo na produção”, comenta o presidente do Sindicer-ES. E o crescimento não deve parar por aí. “Além de trabalharem com a capacidade máxima de produção, as empresas capixabas estão investindo também em ampliação”, acrescenta.

Mas o setor de cerâmica vermelha também enfrenta alguns desafios para se desenvolver no Espírito Santo. Paulo Cézar Coradini enumera alguns deles. “Um dos grandes entraves para o nosso crescimento é o custo de energia, que é muito alto, e acaba se tornando um grande problema. Outros desafios que enfrentamos são a própria carga tributária, que é bem alta, e a legislação ambiental. Para que sejam concedidas as licenças ambientais, há uma burocracia enorme. E grande parte das empresas do setor depende dessa licença, porque retira a matéria-prima do meio ambiente”, explica.

O diretor do Sindicer esclarece ainda que, mesmo o mercado estando muito bom para o setor, o produto da indústria de cerâmica ainda está bastante desvalorizado. “Apesar de o mercado estar muito bom, nossos produtos ainda estão com um preço um pouco defasado, e o custo de produção continua alto”, alega. Por esses e outros motivos, cerâmicas de outros estados acabam ganhando lugar no mercado capixaba. “Hoje temos um grande concorrente, que é o município de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, que traz os produtos para o Espírito Santo”, comenta Coradini.

O presidente da Anicer, Luis Carlos Barbosa, afirma, entretanto, que a qualidade dos produtos capixabas, se comparados com os de Campos, é diferente. “O grande concorrente do Espírito Santo em tijolo cerâmico é, realmente, Campos dos Goytacazes, porém, a cidade oferece produtos de baixa qualidade, quando comparados com os capixabas”, defende.

A mão de obra demandada pelo setor é outro desafio a ser vencido, já que nem sempre é a mais qualificada. Ainda assim, as indústrias de cerâmica vermelha têm dificuldade para conseguir trabalhadores para suas fábricas. Buscando alternativas, algumas empresas desenvolveram um projeto que aproveita a mão de obra de detentos em regime semiaberto.

E com os investimentos em automação nas indústrias, a questão da mão de obra tende a se tornar um problema de proporções maiores para os ceramistas capixabas. “As empresas estão investindo na questão da automação. E, com o investimento de automação, será necessária uma mão de obra ainda mais qualificada, e o Estado carece dessa qualificação”, alega o presidente do sindicato.

Emprego de tecnologia
Em se tratando do emprego de tecnologia, as cerâmicas capixabas estão além e, ao mesmo tempo, dentro do esperado no cenário nacional. Luis Carlos Barbosa explica que as empresas capixabas que fabricam telhas estão atualizadas; por outro lado, as que fabricam tijolos ainda estão se modernizando, como acontece na maior parte do país. “Muitas vezes, a falta de linhas de crédito impede esse avanço tecnológico das indústrias de cerâmica. Estamos tentando junto aos bancos linhas de crédito específicas para o setor. É necessária uma mudança do processo fabril, e a cerâmica ainda é um produto de baixo valor agregado”, comenta.

Uma das empresas capixabas que encaram a atualização tecnológica como um desafio é a Telhafort Jonas Simonassi, que está há 50 anos no mercado. “É uma busca constante da empresa a de desenvolver novos processos de produção, tanto relacionados a equipamentos, quanto a produtos. Na área da produção, estamos construindo um forno túnel, de 160 metros, totalmente automatizado, que deve entrar em operação no final do ano. Também vamos implementar o automatismo na fabricação de telhas e uma prensa de telha múltipla”, explica um dos diretores da empresa, Evandro Simonassi.

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