Expectativa de um avanço positivo na economia brasileira

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Segundo Thais Zara, o Brasil precisa avançar nas agendas para ter um resultado mais rápido. Ela afirma que o governo federal busca ações para movimentar a economia

A economia nacional vem avançando, de acordo com as mudanças realizadas pelo governo federal. Segundo a economista-chefe da Rosemberg Associados, Thais Marzola Zara, o Brasil tem todas as ferramentas para receber novos investidores e ter um equilíbrio econômico.

Thais ressalta que há uma desaceleração das economias avançadas de países como os Estados Unidos e da Europa, que estão adiando eventuais altas de juros. Ela afirma que essas ações podem refletir por aqui, mas os avanços das agendas do país poderão melhorar o cenário econômico brasileiro. Confira a entrevista e entenda!

Foto: Aline Pagotto / Next Editorial

Como avalia o cenário econômico internacional em relação ao nacional?

De maneira geral, temos um cenário econômico internacional mais avesso ao risco, ou seja, um pouco ruim para emergentes. Mas ainda existem espaços para esses países e dentro desse arcabouço é possível que o Brasil se destaque se nós avançarmos nas nossas agendas. Países como Turquia e Argentina têm enfrentado grandes dificuldades principalmente porque têm problemas de contas externas graves. Nós temos uma situação mais tranquila em questão ao balanço de pagamentos, então seria possível que atraíssemos mais atenção dessa parte de capital que está destinado aos emergentes, mas como disse é necessário avançar nas agendas domésticas.

Com o novo governo federal, acredita que chegarão novos investidores no país?

Temos todas as condições para isso. O Ministério da Economia tem colocado uma agenda que inclui a abertura comercial, a simplificação, a redução de impostos, mas para que tudo isso aconteça precisamos fazer um ajuste fiscal porque o déficit das contas do governo éelevado e vem seguindo uma trajetória crescente. É preciso fazer um ajuste das contas. No meio do caminho, temos um orçamento “engessado” que dificulta bastante o manejo das despesas e dentro delas o maior peso é o da Previdência. Nós gastamos quase 60% do nosso orçamento com a Previdência entre do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e dos servidores públicos. Dado esse protagonismo dos gastos previdenciários, é natural que nós iniciamos com a proposta de reforma da Previdência que o ministério se propôs a fazer. Existe uma questão política na negociação dela e é necessário que essa articulação avance para que possamos garantir a aprovação. A partir disso, prosseguimos e tentamos dar continuidade aos outros pontos da agenda, como medida de modernização, medidas que vão ampliar nossa competitividade e que tem um caráter microeconômico. São medidas mais fáceis de serem aprovadas e que depois de estabelecidas por meio dessa boa articulação política fica mais fácil tabular outra parte da agenda.

Em 2018, o Espírito Santo teve um crescimento importante nas exportações. O setor do Comércio Exterior já apresenta sinais de avanço neste ano?

Neste ano vamos ter uma safra melhor do que a de 2018. Em questão de preço de commodities como as demandas internacionais não estão crescendo tanto, estamos tendo uma desaceleração, os preços vão depender muito das condições de oferta. Então, quando pensamos em petróleo, por exemplo, depende muito do que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) vai decidir fazer. As comoditties agrícolas dependem muito de safra, então não tem uma pressão por conta da demanda que pode elevar os preços.  É provado como temos o preço de expansão de quantidade de coisas que vão acontecer em razão da maior safra. Já dá um maior conforto.

O rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais, pode afetar esse resultado?

Pode atrapalhar a oferta de ferro e derivados do ferro. Existe a ideia de compensação em outras minas, mas pode, de fato, atrapalhar um pouco. Mas não sei dizer por qual parte esse material é transportado, talvez não seja algo que impacte o Espírito Santo, mas é algo que precisa ser acompanhado.

A previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil reduziu de 2,4% para 2%, de acordo com o Banco Central (BC). Como analisa esse cenário?

Basicamente, o BC incorporou a frustração do crescimento do final do ano passado aos primeiros dados desse ano que ainda não foram muito otimistas. Mas dentro desses 2% já está embutido uma aceleração. O banco foi bem claro em dizer que vai continuar monitorando a atividade para saber se o país vai testemunhar essa aceleração ou se vai ter taxas de crescimento mais baixas numa moderação maior do crescimento. Entretanto, ele sinalizou que vê o balanço de riscos como simétrico e isso é uma mudança de postura do que vem tendo nas reuniões anteriores.

A expectativa da taxa de inflação também foi divulgada. Como ela pode impactar a sociedade?

Com a inflação dentro das metas estabelecidas, o BC projeta 3,9% para este ano e 4% para o ano que vem, e se não tivemos surpresas no câmbio e mantendo-se um crescimento mais baixo, se ele tiver uma frustração na expectativa dos 2% do PIB, é possível que em algum momento ele precise reduzir a taxa de juros. Mas também deixou claro que vai acompanhar e precisa de tempo para realizar esse acompanhamento, em detrimento dos choques que tivemos no ano passado. Foi um ano em que tivemos muitos choques, em termos de elevação de taxas futuras, e isso começou a ser melhorado em setembro/outubro do ano passado. Imaginava-se que em janeiro teríamos uma reação mais forte da economia, mas não houve.

A taxa de desemprego no Brasil subiu para 12,8% na última semana. Acredita que poderá haver melhora no próximo semestre?

Temos um movimento sazonal, comum no início do ano, que é esse aumento do desemprego. Normalmente, temos a taxa mais baixa de desemprego em dezembro e ela vai subindo até março, mas pode ir até maio e depois cai ao longo do ano. Quando os efeitos sazonais são retirados, vemos que a taxa de desemprego está estabilizada e quando falo dos empregos formais, é em relação à criação deles. Eles aparecem, mas em um ritmo bastante moderado. Então, imaginamos que neste ano teremos a criação de 600/700 mil vagas formais, o que é muito pouco. Não é o suficiente para absorver o contingente de força de trabalho que entram todos os anos na economia. Então, realmente precisamos ter um crescimento para observarmos o mercado de trabalho agindo mais rapidamente.

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