Carnaval 2019: A folia começa no Espírito Santo

Carro abre-alas da Mocidade Unida da Glória, vencedora do desfile 2018

Uma semana antes do Carnaval oficial no Brasil, o desfile das escolas de samba capixabas promete encantar foliões e espectadores

*Fernanda Neves

Carnaval 2019. Um dos momentos mais aguardados do ano para os amantes da folia está chegando. Os desfiles das escolas de samba da Grande Vitória ocorre entre os dias 21 e 23 de fevereiro, a partir das 21 horas, no Sambão do Povo, na capital.

As 19 agremiações prometem muita criatividade, graça e beleza, com enredos que celebram desde as artes e os pontos de belezas naturais do Estado até as instituições como a Polícia Rodoviária Federal.

Presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Grupo Especial (Lieges), Edvaldo Teixeira da Silva revelou que algumas reivindicações foram atendidas e, assim, o resultado deverá ser mais especial tanto para quem estiver na passarela quanto para quem for assistir ao espetáculo. “Os ensaios técnicos serão realizados com mais antecedência e com a iluminação e a sonorização idênticas às do dia do desfile. Essa mudança é fundamental, porque uma coisa é imaginar e treinar uma evolução dentro dos barracões; outra é vê-la na pista. Com essa antecedência, dará tempo para fazer ajustes,
caso seja preciso”, explica Edvaldo.

O dirigente destacou que a antecipação de 44% da verba por parte do poder público, em dezembro de 2018, possibilitou melhores condições de compra dos materiais para se fazer o carnaval e de pagamento da mão de obra. “Uma coisa é ter dinheiro em caixa para poder negociar preços com os fornecedores e prestadores de serviço. Houve escolas que economizaram bastante em alguns itens e liberaram esse ‘excedente’ para gastar em outros itens. A segunda parte já deve sair na primeira semana de fevereiro. Ou seja, no dia dos desfiles, todas as escolas devem estar com suas contas em dia”, detalha.

Troféu Carnaval 2019.

A disputa vai ser acirrada nesta edição, prevê Edson Rodrigues de Freitas Neto, presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Espírito Santo (Lieses), entidade responsável pela organização das outras duas divisões. Duas agremiações do Grupo A cairão e somente uma do Acesso ascenderá, igualando para 2020 o número de escolas, sete, para cada dia (sexta e sábado). “Tenho visitado os galpões nesta reta final de produção e estou vendo uma competição bonita. Não há escola acomodada. Todas estão trabalhando duro para proporcionar o melhor carnaval possível, dentro das condições de cada uma”, pontuou.

 

Neto frisou que deixar o Grupo de Acesso desfilar em uma data própria, e não como convidado dos outros dias, é uma mostra de profissionalização da festa. “Assim os jurados e o público terão foco total no que podem oferecer essas escolas que almejam entrar para elite do carnaval.”

Manutenção do título

Todos os olhos estão voltados para Mocidade Unida da Glória (MUG), que carrega a responsabilidade de manter o título em casa. Com o samba-enredo “Sorrir e sambar é só começar”, os muguianos querem resgatar o espírito de alegria e irreverência, afirma o diretor de Comunicação do Leão da Glória, Patrick Rocha. “O Brasil passou por um 2018 difícil demais politicamente, gerando um ambiente muito dividido.

Por isso, queremos usar o Carnaval como uma ferramenta de leveza, que traga alegria de volta ao brasileiro”, ressaltou.

 

O presidente Carlos Roberto Ribeiro, o Robertinho da MUG, falou sobre a mobilização da vermelho e branco em proporcionar um belo espetáculo que devolva o orgulho ao folião. “Mesmo com um ano muito difícil, nossa comunidade é competitiva e orgulhosa. Temos a obrigação de fazer um espetáculo que agrade a todos. É um grande desafio lidar com todas essas questões, mas trabalhamos em muitos detalhes para entrar ainda melhor este ano.”

Incêndio

Como se não bastassem as habituais dificuldades de colocar um desfile na passarela, a Independente de Boa Vista foi surpreendida em agosto de 2018 por um grande incêndio em seu barracão principal, que fica em Itaquari, Cariacica.

Os prejuízos superaram os R$ 130 mil. “Tivemos que parar, acalmar os ânimos e replanejar todo o processo, porque perdemos tudo: madeira, ferro, chassis de carro, pneus, tecidos, ornamentos… Não deu para aproveitar muita coisa”, lamentou o presidente Emerson Ribeiro, o Xumbrega.

Mesmo assim, ele se valeu do poder de envolvimento da comunidade para entregar um trabalho que seja motivo de orgulho. “Apesar de todas as dificuldades, vamos sair com 18 alas, 1.600 componentes e quatro carros alegóricos para homenagear o aniversário de 90 anos da Polícia Rodoviária Federal. Com muita criatividade e profissionalismo, estamos superando o episódio que poderia ter destruído o nosso desfile este ano.”

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