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sexta-feira, 5 março, 2021

“Bolsonaro 1 x 0 oposição”

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O partido não consegue superar a dependência de Lula e as novas lideranças ficam à sombra do guia maior

Por André Pereira César

Entre vitoriosos e derrotados, a definição das novas Mesas Diretoras do Congresso Nacional emitiu um alerta para a oposição – ou, no plural, “oposições” – ao governo Bolsonaro. Todo os partidos que almejam enfrentar o titular do Planalto em 2022 precisam, urgentemente, revisar suas rotas. Do contrário, a debacle será inevitável.

Comecemos pela centro-esquerda, em especial o PT, que enfrenta grandes dificuldades internas. O partido não consegue superar a dependência de Lula e as novas lideranças ficam à sombra do guia maior. Além disso, o discurso petista envelheceu e, hoje, não cativa boa parte do eleitorado. Uma profunda reformulação precisa estar na agenda do PT.

Ainda no campo da esquerda, a manifestação de integrantes do PSOL, entre outros, chamando o presidente de “fascista” quando este visitou o plenário do Congresso, não gerou efeito positivo algum. Ao contrário, serviu apenas para alimentar os apoiadores de Bolsonaro, convictos de que o titular do Planalto está correto em seus atos.

O quadro é ainda mais complicado quando se olha a centro-direita tradicional – MDB, PSDB e DEM. Os três partidos ensaiavam a reedição da aliança que deu suporte ao governo de Fernando Henrique Cardoso, entre 1995 e 2002. As conversas ora em curso, porém, sofreram um revés.

A expressiva vitória do candidato de Bolsonaro, deputado Arthur (PP/AL), na disputa pela Câmara, representou mais que um balde de água fria para as pretensões das três legendas. Na verdade, o êxito palaciano abriu fissuras na aliança que se construía e tornaram absolutamente incerto o “projeto para 22”.

De um lado, o DEM rachou. A briga entre o presidente nacional da legenda, ACM Neto, e o deputado fluminense Rodrigo Maia escancarou a diferença de objetivos dos comandantes do partido. Maia deseja a todo custo derrotar Bolsonaro, enquanto ACM Neto não vê motivos para não se aproximar do governo federal – e tirar dividendos disso, conquistando apoio para conquistar o governo da Bahia no próximo ano.

O PSDB, por sua vez, perde força e unidade. O próprio ex-presidente Cardoso, em entrevista concedida ao jornal O Estado de São Paulo, assumiu essa (dura) realidade. A grande esperança dos tucanos, o governador paulista João Dória, que vinha ganhando espaço com a questão da vacina contra a Covid, subitamente se viu isolado. Para o partido, o momento é de baixa.

Já o MDB mantém seu (legítimo) jogo de morde-e-assopra. Um autêntico curinga na cena política nacional.

É interessante notar que, poucas semanas atrás, o presidente brasileiro enfrentava intensa pressão. As pesquisas de opinião indicavam tendência de queda na popularidade, o caos imperava na gestão da pandemia, o auxílio emergencial chegava ao fim e o novo presidente norte-americano, o democrata Joe Biden, iniciava seu governo adotando medidas contrárias ao Brasil. Hoje, tudo isso parece distante.

Enfim, por ora, Bolsonaro segue firme na busca pela reeleição. Para ele, o saldo final das eleições no Congresso foi positivo. Seu grande desafio, agora, será controlar o apetite do neo-aliado Centrão. Muita água correrá até 2022

André Pereira César é Cientista Político e sócio da Hold Assessoria Legislativa

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