20.9 C
Vitória
quarta-feira, 19 junho, 2024

Aumento de biodiesel ao diesel preocupa setor de transportes

Confederação defende estudos técnicos e alternativas que garantam a confiabilidade da transição energética

Por Kikina Sessa

Com previsão de ser apresentado ainda neste mês à Comissão de Infraestrutura do Senado pelo relator Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), o relatório final do Projeto de Lei 528 (PL 528/2020), que altera os percentuais dos biocombustíveis na gasolina e no diesel comercializados no Brasil, tem preocupado o setor de transportes rodoviários.

- Continua após a publicidade -

Chamado de “Combustível do Futuro”, o projeto determina, dentre outras mudanças, o aumento da proporção de biodiesel no óleo diesel comercializado no país. Desde março deste ano, o biodiesel representa 14% da composição do diesel e, conforme prevê o PL, deve atingir 20% até 2030, sendo acrescentado 1 ponto percentual de mistura anualmente até março de 2030.

A Confederação Nacional dos Transportes (CNT) alerta para os riscos do aumento da mistura de biocombustível na operação de transporte e para o meio ambiente. O objetivo da entidade é apresentar alternativas que garantam a confiabilidade da transição energética.

Em estudo contratado à Universidade de Brasília (UnB), foi demonstrado que o aumento do biodiesel na mistura do diesel aumenta o consumo dos veículos em até 15%, elevando a emissão de dióxido de carbono (CO2). A CNT quer que a proposta em análise no Senado dê garantia de que futuros aumentos na mistura deverão ser precedidos de estudos técnicos.

Renan Chieppe, que preside a Federação das Empresas de Transporte do Estado do Espírito Santo (Fetransportes), afirma que o setor de transportes é a favor da modernização, da criação de alternativas e da busca pela redução da emissão de carbono. “O que nos preocupa é fazer uma transição de forma adequada. Somos a favor de um combustível de boa qualidade, que resulte numa operação eficiente, tanto do ponto de vista ambiental, como da qualidade dos serviços e do custo”.

O empresário comenta que um dos problemas do biodiesel brasileiro é que ele varia muito na composição química e na qualidade. “A legislação é muito superficial no detalhamento técnico e abre esse problema. A nossa proposição é que esse assunto avance em paridade com a tecnologia”, afirma Renan.

HVO aparece como opção

O objetivo principal do PL 528/2020 é a redução na emissão de carbono. Todas as alternativas nesse sentido estão avançando e uma delas é o HVO (sigla inglesa para Hydrotreated Vegetable Oil, traduzido como óleo vegetal hidrotratado). Chamado de diesel verde, especialistas da área defendem que esse é um biocombustível mais confiável e eficiente e pode ser misturado ao diesel em qualquer quantidade.

O diesel verde é quimicamente idêntico àquele que vem do petróleo, porém, com conteúdo de origem vegetal ou animal, e tem qualidade superior ao biodiesel de base éster, derivado de biomassa, obtido a partir da reação de óleos ou gorduras com um álcool. Cerca de 70% do biodiesel produzido no Brasil é feito à base de soja.

Outra vantagem do HVO é que ele é compatível também em motores mais antigos, com tecnologias anteriores. Assim, a descarbonização da frota poderia ser mais abrangente. Segundo dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a frota brasileira de caminhões passa dos 15 anos, ou seja, a maior parte roda com motores com tecnologia inferior a Euro 5, que vem apresentando problemas com o uso do biodiesel.

O HVO ainda não é produzido no Brasil. A primeira biorrefinaria está sendo construída em Manaus. A primeira fase do projeto está prevista para entrar em operação em janeiro de 2025.

Entre para nosso grupo do WhatsApp

Receba nossas últimas notícias em primeira mão.

Matérias relacionadas

Continua após a publicidade

EDIÇÃO DIGITAL

Edição 221

RÁDIO ES BRASIL

Continua após publicidade

Vida Capixaba

- Continua após a publicidade -

Política e ECONOMIA