Associação médica quer governo proibindo novos cursos de medicina

Médico - cursos de medicina
Foto: Shutterstock

Para a Associação Médica Brasileira, os novos cursos não estão formando profissionais de qualidade e podem trazer prejuízos à saúde da população

O objetivo é melhorar a qualidade na formação dos médicos e impedir que as escolas sejam um balcão de negócios econômicos e políticos

A Associação Médica Brasileira (AMB) está preocupada com a abertura de novos cursos de medicina e a qualidade dos profissionais formados. A entidade cobrou do governo federal a assinatura de decreto para impedir novas faculdades pelos próximos cinco anos.

Para a AMB, a maioria das novas escolas está diplomando profissionais de baixa qualidade. Assim, a saúde da população estaria em risco e sobrecarregando ainda mais o sistema de saúde. Inicialmente seria assinado um decreto no fim do ano passado.

O presidente da AMB, Lincoln Ferreira, questionou o ministro da Saúde, Ricardo Barros, durante evento realizado nessa quinta-feira (8). Segundo informações da instituição, o ministro declarou em recente entrevista que a decisão era do presidente Michel Temer. Barros teria adiantado que concorda com a decisão.

Mais de 300 cursos

O ministro afirmou que o número de cursos autorizados passou de 150 para mais de 300, segundo a AMB. Para a Associação, esta será uma das mais importantes conquistas da população brasileira e para a saúde do País.

“A verdade nua e crua é que o ensino virou um balcão de negócios com o aval dos governos que administraram o Brasil nos últimos 20 anos. A qualidade ficou em segundo lugar. Sessenta por cento são escolas particulares e cobram entre R$ 5 mil e R$ 15 mil por aluno”, explica Ferreira.

Segundo a associação, não há mais necessidade de qualquer curso de medicina novo. O Brasil precisaria de médicos com formação de qualidade. Entre 2000 e 2015, foram criadas 142 escolas médicas. Mais de cem escolas foram liberadas para atuar a partir de 2013. São, ao todo, 78 escolas federais, 35 estaduais, 16 municipais, duas públicas e 172 particulares. Um número surreal, se comparado com países como a China, onde existem 150 faculdades para 1,3 bilhão de pessoas. Nos Estados Unidos, há 131 cursos para 300 milhões de habitantes.

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