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segunda-feira, 23 maio, 2022

As lições da aposentadoria do Tramontina

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“Grandes empreendedores devem planejar seu momento de saída com cuidado, assegurando que sucessores, não apenas continuem, mas que sejam melhores que seu predecessor”

Por Glaucio Siqueira

O mundo dos negócios com surpresa a notícia que o empresário Clóvis Tramontina, aos 65 anos, se prepara para deixar a presidência da empresa familiar centenária, fundada por seu avó Valentin em 1911. Seu trabalho após 30 anos à frente da marca é a presença dos produtos da família em mais de 120 países, 10 unidades fabris e mais de 10 mil funcionários. No entanto, o executivo fala em aposentadoria, mas não está pendurando as chuteiras de todo. Ele anunciou que continuará no “jogo”, dessa vez treinando e formando novos líderes empresariais.

Esse cenário nos leva a refletir sobre a questão da aposentadoria de quem sempre teve uma vida mais ativa, envolta em desafios diários de conduzir grandes negócios. Para esses profissionais é quase impossível se verem na condição de “pendurar a chuteira” e cessarem suas atividades, a hora de decidir parar não é fácil e envolve muitos fatores. Um deles é a saúde, com os avanços na qualidade de vida e na medicina, pessoas mantêm o ritmo de trabalho mesmo aos 60, 70 ou até 80 anos. Porém, tal como Clóvis, é natural que busquem novos estímulos, novos desafios. E certamente, nada é mais aprazível do que formar gestores, sucessores e pessoas que darão sequência às ideias e conceitos desses profissionais.

Logo, a dica para os empreendedores é preparem a transição. O processo de sucessão deve ser planejado, mas na prática não é o que acontece: apenas uma em cada três empresas nacionais tem um plano de sucessão, de acordo com levantamento realizado pela PwC Consultoria. O processo de troca de comando da empresa, o passar o bastão, precisa ser iniciado entre 55 e 60 anos. Enquanto sucessores são preparados, o gestor pode traçar os planos do que fará depois que se afastar da atividade principal. Aliás, esse afastamento é essencial, caso contrário ele acabará insistindo em fazer parte do dia a dia de decisões da sua empresa, e nada melhor do que ter seu tempo ocupado com outros compromissos.

Grandes empreendedores devem planejar seu momento de saída com cuidado, assegurando que sucessores, não apenas continuem, mas que sejam melhores que seu predecessor. As empresas são organismos vivos e muitos empresários-fundadores são o coração de seus negócios. Neste contexto, podemos pensar a sucessão como um transplante e, como tal, o “paciente” precisa ser preparado antes e o novo coração deve ser compatível para que todo o sistema funcione.

Ademais, a complexidade e a multiplicidade de conhecimentos para tocar os negócios no século XXI exigem formação intensiva e contínua de novos gestores. Em paralelo a isso, tornar-se um desses mentores de novos gestores concede à pessoa uma ampla visibilidade na sociedade. É a combinação desses fatores, primeiro a necessidade do mercado, e segundo o “prêmio” a quem atende essa necessidade que impulsiona famosos executivos a aderirem ao esforço educacional, na forma de mentores. O ex-presidente da metalúrgica é um case de sucesso empresarial durante e após a sua gestão, a isso damos o nome de legado.

Glaucio Siqueira é consultor empresarial e professor universitário.

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