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domingo, 26 maio, 2024

Área de monitoramento de antas é ampliada no ES

Área de monitoramento de antas é ampliada no ESIniciado em 2011, programa de monitoramento que visa propor ações para preservar a espécie vai alcançar 30 mil hectares no norte do Espírito Santo
O programa Pró-Tapir: Monitoramento e Proteção das Antas da Mata Atlântica Capixaba, que abrangia aproximadamente 5 mil hectares no norte do Espírito Santo, teve sua área ampliada para 30 mil hectares. Isso porque foram incorporadas ao programa, em fevereiro, a Reserva Biológica de Sooretama, localizada no município de mesmo nome e administrada pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade/MMA), e a Fazenda Cupido & Refúgio, que fica em Linhares e é propriedade da Família Caliman.
As atividades do Pró-Tapir foram iniciadas em janeiro de 2011, numa parceria que envolve o Instituto Marcos Daniel (IMD), a Fibria e a Reserva Biológica Córrego do Veado. Até então, o monitoramento vinha sendo realizado nas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) Recanto das Antas e Mutum-Preto, ambas de propriedade da Fibria e localizadas em Linhares, e na Rebio Córrego do Veado, em Pinheiros. “Nossa intenção é alcançar todas as áreas com ocorrência confirmada de antas no Espírito Santo, o que permitirá avaliar a situação geral das populações em diferentes paisagens, cada uma com uma configuração específica e com graus variados de impacto ao longo do tempo”, explica Andressa Gatti, bióloga responsável pelo programa. Ela acrescenta que, de posse das informações obtidas, será possível planejar mais efetivamente ações de conservação e manejo para a espécie no Espírito Santo a médio e longo prazo.
Andressa Gatti, que é membro do Grupo de Especialistas em Antas da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN), destaca que, no Brasil, existem poucas áreas que mantêm populações viáveis de antas (grupos com mais de 200 indivíduos) na Mata Atlântica. Uma delas é o bloco florestal situado em Linhares, que soma quase 50 mil ha, aí incluída a Reserva Natural da Vale que em breve também deve ser incorporada à área monitorada pelo Pró-Tapir.
Nas áreas estudadas, as antas já foram identificadas em diferentes ambientes, inclusive em meio aos plantios de eucalipto localizados nas proximidades da RPPN Recanto das Antas, segundo observou a bióloga. Ana Paula Corrêa do Carmo, pesquisadora da Fibria, destaca que “são resultados como estes do Pró-Tapir nas áreas da empresa, confirmando a utilização dos plantios de eucalipto como área de trânsito para espécies dependentes de ambientes florestais, que permitem à companhia planejar e realizar ações que conciliam a produção de madeira com a conservação da biodiversidade”.
Sobre a importância de se preservar a espécie, a bióloga Andressa Gatti explica que a anta auxilia na manutenção da diversidade biológica e da estrutura florestal, participando de processos ecológicos-chave, como a herbivoria e a dispersão e predação de sementes. Ela acrescentou ainda que um estudo coordenado em 2010 pelo ICMBio indica que todas as populações de antas do Brasil com menos de 200 indivíduos podem desaparecer em até 33 anos.
No que depender das instituições e empresas envolvidas com o Pró-Tapir, as antas da Mata Atlântica do Espírito Santo devem continuar habitando a região por muito mais tempo. Os resultados dos monitoramentos vão orientar um plano de ação que visa contribuir para a preservação da espécie.

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