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domingo, 19 setembro, 2021

Após 33 anos, Portela volta a soltar o grito de campeã

No segundo dia, sob a batuta do carnavalesco Paulo Barros, a Portela fez um desfile falando sobre rios.

Em mais uma disputa acirradíssima, tal qual a de São Paulo, a Portela só pode soltar o grito de campeã do carnaval 2017 no último quesito, ao garantir 269,9 pontos. Um grito que ecoou forte na Sapucaí, após 33 anos. A escola do carnavalesco Paulo Barros venceu a Mocidade Independente de Padre Miguel por apenas um décimo. Em terceiro lugar ficou o Salgueiro e a Mangueira, que venceu em 2016, ficou em quarto lugar. 

A Portela, que agora com 22 títulos é a escola que mais venceu o carnava carioca, passou como um rio pela Sapucaí, no penúltimo desfile do Grupo Especial, e apresentou as histórias e mitos da água doce. A comissão de frente representou a piracema, com componentes vestidos como peixes nadando em direção à nascente. Carros e fantasias jogaram água pela avenida e os ritmistas da bateria vieram trajados como pescadores, com Bianca Monteiro em sua estreia como rainha de bateria da escola. 

A escola fez referência a um de seus grandes nomes, Paulinho da Viola, com o enredo “Foi um rio que passou em minha vida e meu coração se deixou levar”, versos de uma de suas mais conhecidas canções. O quarto carro trocou os tons de azul pelo marrom, para recordar o Rio Doce e o desastre ambiental de Mariana em novembro de 2015, e que atingiu gravemente os municípios capixabas de Baixo Guandu, Colatina e Linhares. 
 

Ao final da apuração, Tia Surica, baluarte da escola, prometeu feijoada em dobro para celebrar o título. “Eu tô chorando de alegria! E vou tomar todas!”, garantiu.

A vice-campeã foi a Mocidade Independente de Padre Miguel que levou para a avenida uma homenagem a Marrocos. Em cima do tapete de Alladin ou no barco de Simbad, personagens de “As Mil e Uma Noite” o colorido mágico e luxuoso do Oriente foi levado à avenida. O público ficou enlouquecido com a comissão de frente, que colocou no céu um tapete voador e homens vestidos de beduíno que carregavam cestos de onde saíam odaliscas. Contando beduínos e odaliscas, chegava-se a 23 integrantes, quando o máximo permitido são 15. Mas não era infração, era ilusão: as odaliscas eram as responsáveis por mover os bonecos de beduínos. A graça arrancou sorrisos dos jurados: ponto para a Mocidade.


Vestidas de vendedoras de hortelã, baianas espirravam a essência enquanto desfilavam pela Sapucaí. Uma componente, que estava no alto de um carro, caiu logo no finalzinho da apresentação; uma parte da composição desmontou e causou o acidente. A Mocidade fez um desfile que foi de Alladin a Simbad e Ali Babá, passou pelo comércio e até pela astronomia e acabou em um oásis de samba.

Em terceiro lugar ficou o Salgueiro, com uma forte interpretação do poema “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri, poema épico do século XIV que narra uma odisseia pelo Inferno, Purgatório e Paraíso. A nação salgueirense entrou com força total na avenida, explodindo em vermelho. A rainha da bateria Viviane Araújo, mais uma vez deu um show à parte e a rainha da bateria da MUG, vice-campeã do carnaval capixaba, novamente foi musa do Salgueiro

A Mangueira, atual campeã, teve um incidente com seu segundo carro que lhe custou a chance de um bicampeonato do título. A alegoria, que representava a festa de São João no enredo sobre fé e religiosidade, parou no meio da avenida, abrindo um enorme buraco bem em frente à segunda cabine dos julgadores.

Uma das escolas mais tradicionais do carnaval carioca, o Império Serrano está de volta ao Grupo Especial. A agremiação da comunidade da Serrinha venceu o campeonato da Série A e desfilará na elite do samba em 2018. A verde e branco de Madureira conquistou o título após oito anos, com o enredo sobre o poeta Manoel de Barros. 

A Liga Independente das Escolas de Samba do Rio (Liesa) decidiu, durante reunião de emergência na tarde desta quarta-feira, que nenhuma escola do Grupo Especial será rebaixada para o Grupo de Acesso da Série A. A decisão foi tomada em razão dos acidentes envolvendo os carros da Paraíso do Tuiuti e da Unidos da Tijuca, que deixaram pelo menos 35 pessoas feridas.

Confira a classificação das escolas:
Portela – 269.9
Mocidade – 269.8
Salgueiro 269.7
Mangueira – 269.6
Grande Rio – 269.4
Beija-Flor – 269.2
Imperatriz – 268.5
União da Ilha – 267.8
Vila Isabel – 267.4
São Clemente – 267.4
Unidos da Tijuca – 266.8
Paraíso do Tuiuti – 264.6

Imagens: reprodução web

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