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domingo, 14 DE julho DE 2024

Alta do dólar ameaça ciclo de queda dos juros

Além da valorização da moeda americana perante o real, o teto de gastos do governo também pode impactar negativamente a taxa Selic e interferir no consumo dos brasileiros

Por Kikina Sessa

A valorização do dólar nas últimas semanas, com a moeda passando dos R$ 5,40, acendeu o sinal de alerta, já que tem impactos na economia brasileira, afetando a inflação. No final de julho (30 e 31), o Comitê de Política Monetária (Copom) fará sua próxima reunião, ocasião em que vai discutir os rumos da taxa Selic e a situação econômica do Brasil. 

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Em junho, o comitê decidiu interromper o corte de juros iniciado há quase um ano e manteve a taxa Selic, juros básicos da economia, em 10,5% ao ano. A depender da recente alta do dólar, que registra valorização de mais de 10% em 2024, e das mudanças das metas fiscais para as contas públicas, a tendência é manter a taxa, sem queda. 

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

“Com o dólar mais alto, temos um aumento do custo da indústria nacional, já que diversos insumos são importados. Esse aumento nos custos deixa nossos produtos mais caros, o que significa dizer que teremos mais inflação. Com inflação mais alta, existe uma tendência também de manter a Selic em patamares mais elevados para que seja possível controlar esse aumento dos preços. Selic maior, significa também dizer maior custo no crédito para pessoas físicas e empresas. A consequência  disso será um menor acesso ao consumo e desaquecimento da economia”, avalia a economista Cecília Perini.

Exportações

Por outro lado, o aumento do dólar pode influenciar positivamente nas exportações, em especial o Espírito Santo, que é um importante exportador de minério, celulose, café e outros produtos. 

A alta do dólar mantém os preços competitivos internacionalmente, o que irá aumentar a entrada de dólar na economia. 

Porém, um dólar mais alto deixa a importação mais cara, o que encarece os equipamentos e insumos utilizados na indústria, refletindo em aumento nos preços do produto final, impactando a competitividade dos produtos locais. Ou seja, o dólar mais alto deixa o dia a dia do capixaba mais caro. 

Confira a entrevista com a economista Cecília Perini

Alta do dólar ameaça ciclo de queda dos juros
Cecília Perini: “A meta de inflação é um objetivo determinado pelo governo para controlar a alta dos preços na economia” – Foto: Divulgação

Qual é a influência do tripé macroeconômico (superávit primário, meta de inflação e teto de gastos) na taxa Selic e no dólar? 
Esse tripé tem influência direta na Selic e também no dólar.
Superávit Primário: Se o governo conseguir manter um superávit primário alto, quer dizer que ele tem capacidade de controlar as contas públicas, o que reduz a necessidade de emissão da dívida, contribuindo para redução da taxa de Selic. Nesse caso, o real tende a se valorizar frente ao dólar.
Meta de Inflação: A meta de inflação é um objetivo determinado pelo governo para controlar a alta dos preços na economia. Quando a inflação está em alta, o Banco Central utiliza a taxa selic como ferramenta de política monetária, podendo aumentar para conter a demanda e reduzir a pressão inflacionária. Esse aumento atrai investidores estrangeiros que buscam por rendimentos maiores, o que valoriza o real em relação ao dólar. Por outro lado, uma meta de inflação muito baixa pode levar a uma redução na taxa de juros, o que pode desvalorizar o real em relação ao dólar.
Teto de Gastos: O teto de gastos é uma regra fiscal que dá um limite ao crescimento das despesas do governo à variação da inflação. Se o governo manter as despesas controladas e respeitar o teto de gastos, pode contribuir para a redução da pressão sobre a taxa de juros (Selic) e para a valorização do real em relação ao dólar.
Se esse tripé estiver equilibrado, a economia conquistará uma estabilidade econômica, controle da inflação e atração de investimentos estrangeiros, o que pode influenciar na  Selic quanto também na cotação do dólar em relação ao real.

Como o fortalecimento da indústria nacional pode diminuir a influência do dólar no mercado brasileiro?
Pode ocorrer de diversas formas, mas eu destacaria o aumento das exportações, o que irá aumentar o fluxo de entrada do dólar, e redução das importações, o que manterá nossa reserva de dólar na economia. Uma maior quantidade de dólar no país manterá o real valorizado.

Qual é a sua opinião sobre a autonomia do Banco Central e a influência dessa autonomia no mercado?
A autonomia do Banco Central é considerada importante, pois permitirá que ele atue de forma mais técnica e sem viés político na definição das políticas monetárias, visando manter uma estabilização econômica e controle da inflação.

Como a política monetária do Banco Central, incluindo a possibilidade de elevação dos juros, pode influenciar a trajetória do dólar e as expectativas de inflação no curto e médio prazo?
A política monetária do Banco Central, que inclui definições da taxa Selic, e controlar a oferta de moeda e a inflação, tem influência direta sobre a trajetória do dólar e as expectativas de inflação no curto e médio prazos. Posso citar alguns pontos que têm maior importância, como por exemplo, a taxa de juros e câmbio:  uma alta da taxa Selic pode tornar o Brasil atrativo para investidores estrangeiros, o que pode levar a uma valorização do real frente ao dólar, visto que nessa situação aumenta o fluxo de entrada de dólar no Brasil. Por outro lado, uma queda na Selic tende a aumentar o fluxo de saídas, o que torna nossos investimentos menos atrativos, facilitando a saída de capital estrangeiro.

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