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quinta-feira, 20 janeiro, 2022

Aldeias indígenas de Aracruz

Município conta com cerca de 3.800 índios, que estão distribuídos em dez aldeias

Há quem pense que os índios só podem ser encontrados nas mais remotas regiões do norte ou do centro-oeste brasileiro. Mal sabem que estão enganados, pois esta realidade pode ser encontrada bem perto de todos nós e em solo capixaba, mais precisamente, no município de Aracruz. A cidade é a única no Estado que ainda possui índios aldeados (cerca de 3.800) estando distribuídos em dez aldeias e duas etnias: Guarani e Tupinikim.

Localizados em Boa Esperança, Três Palmeiras, Piraqueaçú e Olho D’Agua, os Guaranis mantém a língua nativa e fazem artesanatos típicos culturais, que servem de subsistência para muitas famílias das regiões. Outra grande característica da etnia – vinda do sul do país na década de 1960 – está relacionada à religião e as danças, que fazem jus a sua história, a exemplo da aldeia de Boa Esperança (Tekoá Porâ), onde existem pequenas moradias de estuque e tijolos, cobertas com palhas.

No local são conservadas as tradições como o culto ao Sol, a Lua e as Estrelas, além da pesca, é claro. Na aldeia, é possível conferir ainda artesanatos variados, considerados como os mais bonitos do Brasil e que fazem uso de materiais como o coqueiro e a taquara para produzirem arco e flecha, chocalhos, lanças e zarabatanas. E nem mesmo o posto médico situado na região foi capaz de acabar com o papel desempenhado pelo pajé, líder espiritual encarregado de curar doenças e afugentar os maus espíritos. Outra localidade que representa bem os costumes da aldeia Guarani é Piraquêaçu. Os índios desta região também dependem do artesanato como fonte de renda, fabricando cestas, colares, brincos e acessórios para os cabelos.

Diferente dos Guaranis, os Tupinikins participaram mais ativamente do processo de aculturação e acabaram perdendo sua língua mãe, fazendo com que o português se tornasse a língua oficial. Mesmo fabricando artesanatos e trabalhando no cultivo da lavoura e pesca (caranguejos e outros crustáceos), os índios desta etnia já se encontram inseridos nas empresas existentes no município, o que justifica a forte influência do homem “branco” em suas vidas. Eles se encontram localizados em Areal, Caieiras Velhas, Irajá, Pau Brasil, Comboios e Córrego do Ouro.

De acordo com o Gerente de Cultura da Prefeitura de Aracruz, Marcelo Loureiro Ucelli, as duas etnias trazem um grande valor histórico e cultural para a cidade. “Temos muito orgulho das aldeias, pois elas diferenciam Aracruz dos demais municípios capixabas mantendo esta cultura tão rica e importante na preservação da história deste povo”.

 

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