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terça-feira, 26 maio, 2020

Pecuária impulsiona o agronegócio em 2019

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Impacto positivo foi gerado pelo aumento das exportações e dos preços

A demanda externa aqueceu o mercado nacional de carnes de bovina, suína e de aves. E no Espírito Santo não foi diferente. O aumento da produção e dos valores pagos ao produtor, com exceção de aquicultura, que apresentou queda nos preços devido ao aumento na oferta e estabilização da demanda interna, fez com que a pecuária também impulsionasse o agronegócio capixaba.

O valor bruto da produção (VBP) da agropecuária deverá encerrar 2019 em R$ 609,7 bilhões. Nos ramos agrícola e pecuário, a estimativa é que o faturamento siga em direções opostas: enquanto o resultado da agricultura tem projeção de recuo de até 4%, a pecuária deve apresentar avanço robusto de 7%, de acordo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

“Houve casos de peste suína na China e depois na Rússia. Por isso o mercado de proteína teve um avanço muito grande em 2019. Já na agricultura, realmente tivemos uma retração. Quem trabalha com mais de uma cultura conseguiu compensar essa diferença”, explica o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Espírito Santo (Faes), Júlio Rocha.

Exportação recorde de café

Apesar de ter registrado os menores preços para o produto dos últimos seis anos, a desvalorização do real frente ao dólar estimulou a exportação recorde de café este ano, com 41,5 milhões de sacas, aponta a CNA.

“O café é nosso carro-chefe. Vinha passando por três ou quatro safras de problemas com seca. E ainda tivemos um período de enchente em 2013. A safra mais recente teve produtividade boa, porém os preços estavam achatados, não cobrindo os custos de produção. A mão de obra, por exemplo, teve um incremento de custo de 19%. O que amenizou um pouco foram as exportações, entraram divisas em dólar”, detalha Rocha.

Melhorias

Em 2019, o foco das melhorias estaduais no campo esteve na infraestrutura. Somente em dezembro deste ano, foram R$ 12 milhões investidos. Mas, durante o ano, foram pavimentados 14 quilômetros de vias rurais (R$ 13,8 milhões) e investidos R$ 7 milhões em calçamento, beneficiando 82 comunidades em 26 municípios.

Também foram instaladas 70 pontes, em 24 cidades, um investimento de R$ 4,8 milhões que tem facilitado os deslocamentos diários dos moradores do campo e o escoamento da produção agrícola.

E uma parceria entre a Secretaria de Estado da Agricultura e o Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes) possibilitou financiamento para a construção de pequenas barragens, por meio do projeto Boas Práticas de Conservação de Água e Solo.

Cacau e mamão em alta

Há previsão de crescimento da cultura de cacau no Espírito Santo em 2019, de acordo com dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA/IBGE), atualizados até agosto de 2019, no documento Panorama Econômico do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN).

A cultura do mamão obteve um bom retorno comercial entre o fim do ano de 2018 e o início de 2019

Embora a produção esteja muito concentrada em Linhares, outros 44 municípios plantam cacau, uma cultura que se destaca por ser bem tecnificada, com tratos especializados que garantem uma expectativa de crescimento de 7,9% no volume nos 12 últimos meses, uma vez que a variação de área plantada foi de 16,7 mil hectares em 2018 para 17 mil hectares em 2019.

A cultura do mamão obteve um bom retorno comercial entre o fim do ano de 2018 e o início de 2019, devido a uma queda na oferta do produto no ano passado, que elevou seus preços. Houve incentivo no Estado ao crescimento da área, cuja previsão é de 5,6%. Essa expansão da lavoura, aliada ao clima favorável e bons tratos culturais, deve gerar um incremento de 14% no volume produzido em 2019, na comparação com o ano anterior.
Já em relação ao abacaxi, há perspectiva de alta de 9,3% do volume no Espírito Santo, muito em consequência do aumento de rendimento entre os principais produtores, como Marataízes, e também a um crescimento de área em alguns municípios de menor produção.

Expectativa para 2020

A economia capixaba, assim como a brasileira, deve crescer em torno de 1,2% ao final do ano de 2019, podendo essa alta chegar a 1,4% (projeção de alguns bancos). Enquanto a indústria extrativa (minério e celulose, etc) está mais estagnada, outros setores têm mais dinamismo, como a agropecuária, e vão compensando essas perdas, avalia o diretor-presidente do Instituto Jones dos Santos Neves, Luiz Paulo Vellozo Lucas.

Ele enfatiza que governo estadual está trabalhando com uma política de desenvolvimento amparada na interiorização, de forma sustentável. E para garantir uma agenda regional, foram criados conselhos nas nove microrregiões do Espírito Santo.

“Apostamos muito na economia verde, criativa, no turismo, no aproveitamento dos atrativos naturais. Inspiramo-nos na Serra da Canastra, em Minas Gerais, que a partir de um produto, o queijo, virou destino turístico. Queremos fazer isso em várias regiões do Estado. Sem desprezo pela economia industrial, que é importante, mas nosso olhar hoje está voltado para a economia regional”, explica Vellozo Lucas.

O secretário estadual de Agricultura, Paulo Foletto, aponta o Espírito Santo como uma potência no agronegócio. “Temos um resíduo de dívidas em razão da seca severa que atingiu o Estado em 2015 e se estendeu em 2016 e 2017, prejudicando muito as culturas do café, entre outras. Mas agora, no final de 2019, choveu bastante, o que pode facilitar a recuperação em 2020.”

Ovos em alta

A queda do preço do café, a alta do dólar e a seca fizeram com que o destaque da Cooperativa Agropecuária Centro Serrana (Coopeavi) ficasse por conta da avicultura este ano. A produção chegou a 500 mil caixas de ovos em 2019, e a meta para 2020 é aumentar para 600 mil caixas.

“A avicultura teve seus altos e baixos em 2019, com a matéria-prima subindo por causa do dólar, os insumos preocupando um pouco. O que está ajudando a avicultura é o preço da carne, que subiu e ajuda a deslanchar a venda de ovos”, explica o diretor-presidente da Coopeavi, Denilson Potratz.

Potratz estima que a cooperativa deve fechar o ano de 2019 com um faturamento bruto de
R$ 420 milhões. Em fevereiro, a cooperativa incorporou a Veneza, com sede em Nova Venécia, passando a atuar também no ramo de laticínios. E ingressaram mais de mil novos membros, totalizando hoje 16.078 cooperados no Espírito Santo e em Minas Gerais.
A perspectiva para 2020 é muito boa na cooperativa. “Os juros baixaram, a produção de café arábica deve aumentar. A de conilon deve-se manter. Queremos implantar um supermercado em Santa Maria de Jetibá para atender os associados, além do posto de combustível”, contou.

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