Principais culturas do Espírito Santo crescem quase 50% em 2018

A safra do conilon deve fechar o ano em 567,5 milhões de toneladas

Conheça os 10 principais itens da agricultura capixaba fecharam o ano com aumento na produção

Depois da crise hídrica enfrentada entre 2015 e 2016 e de prejuízos bilionários causados pela estiagem, as atividades ligadas ao campo começaram a retornar à normalidade em 2018 no Espírito Santo. Graças às chuvas ao longo de 2017 e nos meses iniciais deste ano, os 10 principais itens da agricultura capixaba registraram incremento na produção.

O café, líder no agronegócio no Estado, viu sua área colhida diminuir tanto na variedade conilon (-0,7%) quanto na arábica (-3,5%). Ainda assim, segundo informações divulgadas pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), a safra do conilon deve fechar o ano em 567,5 milhões de toneladas – alta de 49,7% em relação a 2017. No caso do arábica, serão 228,4 milhões de toneladas – crescimento de 27,7%.

(*) Produção em mil frutos – Fonte: IJSN – Panorama Econômico 2º Trimestre/2018

O subsecretário de Estado da Agricultura, Marcus Magalhães, explica que o aumento da produção, em detrimento da área colhida, é possível em virtude de uma expansão na produtividade das lavouras. “Há 10 anos, uma lavoura de café produzia no máximo 30 sacas por hectare. Hoje, são de 100 a 120. Isso graças a estudos fomentados pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) com clones mais bem preparados, que geram uma diminuição de custos e uma margem maior de lucro”, pontua.

Em se tratando de saltos no fornecimento, desconsiderando o café, a pimenta-do-reino foi o grande destaque do Estado neste ano. Informações do Panorama Econômico do 2º Trimestre de 2018, elaborado pelo IJSN, indicam uma elevação de 49% nesse indicador. “É um produto de mão de obra intensiva, por ser colhido manualmente. As safras principais ocorrem nos meses de maio e junho e novembro e dezembro. Porém, nos últimos anos foram plantadas diversas novas variedades de pimenta-do-reino, e a produção se tornou quase mensal, contando naturalmente com a ajuda das boas condições do tempo registradas no Estado recentemente”, afirma o presidente da Associação Capixaba dos Exportadores de Pimentas e Especiarias (Acepe), Rolando Martin.

A participação do agronegócio no valor total das exportações capixabas chegou a 21% no segundo trimestre de 2018: maior percentual desde o terceiro trimestre de 2017. No primeiro semestre deste ano, as principais mercadorias embarcadas foram celulose (US$ 494,58 milhões), café em grão (US$ 138,12 milhões) e pimenta do gênero piper (US$ 54,51 milhões). As receitas com as vendas para o exterior, de janeiro a junho últimos, somaram US$ 774 milhões.

Lições pós-crise hídrica

Uma das principais iniciativas para ajudar os municípios a enfrentar o problema da falta de água nos períodos de estiagem é o Programa Estadual de Construção de Barragens. No decorrer do ano, foram inauguradas diversas estruturas em municípios como Colatina, Jaguaré e Baixo Guandu. Em março, começou a operar a barragem Engenheiro Agrônomo Valter Matielo, que fica entre Pinheiros e Boa Esperança, com capacidade para 17 bilhões de litros de água em 256 hectares de área alagada.

A fim de garantir a segurança hídrica na Região Metropolitana da Grande Vitória, o governo do Estado deu início aos trabalhos da Barragem dos Imigrantes, no Rio Jucu. Em outubro, foi assinada a ordem de início de serviços (OIS) para elaboração dos projetos básicos e executivos da obra de R$ 96,5 milhões que será feita entre Domingos Martins e Viana.

Retrospectiva 2018 sobre agronegócio e agricultura
A pimenta do gênero piper foi responsável por US$ 54,51 milhões milhões no total das exportações capixabas no primeiro semestre

O ano de 2018 foi marcado ainda por uma importante conquista do programa “Caminhos do Campo”. Em setembro, foram comemorados 1.000 quilômetros de estradas construídas pela ação, que tem o objetivo de facilitar o escoamento da produção agrícola. Outro avanço foi o projeto de lei que regulamenta as agroindústrias, sancionado pelo governador Paulo Hartung em maio. Até o fim de 2018, a estimativa é que 200 empresas do segmento sejam registradas.

Na avaliação de Marcus Magalhães, a crise hídrica serviu de aprendizado para todos os agentes ligados à agricultura no Espírito Santo, que naquele momento precisaram refletir sobre seus hábitos, do uso racional da água ao aprimoramento da gestão das propriedades.
“A crise hídrica pode voltar, mas vai encontrar o capixaba e um Espírito Santo muito mais preparados para enfrentá-la”, finaliza o secretário.

 

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