Acessibilidade: investimentos podem atrair turistas

Ricardo Shimosakai

Ricardo Shimosakai

Cidades prontas a receber, hospedar e atender qualquer pessoa. Esta é a sentença do que se pode e deve esperar do turismo adaptado segundo Ricardo Shimosakai. Paraplégico desde ter sido atingido por um tiro dez anos atrás em um sequestro-relâmpago, ele seguiu a vida de viajante pelo mundo, formou-se em Turismo e passou a dar palestras sobre acessibilidade como investimento para as empresas do setor.

Presente à Expotur 2011 – 7º Salão de Turismo e 2º Salão do Artesanato do ES, que encerrou neste final de semana, em Vitória, ele apresentou as oportunidades que se abrem ao investir em transformações para receber pessoas com deficiência. “Apenas os turistas americanos gastam quase 14 bilhões de dólares por ano”, afirma Shimosakai. 

Em 2002, segundo estudo apresentado por ele, os números ficam ainda mais impressionantes quando desmembrados. Os americanos com deficiência fizeram 32 milhões de viagens pelo mundo, gastaram 4,2 bilhões de dólares em hospedagem, 3,3 bilhões de dólares em passagens aéreas, 2,7 bilhões de dólares em alimentação e bebidas e 3,4 bilhões de dólares em comércio, transporte e outras ofertas de entretenimento e consumo. “O Brasil é lindo e todos querem conhecer. Mas qual a razão de eles não virem para cá?”, questiona.

A resposta também vem em números. Morador de São Paulo, certa vez ele próprio foi a campo pesquisar o poder de consumo das pessoas com deficiência. Foi a uma concessionária de veículos e descobriu que, na média, apenas naquela empresa, um veículo adaptado era vendido por dia. “Quem compra um carro adaptado tem dinheiro para viajar”, sentencia. “Pode e quer conhecer outras cidades.” Mas para onde vão os turistas brasileiros? “Acabam viajando para outros países.”

No Brasil, segundo o último Censo, há 24,5 milhões de pessoas com deficiência, população maior, por exemplo, que a de Portugal, do Chile e de outros países. E sendo assim, não se trata, como alguns ainda possam pensar, de um favor ou de uma ação de caridade. “É um investimento com retorno que precisa ser visto assim.” Visto, informado e operado. Algumas vezes, segundo Shimosakai, as medidas corretas são tomadas, mas seguem ineficazes por detalhes que não são observados. “Não adianta ter equipamentos e não treinar as pessoas” exemplifica. “E também não basta ter pontos acessíveis se isso não for divulgado.”

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