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domingo, 23 janeiro, 2022

A economia e a sucessão presidencial

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No Brasil, está cada vez mais claro que a sucessão presidencial do próximo ano terá as questões econômicas como grande protagonista

Por André Pereira César

“É a economia, estúpido!”. A frase, atribuída a James Carville, assessor do então candidato à presidência dos Estados Unidos Bill Clinton na primeira metade dos anos noventa do século passado, resume a importância da situação do bolso das famílias e empresas em uma disputa eleitoral.

Naquele momento, o democrata desafiava o favoritismo do presidente republicano Bush pai, que havia acabado de vencer a primeira Guerra do Iraque e, mais ainda, colhia os louros do fim do Império Soviético. O êxito de Clinton nas eleições deu-se, em larga medida, em função da insatisfação do eleitorado com a economia.

No Brasil, está cada vez mais claro que a sucessão presidencial do próximo ano terá as questões econômicas como grande protagonista. O mais recente movimento nesse sentido foi o novo aumento da taxa de juros (Selic), agora em 9,25% – em meio a um PIB em queda e desemprego elevado, lembremos. Aumento esperado por todos para conter a galopante inflação, mas, mesmo assim, um enorme incômodo para a sociedade. O Banco Central não quer brincadeira.

Por conta disso, os principais pré-candidatos têm dado atenção especial ao tema. O presidente Jair Bolsonaro (PL) pretende usar o Auxílio Brasil, o Bolsa Família “vitaminado” de sua administração, para recuperar o terreno perdido junto a setores importantes do eleitorado. Aposta forte, mas de resultados absolutamente incertos.

Líder por ora das pesquisas, o ex-presidente Lula (PT) sabe da necessidade de apresentar um programa minimamente consistente para conquistar os votos necessários para conduzi-lo novamente ao Planalto. Assim, em seus discursos, ele tem focado o problema da desigualdade, cada vez mais dramática no país. As imagens de brasileiros disputando ossos e lixo para sobreviver causam dor. Terão o petista e sua equipe condições de reverter essa realidade? O tempo dirá.

O ex-ministro Sérgio Moro (Podemos), a mais recente novidade no campo da chamada “terceira via”, também colocou a economia como tópico chave para ingressar na disputa. Não por acaso está montando um time econômico que agrada bastante aos mercados, com o ex-presidente do Banco Central Affonso Celso Pastore à frente. Principal estrela da Lava Jato, Moro precisa convencer o eleitor de que as questões referentes à corrupção, outro tema caro para setores do eleitorado, não ficará em segundo plano. “É a economia, estúpido!”, versão brasileira em 2022.

Vale lembrar que as incertezas da pandemia, com a variante Ômicron no horizonte, podem agravar ainda mais o já difícil quadro da economia brasileira, com reflexos diretos na questão social. O país atravessa um momento extremamente difícil e aos postulantes à presidência cabe discernimento para a montagem de programas factíveis, politicamente viáveis e que ao menos amenizem a situação geral.

Trata-se de desafio de monta, sem sombra de dúvida.

André Pereira César é Cientista Político e sócio da Hold Assessoria Legislativa.

 

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