24.8 C
Vitória
domingo, 16 maio, 2021

A destruição da poupança

Mais Artigos

Por Vaner Corrêa

A caderneta virou aquele cofre em forma de porquinho, ou seja, é um mero lugar para se guardar dinheiro, para não se ter o incômodo e os temores de deixá-lo em casa. A rentabilidade da poupança sempre foi “6,1678% ao ano mais a TR” ou “0,5% ao mês mais a TR”, esta equação remuneratória perdurou até 2012, precisamente até junho daquele ano. A partir de então, sempre que a taxa Selic estiver abaixo de 8,5% ao ano, a remuneração da caderneta de poupança ficará limitada a “70% da Selic mais TR”.

Portanto, com a Selic a 2% ao ano, e a TR, que é a cota nominal da poupança zerada, a rentabilidade anual é de 1,4% ao ano, que tem sua equivalência mensal em 0,115925%. Veja bem, a poupança perde para a inflação oficial medida pelo IPCA, que fechou o ano de 2020 em 4,52% ao ano.

Dito isto, é fácil compreender o fluxo negativo da caderneta de poupança em janeiro de 2020, que foi na casa de bilhões, ou em outra linguagem, os saques das cadernetas de poupança superaram os depósitos em R$ 18,153 bilhões em janeiro deste ano.
A explicação desta superação dos saques em relação aos depósitos encontra explicação em três componentes.

Primeiramente, conforme já dito, a caderneta de poupança é um mero “abajur decorativo” no mundo financeiro, pois a sua remuneração é pífia diante da inflação oficial do país. Neste sentido, os depositantes a usam, tão somente, como se fosse uma conta corrente.
Em segundo lugar, o início de ano sempre foi o momento de lançar mão das reservas para atender às mais diversas despesas, esperadas e inesperadas das famílias e dos agentes econômicos.

E, por fim, notadamente com o fim do auxílio emergencial houve um decrescimento do boom do consumo e da poupança, por conseguinte, uma redução nos depósitos da caderneta.

Entender os motivos que levaram a superação dos saques em relação aos depósitos no mês de janeiro não é um grande exercício intelectual, as explicações são as mais simples possíveis.

Entretanto, entender por quais motivos históricos a população está sendo privada de aplicação na poupança em função do seu acanhado rendimento, aí sim, se requer um exercício intelectual mais aprofundado. Na verdade, depois de seis governos, paradoxalmente, sociais democratas, e quase metade de um governo liberal-monstrengo, fica bastante claro que povo e a população menos favorecida, que tem pouco recurso, mas o que tem, poderia aplicar na caderneta de poupança, como algo salvador para o futuro ou os dias das vicissitudes, não conta para os governantes. A predação do instituto da caderneta de poupança não se explica pelo fato de que se mesma fosse atrativa estaria retirando recurso do alto mercado financeiro, é óbvio que não. Até pelo motivo de que a caderneta de poupança financia fortemente a construção civil no País.

O fato mais importante é que o sistema financeiro nacional, cujos os operadores privados se encontram dentro da estrutura de poder da União, estão forçando os menos favorecidos a se arremessarem para os mercados mais complexos, onde os tubarões financeiros papam altas taxas de administração sem sequer saírem de dentro de suas casas. É uma escala tão gigantesca que, aos poucos, a população está largando a poupança para entregar os seus recursos nas mãos da nossa “classe financeira” a encher as suas panças.

Vaner Corrêa é conselheiro do Corecon-ES

ES Brasil Digital

Continua após publicidade

Fique por dentro

Vida Capixaba