Viviane Mosé: “Se continuar investindo em educação, ES vai ser surpresa nacional”

A capixaba Viviane Mosé tem uma longa carreira ligada à educação, iniciada no Espírito Santo. Há poucos anos, atuou na reforma curricular do Estado e realiza palestras para o mundo corporativo, para os secretários de educação de todo o país e para mais de 50 mil professores Brasil a fora. Sua experiência realizando programas de televisão para a Rede Globo ajudou a originar seu último lançamento, o livro “A Escola e os Desafios Contemporâneos”.

Por que decidiu lançar o livro “A Educação e os Desafios Contemporâneos”?
Fiz uma série de programas para a Rede Globo que discutiram filosofia, ética e, por último, educação. Tive que me dedicar como educadora e entrevistei importantes pensadores desta área. Visitei as escolas de ponta da rede pública no Brasil. O livro nasceu para registrar o trabalho que fiz e contém entrevistas com importantes especialistas de nossa educação. Queria que a obra fosse o registro do que aprendi com os educadores para que minha palestra possa chegar aos municípios em que não pude estar fisicamente.

Quais considera os principais desafios para nossas escolas?
O principal é a sustentabilidade. Não temos garantia de permanência da humanidade no mundo por causa da falta de cuidado com o meio ambiente, os conflitos sociais, a carência de alimento, a violência urbana, o terrorismo. Então o primeiro desafio é incentivar a escola para mudar o eixo da cultura, formar pessoas corajosas para reverter essa relação com a cidade, com o outro, com o consumo. A escola hoje forma repetidores. E repetidores vão repetir os mesmos erros do passado e do presente.

Qual a importância da tecnologia neste processo?
A tecnologia representa a revolução da memória. Você pode acumular bilhões de dados em um suporte pequeno. A educação clássica se sustenta na memória, ensinando a decorar. Mas hoje tudo que deve ser ensinado todos podem ter acesso através da internet. Por isso, precisamos realocar a memória, o foco tem que ser interpretar os dados. A escola precisa se reinventar ou vai desaparecer e ninguém quer que ela desapareça.

O modelo de educação atual também é prejudicial para as empresas?
Percebi que a escola que a gente tem hoje não forma nem para a ética, nem para a convivência e nem para o mercado, que carece de mão de obra especializada. Uma das coisas que me motivou a publicar este livro foi a constatação de que hoje a sociedade e o mercado precisam de pessoas críticas, ativas e inovadoras, mas as escolas formam pessoas passivas e repetidoras. Queremos escolas alegres, críticas e criativas. Vivemos uma crise de liderança e a escola não incentiva a liderança, ensina a submeter, a disciplinar e não a formar e desenvolver lideranças.

Como a educação capixaba é vista no Brasil?
Por onde passo, o Espírito Santo é elogiado, porém vou a Vitória e não vejo elogios. Como convivo no universo da educação, quando falo que sou capixaba as pessoas comentam os bons resultados que o Estado está tendo, especialmente em Vitória. Temos que ter orgulho disso! Falo com muito orgulho que sou de Vitória e que trabalhei com a Sedu. A maior parte do que aprendi sobre inovação em educação foi no Espírito Santo. Tem muita coisa para melhorar ainda, é um longo caminho, mas o Espírito Santo faz parte do grupo bem sucedido que está melhorando. A educação é a chave. Se continuarmos investindo em educação o Espírito Santo vai ser a grande surpresa nacional.

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