Vitória: casa em ordem e busca de parcerias para crescer

Aerea de Vitória
Mesmo em um ano de baixa arrecadação, a Prefeitura de Vitória conseguiu manter as contas em dia

Após passar por ajustes no custeio, Vitória comemora as contas no azul e traça metas para 2018

Fusão de secretarias, redução de cargos comissionados, revisão de contratos: em 2017, a ordem na Prefeitura de Vitória foi reduzir despesas para enfrentar a queda na arrecadação, gerada pela crise econômica, e manter as contas no azul. “Fizemos várias ações para tornar o gasto público mais eficiente. Assim, trabalhamos com as contas rigorosamente em dia. Pelo terceiro ano consecutivo, conseguimos antecipar o pagamento do 13º salário dos servidores”, comemora o prefeito Luciano Rezende, que chega ao fim do primeiro ano do seu segundo mandato à frente da administração de Vitória.

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A prefeitura investiu em ruas de lazer e ciclofaixas na capital

Sua expectativa para 2018 é que a economia – agora dando sinais de estabilidade – volte a crescer, melhorando a arrecadação da capital, que também sofreu um baque com a extinção gradual do Fundap. “Estamos vindo de uma sequência de queda de receita. Mas, este ano, o quadro começa a melhorar”, observa Luciano. Entre as ações realizadas pela administração municipal em 2017, um destaque é o investimento em tecnologia para a modernização da máquina pública.

É cada vez maior a gama de serviços aos quais a população tem acesso sem precisar sair de casa. É o caso do sistema de agendamento e confirmação on-line implantado na saúde, que permite ao cidadão marcar uma consulta ou procedimento e confirmar a presença pela internet. “O investimento em tecnologia traz ganhos em qualidade, velocidade e transparência. E o município ainda consegue economizar. No caso da saúde,
há ainda humanização do atendimento e otimização do trabalho dos funcionários, que não ficam mais ociosos”, destaca.

Evolução da relação receita x despesas em Vitória
Fonte: Anuário Finanças dos Municípios Capixabas/2017

Para o início de 2018, a prefeitura deve lançar o seu Plano de Metas, que, como explica Rezende, será uma consolidação das ações estruturantes previstas pelo município em todas as áreas, como saúde, educação, segurança e ação social, com o objetivo de chegar ao futuro desejado pelos moradores. “Fizemos várias audiências com comunidades, lideranças e conselhos para ouvir das pessoas o que elas esperam dessa gestão. E, para consolidar todas essas demandas, vamos lançar o Plano de Metas”, ressalta.

Obras previstas

Entre as obras que deverão ser incluídas no Plano de Metas estão a ampliação das ciclovias e a criação de ciclorrotas, como informa o prefeito. “Além disso, estamos trocando toda a iluminação da cidade por luz branca, de LED, o que aumenta a sensação de segurança e traz mais conforto à população”, diz Rezende, observando, ainda, que o planejamento incluirá mais investimento na disponibilização de serviços on-line, visando a reduzir o tempo de espera dos cidadãos e à ampliação da rede de internet gratuita da cidade. Na área de segurança, o destaque é a implantação do cerco eletrônico, prevista para 2018, em que 48 pontos da cidade serão monitorados por câmeras capazes de flagrar carros roubados e outras infrações.

Outro projeto da administração municipal que começou a sair do papel é a implantação do Parque Tecnológico, em uma área próximo à Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), em Goiabeiras. A previsão é que as obras de construção do Centro de Inovação, já iniciadas, sejam concluídas até o final de 2018. A ideia é abrigar startups e atrair centros tecnológicos de grandes empresas para o local. Luciano Rezende ressalta que a capital conta com alguns fatores fundamentais para o sucesso do Parque Tecnológico. “As expectativas são as melhores possíveis, no sentido de podermos atrair empresas de tecnologia do Brasil que estão, às vezes, sediadas em capitais que não têm a qualidade de vida de Vitória, não têm a área territorial de Vitória, onde é tudo muito perto e de fácil acesso. Além disso, temos uma proximidade boa com a Petrobras, a Ufes, a Vale, o Ifes e a Findes, e todos esses parceiros estão focados na inovação”, comentou.

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Com as obras de drenagem finalizadas, a Codesa estima o crescimento de 30% no movimento

Entre as parcerias pensadas pela prefeitura com o Estado está a integração dos sistemas de transporte coletivo. Rezende reconhece que melhorar a prestação de serviço nessa área tem que ser uma das prioridades do município. “Temos um desafio bem acentuado, que é a eficiência do transporte coletivo. Precisamos de integração entre o sistema de transporte municipal e o estadual”, defende, ressaltando que também está em busca de soluções pensadas em conjunto com as demais cidades da região metropolitana para as questões que têm impacto sobre todas elas.

Um exemplo desse tipo de problema está na área de segurança pública. Reduzir os índices de criminalidade é uma questão que aflige toda a região metropolitana, e o debate sobre como fazer isso já envolve, hoje, todas as administrações municipais, diz o prefeito. “Em Vitória criamos o Plano Municipal de Segurança. Também compramos novas viaturas com recursos próprios, oriundos do Fundo Municipal de Segurança”, finaliza.


Luciano Rezende

Prefeito Luciano Rezende
Foto: Yuri Barichivich

Luciano Rezende, 55 anos, é médico, formado pela Ufes, e pós-graduado em Medicina Esportiva. Foi vereador de Vitória por quatro mandatos e secretário de Saúde e de Educação do município. Também atuou como secretário de Estado de Esportes e Lazer e deputado estadual. Em 2012, foi eleito prefeito da capital, posto que reconquistou na eleição de 2016.

Quais foram as principais realizações deste ano na sua gestão?

Reduzimos os aluguéis e renegociamos contratos com fornecedores, fazendo o custeio – o gasto com itens como energia elétrica, locação de imóveis e de veículos, entre outros – cair em 30%. Mudamos o horário de funcionamento de alguns setores da prefeitura, o que nos fez economizar mais de 15%. Com a quarta reforma administrativa, que está em andamento, teremos uma economia de R$ 8 milhões até o final do governo. Também houve redução nos cargos comissionados. E tudo isso sem nenhum prejuízo na oferta de serviços para a população.

Houve avanços no sentido de integrar a cidade aos demais municípios da região metropolitana? E no estabelecimento de parcerias público-privadas?

Teremos em alguns dias o Plano de Desenvolvimento Integrado, constituído pelos municípios da região metropolitana, para avançar em ações que geram impactos de uma cidade para outra. O aquaviário vai retornar, ligando Vitória a Vila Velha. E solicitamos ao governo do Estado que faça a integração do sistema de transporte coletivo. Há estudos preliminares para concretizar duas parcerias público-privadas, nas áreas de iluminação e de resíduos sólidos. Mas já temos outras em funcionamento e com sucesso, como o Bike Vitória, em conjunto com a Unimed e o Sicoob. São 30 estações, inclusive com bicicletas para crianças, a custo zero para a PMV. Teremos também o Festival Gastronômico Roda de Boteco, que será realizado em sete quiosques na Praia de Camburi, uma parceria com o Sindicato dos Bares e Restaurantes. E a construção do Parque Zé da Bola, também em Camburi, que é uma parceria com a Vale.

Em 2018 teremos eleições estaduais. Como está a relação da prefeitura com o governo do Estado e quais são as perspectivas?

A relação com os organismos estaduais é feita no dia a dia da administração; temos cooperação em várias áreas, como a Polícia Militar e a Polícia Civil, e cito um dos principais: o Sistema Único de Saúde, que opera em três níveis – federal, estadual e municipal.

O problema com a Cesan prejudicou o relacionamento da prefeitura com o governo do Estado? Qual é o caminho que o senhor vê para futuros apoios e parcerias entre as duas esferas de governo?

Vitória espera chegar a um ponto de equilíbrio com a Cesan. A nossa equipe está trabalhando para isso. Esperamos que em 2018 possamos criar uma agenda administrativa positiva com o órgão e desenvolver novas parcerias, para que a empresa possa tratar Vitória com o devido respeito aos investimentos pelo quais, inclusive, os moradores já pagam. Precisamos urgentemente ter praias, baía e manguezais livres de esgoto.

Como liderança política, quais cenários o senhor enxerga para 2018? Está nos seus planos ser candidato?

Estou focado em administrar a cidade e sou candidato a fazer um bom governo, entregar a prefeitura reorganizada, pós-Fundap, e a cidade muito melhor para se viver, trabalhar e visitar ao final do meu segundo mandato, em dezembro de 2020.


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