Vitória da tecnologia

Vitória da Tecnologia
Luciano Raizer Moura –Doutor em Engenharia de Produção pela USP, Professor do Departamento de Tecnologia Industrial da Ufes e Presidente do Sindinfo – Sindicato das Empresas de Informática do ES

Vivemos em um mundo que se transforma, cada vez mais, com a tecnologia

Quem imaginava, uma década atrás, que iríamos fazer quase tudo usando um telefone celular? Hoje fazer compras pela Internet, usar um transporte por aplicativo, fazer movimentações bancárias pelo telefone, faz parte da nossa rotina. Mas, não para por aí.

A cada instante ficamos surpresos com um veículo autônomo, uma casa que é construída por uma impressora 3D, ou robôs atuantes na produção, antes exclusiva dos humanos.

Essas novas tecnologias não surgem do nada. Elas vêm de cérebros bem preparados, de novas empresas de tecnologia, as startups, de centros de pesquisas de universidades ou de grandes empresas. São os ambientes ou habitats da inovação, espalhados pelo mundo.

O mais conhecido deles, o Vale do Silício, no entorno da cidade de São Francisco, nos EUA, fez surgir empresas, hoje gigantes, como Google, Facebook, Netflix, Airbnb, mas que surgiram de uma ideia maluca, e hoje valem bilhões e empregam milhares de pessoas. Existem vários outros polos de inovação mundo afora, como Londres, Berlim, Nova York, entre tantas cidades que decidiram apostar na tecnologia.

E a nossa cidade de Vitória, qual é a sua opção em relação a esse novo mundo tecnológico? Bem, apesar de termos algumas empresas que aqui foram criadas e estão crescendo, em locais como a Tecvitória, uma incubadora de empresas tecnológicas, estamos bem atrasados em relação a outras cidades, que já despertaram para esse novo mundo.

Cidades como Florianópolis, Recife, Belo Horizonte, e a poderosa São Paulo, estão se estruturando cada vez mais para gerar mais e mais empresas tecnológicas, que empregam muita gente qualificada e geram desenvolvimento.

As cidades que apostaram na tecnologia organizam o que chamamos de “ecossistema de inovação e tecnologia”. É um ambiente propício para estimular ideias, desenvolver projetos inovadores, investir em novos negócios, as startups, e gerar empresas de tecnologia.

Esses ambientes são formados por incubadoras tecnológicas, centros de inovação e parques tecnológicos, além de ter competente contingente de cérebros bem preparados e fundos de investimento para apoiar financeiramente os projetos, que são de alto risco e a maioria não gera resultado. Mas os poucos projetos vitoriosos faz valer a pena o investimento em todo o ecossistema, pela geração de resultados.

Para se ter ideia, hoje, Florianópolis gera mais receita com empresas de tecnologia do que com turismo. A receita do município cresceu 56% nos últimos dez anos, enquanto a de Vitória decresceu 20%. Qual o milagre? Foi a aposta no surgimento de empresas de tecnologia.

Nesse mesmo período, Vitória cresceu em 51% o número de empresas de tecnologia, mas Florianópolis cresceu 125%. Hoje Florianópolis tem perto de 1000 empresas de tecnologia que empregam mais de 17 mil. Cresceu em 24,5% o emprego nessas empresas e em Vitória houve perda de 15%. São nossos cérebros buscando oportunidade em outros centros, mais desenvolvidos.

Nossa cidade precisa se atentar para essa nova realidade. Ficamos discutindo por 26 anos se parque tecnológico é importante ou não, se deve ou não ser exclusivo para empresas. Precisamos ter mais programas de estímulo a ideias, como o Sinapse da Inovação do Governo do Estado.

Precisamos de mais incubadoras, além da TecVitória. Precisamos criar o ecossistema de inovação para gerar renda e empregos. Precisamos acreditar na Vitória da Tecnologia.


Luciano Raizer Moura –Doutor em Engenharia de Produção pela USP, Professor do Departamento de Tecnologia Industrial da Ufes e Presidente do Sindinfo – Sindicato das Empresas de Informática do ES

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